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19/12/2011 11:30

Jornalista! Só com diploma

Por Gerson Luiz Martins*

A importância da formação universitária específica nas diferentes profissões é sintoma de uma sociedade desenvolvida, com uma educação de qualidade e, fundamentalmente, democrática. É certo que um diploma não é sinônimo de qualidade e tampouco de profissionais éticos e competentes. Contudo, a formação universitária, principalmente nas áreas profissionais estratégicas para o desenvolvimento social, é condição muito importante, pode-se dizer, imprescindível, para a consolidação democrática e o desenvolvimento social. Neste mundo globalizado e complexo, o gerenciamento da informação se tornou importante demais para ficar sob controle das empresas de comunicação ou da classe política.

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A jornalista do O Globo, Miriam Leitão, em recente vídeo sobre a nova página web do jornal foi muito clara ao afirmar que os jornalistas são “profissionais da informação”. Esta afirmação pode se apresentar muito antiga e até mesmo um jargão largamente usado. No entanto, é preciso refletir sobre o significado de cada palavra, ou seja, “profissionais” se entende aquelas pessoas que tem competência, qualificação para atuar em determinada atividade, não se discute a qualificação de um profissional da saúde, da construção, do transito; e “informação” palavra tão significativa, de compreensão ampla e entendimento profundo. O jornalista como profissional da informação tem que estar qualificado para isso. Precisa compreender as ciências, a política, a sociologia, a história, a geografia. Não basta procurar informações em páginas web de notícias ou tampouco levantar alguns dados oferecidos, via de regra por meio de boletins (relises), pelas autoridades públicas.

Nesse mesmo vídeo, em que aparece o depoimento de Miriam Leitão, o editor executivo de O Globo, Luis Antonio Novais, é maduro, perspicaz e sensato em afirmar que a “notícia precisa ter muito mais reflexão”. Ou seja, a produção da notícia não pode ser realizada por qualquer pessoa, por profissionais não qualificados. E a qualificação acontece, como para qualquer profissional estratégico para a sociedade, por meio do curso universitário específico, neste caso, de jornalismo.

De outro lado, o senador pelo estado de Minas Gerais, Clesio Andrade, em recente artigo publicado na página web na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), destacou que é imperativo para uma sociedade democrática a liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa é um elemento estratégico para que uma sociedade cresça, se desenvolva e para que os mecanismos políticos e, portanto, democráticos possam se consolidar e serem garantidos ao longo dos tempos. Andrade afirma que a liberdade de imprensa é “um dos pilares básicos de qualquer regime democrático”. E que, portanto, “nada mais coerente que se exija formação adequada dos jornalistas para que exerçam esse poder e que a imprensa livre, ética e responsável assegure a democracia”.

A importância da formação universitária do jornalista também foi objeto de debate no último Congresso Internacional de Ciberjornalismo de Bilbao na Espanha. Com o advento das redes sociais, há um senso comum de que qualquer pessoa pode ser um jornalista. O fato de que muitos podem disseminar, distribuir informações, seja pelo Twitter, seja pelo Facebook ou outro mecanismo na internet qualificado como rede social, não significa que esta pessoa seja um jornalista. Uma coisa é a distribuição da informação, coletar dados e repassar aos outros; outra coisa é a produção da informação, ou seja, editar e difundir informações para a sociedade. É certo que hoje se vive sufocado por uma quantidade imensurável de informações, mas nem todas são verdadeiras ou confiáveis. As pessoas não tem tempo para ficar na internet e absorver toda a quantidade de informação disponível. Por isso, as pessoas assistem ao telejornal todas as noites, ouvem o radiojornal todas as manhãs e ainda, quando necessitam de mais informações, acessam as dezenas de ciberjornais a cada momento. É preciso profissionais da informação que possam configurar melhor aquilo que se quer saber, aquelas informações que interessam às pessoas. E mais ainda, quantas vezes o leitor, receptor ficou satisfeito, em termos de informação, com um comentário de um jornalista especializado em economia ou política?

Com a infinidade de informações que circulam no mundo na era da internet é fundamental o trabalho de um profissional que possa auxiliar, facilitar, administrar as informações que as pessoas necessitam diariamente. E somente um jornalista qualificado num curso universitário de jornalismo tem habilidade para realizar esse trabalho.

(*) Gerson Martins é jornalista, pesquisador do Mestrado em Comunicação da UFMS - www.gersonmartins.jor.br

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O estudo é benéfico para a formação do jornalista, porém, sem o habito da leitura (de tudo), conhecimento do passado e tinta nas veias, o mesmo será medíocre e jamais será um formador de idéias. O falecimento recente de Nelson Trad nos trouxe a lembrança do excelente jornalista que era (sem formatura especifica), assim com Joaquim Leite Neto, pai do telejornalismo de MS/MT, Pierre Adri e demais.
 
Antonio Francischini em 19/12/2011 12:02:57
Mais do que defender o diploma, é preciso entender que os 'sem diploma' que militam há décadas no jornalismo não podem ser desrespeitados no seu trabalho. Falam da obrigatoridade do diploma, mas ignoram este importante detalhe nas discussões. Não fazem justiça aos que estão tocando o barco com competência e responsabilidade . Só defender o diploma soa como lobby pró universidades privadas.
 
Paulo Rocaro em 19/12/2011 04:55:17
Sempre que alguma 'autoridade' se refere à obrigatoriedade do diploma, deixa escapar o respeito aos profissionais que não o possuem, mas têm feito muito mais pelo jornalismo e pela sociedade, com muito mais dedicação, profissionalismo e ética que alguns 'formados', que sequer conseguem produzir um texto. E quando o produz, 'assassina' o português, como se nunca tivesse passado por uma faculdade.
 
Paulo Rocaro em 19/12/2011 04:47:10
Então, diploma sim. É fundamental.
Mas ainda mais fundamental que a diplomação deveria ser o amor pela leitura e escrita, junto da compreensão do papel social dessa profissão.
Não sou jornalista, mas tenho formação em uma das habilitações da comunicação social. E poucas pessoas entendem o que significa atuar nessa área. INFELIZMENTE.
 
Madalena Sortioli em 19/12/2011 03:09:51
Profissionais que ostentam diplomas junto da incapacidade de construir um texto envolvente, estruturado e de realizar a sua função básica que é a transmissão da notícia, a informação e a função de formação de ideias. Pessoas diplomadas que muitas das vezes não conseguem ter, ao menos, amor pela literatura e desconhecem o hábito e necessidade de ler, não por obrigação, mas por paixão.
 
Madalena Sortioli em 19/12/2011 03:07:14
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