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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

16/03/2011 08:46

História, produção e soberania

Por Valfrido Medeiros Chaves (*)

Neste início de abril de 2002 fomos brindados através da grande mídia, com a informação de que uma ONG de produtores rurais de uma “Nação de primeiro mundo” estava oferecendo aos nossos produtores de soja a bagatela de 200 reais por hectare, para que deixássemos de efetuar o plantio da dita leguminosa, neste ano.

Noutros termos, alugando unidades de produção brasileiras para desativá-las. Creio que muitos ensinamentos poderão ser tirados a partir dessa proposta aparentemente enigmática e vantajosa, pois a oferta é muito superior ao que se obtém de retorno financeiro, ao se efetuar o plantio. Tentarei ser um pouco esquemático para compartilhar com o leitor algumas reflexões necessárias sobre o episódio, dado a extensão de seus desdobramentos:

1-O assunto logo desapareceu da mídia, como se revelasse algo sobre o qual não devêssemos discutir muito, ou nos esclarecer melhor sobre a dinâmica que envolve a “ generosa proposta”;

2-Confirma o óbvio de que a agricultura do “primeiro mundo”, que recebe como doação 1 bilhão de dólares por dia, em todos os anos, não consegue competir com a nossa;

3-Nos ensina que as Nações “Centrais, Desenvolvidas ou de Primeiro Mundo” assumem todo tipo de gastos financeiros para não terem a base de sua necessidade alimentar dependente do exterior e não medem sacrifícios para manterem o homem no campo, e a sua capacidade produtiva agrária ativa e estabilizada: isso lá não é negócio, é segurança nacional;

4- Nos mostra que o valor que eles sabiamente dão à manutenção do emprego, fixação do homem ao campo e independência estratégica, pesa mais na sua balança de decisões do que o custo financeiro e o uso e desgaste dos recursos naturais de que dispõem , mesmo que estes estejam próximos da exaustão;

5- Nos esclarece que são povos que assumem explicitamente seus interesses, sem subserviência a quem quer que seja: em 2001, os U.S. liberaram uma área, até então Reserva, para o processo produtivo e deram apenas esta satisfação para o mundo: “Os U.S. são uma Nação que tem a responsabilidade de alimentar 260 milhões de bocas, e não é nenhum jardim botânico ou jardim zoológico” ; há poucos dias o presidente americano afirmou: “Os U.S. é uma Nação líder, e se dá o direito de tomar decisões sozinho”. Parece que as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá!

6- Tais sociedades criaram um fundo de 3.6 bilhões de dólares para a compra de milhões de hectares de nossos cerrados para a constituição de Reservas, “para proteção da vida selvagem”. Ou seja, para nós o discurso é outro, e nos chega como um enlatado importado, muito bem divulgado, pago e politicamente correto;

7- A World Conservation Monitoring Center sugere, e seu apelo Ecoa no Ministério do Meio Ambiente , com apoio de ONGs ditas brasileiras, que propõe a constituição de uma Reserva de Biodiversidade no Nabileque(580.000 hec.) a mais produtiva, preservada e estável sub-região pantaneira. O modelo proposto imporia a retirada da população brasileira da fronteira, com suas 350 mil rezes. Como os custos da brincadeira seriam do Estado brasileiro, louvor à inteligência dos produtores de proteína animal nossos concorrentes que, sem despesas, conseguiriam a desmobilização da mais produtiva e ambientalmente preservada região pantaneira;

8- O Parque Trilateral (Bolívia, Brasil, Paraguai), do qual o Nabileque faria parte, só por acaso, se situa sobre o Aquífero Guaraní, vizinho das terras do Rev. Moon, e do grande vazio demográfico que é a Reserva Cadiwéu (530.000 hec.). São áreas densamente empastadas que, sem gado, acumulam grande volume de Biomassa, e onde ocorrerão os maiores incêndios do planeta. Nesse momento, Organizações internacionais estarão aí, generosas, distribuindo bombas costais e apagadores, para salvar o meio ambiente planetário ameaçado pelo fogo e pela incompetência brasileira, comprovando a necessidade de que haja tutela internacional sobre nossos majestosos recursos naturais;

9- Nada calculado e nem ecoando urdições, leitor, para, atingindo nossa imagem e auto estima, solapar a soberania nacional sobre nossos recursos naturais, estejam eles no Cerrado, Pantanal ou Amazônia... Ainda mais que, tudo indica, ninguém “tá de olho” e nem interessado, dado que as reservas naturais das Nações de primeiro mundo não estão próximas da exaustão. Tudo fantasia, paranóia ou neurose, como diriam alguns porta vozes de interesses anti-nacionais em nosso meio, sempre solícitos no ataque à auto estima e reputação de nosso homem do campo e, por extensão, do brasileiro em geral.

Do mesmo modo submissos àqueles interesses, quando apoiam as teses que resultam sempre no engessamento de nossas atividades produtivas, sob o manto de intenções falsamente ecológicas ou preservacionistas. Como na tentativa de barrar a navegação fluvial e a integração de nossas bacias hidrográficas, tão estratégicas para o nosso desenvolvimento e integração territorial. Ou tentar impedir, no Pantanal, a troca do capim que só alimentam o fogo, por gramíneas que alimentam o gado e protegem o solo.

Acorda, Peão!

PS: Trago este artigo, publicado em 2002, em homenagem ao Dep. Aldo Rebelo que, com seu Relatório sobre o “Código Florestal”, desafia hoje os interesses internacionais que manipulam um discurso ambientalista encomendado, fazendo-o em defesa de nossa soberania alimentar, territorial e dignidade de nosso homem do campo.

(*) Valfrido Medeiros Chaves é psicanalista.

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