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24/07/2013 10:53

Heróis do amanhã

Luciana Bezerra de Lima (*)

Eu queria fazer algo extraordinário por meu país, algo que pudesse ser eternizado, seguido admirado, um legado para futuras gerações. Então eu parei e pensei, eu já faço isso. Eu sou professora. Eu faço parte da vida de crianças que um dia farão do nosso país um lugar digno e admirado, não somente pelo carnaval ou pelo futebol. Bom, pelo futebol também. Mas, pela nobreza e garra das pessoas desta terra.

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Acredito que professores, especialmente, os da Educação Infantil possuem muitos ideais para a Educação. Sonhamos com nossas salas bem equipadas, materiais pedagógicos de qualidade. E esse sonho vira realidade porque investimos o nosso capital para fazer o melhor. Nós professores de Educação Infantil, sabemos que somos responsável pela primeira e mais importante etapa da Educação.

Hoje amanheci decidida a expor meu ponto de vista, haja vista, que nossas crianças sozinhas não conseguirão reestruturar nossa sociedade. Então me utilizei das ferramentas que estavam a meu alcance. Escrevi algumas linhas no facebook do prefeito de nossa cidade, fiz-lhe um pedido, e a cada palavra vinha-me a mente a alegria de meus pequenos educandos.

“Senhor prefeito, quero fazer-te um pedido, que alguns poderão pensar: - Nossa que futilidade, o povo precisando de saúde, educação, segurança pública e vem essa aí falar de ESPORTE. Isso mesmo prefeito, quero pedir-te que valorize, incentive, patrocine, INVISTA no esporte, crianças praticando esporte crescem mais saudáveis e felizes, consequentemente a fila dos postos diminuem. Crianças praticando esportes desenvolvem habilidades motoras e cognitivas, consequentemente conseguem aprender e destacam-se na escola. Crianças que praticam esportes vivem em busca de vitórias, de recordes de disciplina, consequentemente são pessoas dignas e devem ter a oportunidade de nos representar em jogos municipais, estaduais, nacionais e mundiais. Eu assisti o mundial de atletismo sub 17 e fiquei muito triste, em ver que um país GIGANTE como o nosso levou somente 32 atletas sendo que destes somente 26 recebem benefício do governo. Desses GUERREIROS BRASILEIROS somente um recebeu medalha de prata, mas todos são vitoriosos a meu ver.

Prefeito lhe pergunto: Você se orgulharia de ver atletas da nossa cidade brilhando em eventos esportivos? Você gostaria de reduzir as mazelas da população? Se sua respostas for positivas, como tenho certeza que sim. Hoje você irá pensar em tudo isso, e amanhã você começará trocando a placa da Fundesporte que continua com o nome da gestão passada. INVISTA senhor prefeito em CENTROS DE TREINAMENTOS para nossas crianças elas precisam,elas tem potencial, PROMOVA competições, valorize nossos atletas. Faça- nos uma visita nos Ceinfs não temos QUADRAS DE ESPORTES, nossas crianças precisam desses espaços. A escola onde eu trabalho também não tem quadra de esporte. FAÇA NOSSAS CRIANÇAS FELIZES.

Consequentemente a sociedade não sofrerá. Provérbios 22:6 diz: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele." QUE DEUS NOS ABENÇOE”.

Já imaginou quanta mudança ocorreria, se a educação de nossas crianças fosse discutida sobre esse viés? Será que poucos atletas seriam contratados com salários exorbitantes? Enquanto outros sem patrocínio dependem da ajuda popular para disputar competições. Esse é o país que nos é apresentado hoje. Gigante em extensão, em riquezas, em população e pequeno em condições sociais.

Qual resposta precisamos dar a este sistema que insiste em colocar a Educação como redentora? Simplesmente a de que a valorização deve centrar-se primeiramente na criança. A meu ver, as crianças podem sim transformarnossa sociedade, mas dependerá de quais condições daremos a elas no presente.

Estamos andando em círculo quando discutimos as mazelas da sociedade: Saúde, Educação, Segurança pública, precisamos considerar a origem dos problemas, que centra-se na falta de oportunidades.

Os pais saem para trabalhar, ou às vezes somente um deles é responsável pela criança ou outros familiares. Algumas ficam aos cuidados de irmão mais velhos, lembrando que esse “mais velho” é uma criança de 8, 9, 10 anos enfim, a rua, a televisão ou cybers são os ambientes desses pequenos.

Quando frequentam a escola, não sentem interesse pelo conhecimento que lhe é ofertado, o seu corpo requer movimento e a escola muitas vezes é lugar de disciplina. Quando chega a aula de Educação Física, tão esperada pela garotada ela dispõe de apenas 2 horas semanais. E o professor se virá dos avessos para ensinar os fundamentos de alguns esportes: sem bolas, sem redes, sem pistas, e sem QUADRA. No meu tempo, nós ainda disputávamos campeonatos municipais.

A criança vai crescendo e vai sendo deixada de lado, esperando o tempo passar. Quando chega a adolescência, ele diz que não gosta de nenhum esporte, e mais triste ainda odeia a escola e os professores. Será que, se aos 4 anos, esta criança fosse inserida a um programa de esporte ela teria este mesmo pensamento? Acredito que não, pois o esporte ensina a disciplina, não aquela disciplina rígida e autoritária, mas sim a disciplina da concentração, do raciocínio e da observação. Fatores essenciais na formação do indivíduo. Então, não podemos aceitar que a qualidade e o sucesso da Educação dependem exclusivamente do professor, é essencial mais não é tudo.

Criança que não prática esporte consequentemente frequenta o serviço de saúde, que por sinal enfrenta inúmeros problemas, dentre eles a insuficiência de pediatras. Resultado: postos de saúde lotados, um caos.
Crianças que não aprenderam nenhum esporte, que odiavam a escola e a abandonaram aos 12, 13, 14 anos, ficaram a mercê de crime, agora não são mais crianças são menores infratores, estão nas ruas usando drogas e cometendo delitos, estão nas Uneis sem nenhuma expectativa de recuperação. Consequente, surge diariamente bandidos de alta periculosidade, sistema carcerário em condições sub-humanas.

Nossas crianças precisam de oportunidades hoje. Elas precisam ser nossos heróis de amanhã, nossos orgulhos, nossos guerreiros e fiéis representantes. Sempre que escutarmos nosso hino nacional e vermos nossa bandeira subindo no mastro teremos certeza de que fizemos nossa parte, esse é nosso legado.

(*) Luciana Bezerra de Lima, Professora na Educação Infantil da Rede Municipal de Campo Grande/MS

lucianaemais@yahoo.com.br

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