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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

21/10/2013 09:15

Luiz Gushiken, mártir do ódio elitista

Por Semy Alves Ferraz (*)

Por certo uma das maiores, senão a maior vítima literal do ódio de classes das elites medievais, alimentado e disseminado por meio de uma cobertura furibunda e histérica da mídia conservadora, foi o ex-deputado Luiz Gushiken, paradigma do novo sindicalismo brasileiro e um dos pilares do Partido dos Trabalhadores.

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Gushiken faleceu há um mês, depois de resistir corajosamente a um câncer tão virulento quanto a peçonha dos porta-vozes de aluguel das castas oligárquicas que teimam em ver o Brasil como extensão de seu patrimônio mal havido, e o bravo povo brasileiro como seus vassalos, destituídos de inteligência, vontade própria e de direitos.

A maledicência dos penas de aluguel – inconformados com sua competência singular, cordialidade proletária e impassibilidade nipônica – o condenou à pena capital por execração moral sem direito a defesa e sem ter havido sequer qualquer acusação formal contra ele, fosse no exercício de cargos públicos ou de sua estoica e reservadíssima vida privada.

Além de sindicalista e parlamentar ético, Gushiken foi membro da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, coordenador da lendária campanha presidencial de Lula em 1989 e, depois da eleição do Presidente Lula, seu ministro de Comunicação Social entre 2003 e 2007, quando pediu para ser exonerado por estar no alvo do tiroteio orquestrado pelos inimigos sob o pretexto de elucidar as teias do emaranhado batizado de “mensalão”.

Filho de emigrantes da ilha de Okynawa, uma das regiões mais pobres do Japão, Gushiken concluiu seus estudos na Fundação Getúlio Vargas com a dignidade dos pais feirantes vendedores de pastéis, e por isso dava muito valor ao trabalho e à probidade na gestão pública.

Essa, aliás, deva ter sido a principal razão da ira das famílias proprietárias das grandes empresas jornalísticas brasileiras, que, no início do governo do Presidente Lula, o tiveram como interlocutor, acabando com a farra até então reinante da malversação dos recursos públicos destinados para a publicidade.

Ao instituir a negociação coletiva para a celebração de contratos de publicidade, Gushiken extinguiu privilégios reinantes do tempo da ditadura, um verdadeiro monopólio das verbas de publicidade que alimentava as benesses de algumas famílias pretensamente donas de feudos na comunicação brasileira.

Na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, ao lado do então deputado Lula, Gushiken deu provas cabais de seu tirocínio nas articulações parlamentares e sobretudo de sua lealdade classista, tendo sido responsável por inúmeras vitória consignadas na Constituição Federal de 1988. Embora agisse com desenvoltura diante dos holofotes, preferia atuar com singular maestria nas costuras políticas, até para não tirar o brilho das estrelas maiores do Partido dos Trabalhadores.

Sem correr o risco de cometer qualquer injustiça com outros baluartes da esquerda brasileira, Gushiken, se não tivesse optado pelo ostracismo por não prejudicar a reeleição do Presidente Lula durante a virulenta campanha difamatória perpetrada contra ele em 2007, teria sido um potencial candidato presidencial em futuros embates eleitorais. Capacidade, experiência e desenvoltura para tanto ele possuía, tanto que generosamente colaborara em todas as campanhas presidenciais do Partido.

Com a prematura saída de cena de Luiz Gushiken, perde não só a esquerda, mas a nação brasileira um grande brasileiro, um grande cidadão, que generosamente deu o de melhor de si para o resgate da dignidade do povo brasileiro.

Sua incansável dedicação, sua sábia conduta e seu generoso intuir farão falta na longa construção da sociedade fraterna pela qual lutou tanto, e cujo digno legado tem atestado, a despeito de tanta execração pública por aqueles que desconhecem a real dimensão da palavra ética. Quantos Gushiken serão necessários para saciar a sanha das elites peçonhentas que saquearam e insistem em saquear o povo brasileiro em pleno século XXI?

(*) Semy Ferraz é engenheiro civil e secretário de Infraestrutura, Transporte e Habitação de Campo Grande.

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Parabéns, Semy!
Quem, de fato, lê sabe que Gushiken foi vitimado pelo que fez de bom.
A propósito do tom peçonhento das mensagens que recebeu, isso é compreensível: é a ressaca dos que agora têm que se explicar pelos desmandos feitos em Mato Grosso do Sul e Campo Grande.
Imagine quando chegar ao estado o livro que desvenda apenas a ponta do iceberg das maracutaias da corja que tomou de assalto o comando do estado...
Boa sorte, e avante na luta!
Schabib
 
Schabib Hany em 23/10/2013 09:49:26
Pelo teor dos comentários.................. perdeu uma GRANDE oportunidade de ficar calado, hein Semy?
 
Ricardo Piazza em 21/10/2013 18:56:08
Acho que ninguém tem mais saco, paciência ou tolerância com essa lenga-lenga PTralha.
Sinto pela família. Mas esse discurso não dá. Não passa, ninguém mais engole.
 
Mirian Costa em 21/10/2013 11:25:36
Ah!!!!!! Para meu.
Chega da megalomaníaca mania PeTrista de se auto-enaltecerem.
Como Ser Humano, imagino a dor da família e só.
Como protagonista de um partido que ainda tem a coragem de negar a institucionalização das maracutaias do mensalão e o uso podre da compra da vontade popular através dos seus vales-dependências, é uma história de dar medo.
 
Ricardo Piazza em 21/10/2013 11:00:38
De qual elite essa pessoa que devia estar trabalhando está falando? Ser elite não é ser rico. Ser elite é ser educado, honesto, estudioso. E para isso não depende apenas de dinheiro, mas de caráter.
Ser de elite não é conspirar contra uma nação inteira, como por exemplo, fingir golpes para dar unidades da Petrobras para bandidos estrangeiros para evitar a auditoria do TCU sobre os repassasses a comunistas da América Latina. Será melhor o senhor antes falar sobre a manipulação do seu amigo Luís Inácio para pôr na PC-SP a comadre para abafar as investigações do caso Celso Daniel.
 
Cristiano Arruda em 21/10/2013 10:20:56
A mesma lenga-lenga de sempre: "Aszelites". O PT até hoje não percebeu que é a elite política deste país há dez anos, desde o primeiro mandato do Lula. Esse nhém-nhém-nhém do Sr. Semy Ferraz é o mesmo que os petistas usam para se defender de acusações como, por exemplo, o Mensalão que fustigou este país com tanta roubalheira e que, como se vê, não deu e não vai dar em nada. Que o diga o Zé Dirceu, líder da quadrilha, hoje livre, leve e solto.
 
Paula Saldanha em 21/10/2013 10:19:46
SEMY, MUITO DIFÍCIL DE ACEITAR TUDO QUE FOI ESCRITO POR VC. TODAS AS VEZES QUE FALA QUE FOI APOIADO PELO LULA JÁ DESVALORIZA SEUS COMENTÁRIOS. ACREDITO QUE GUSHIKEN PODE TER SIDO UM GRANDE COMPANHEIRO NESTE GOVERNO VERGONHOSO DO LULA. MAS QUE HOJE SE TORNOU UM SANTO? LONGE DISSO. SOU UM ELEITOR COM HISTÓRICO DEMOCRÁTICO, NÃO ACEITANDO RADICALMENTE O COMUNISMO E ESSE SOCIALISMO DISFARÇADO DO PT. DEUS É PAI, E QUE ESTE PAÍS DEVERÁ VOLTAR A NORMALIDADE NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES, SAINDO DESSA FALSA IDEOLOGIA BOLIVARIANA, QUE NÃO TEM NADA A VER COM NOSSO PASSADO. RESPEITO VC. COMO POLITICO, POIS SEI QUE É BEM INTENCIONADO E ESTÁ DO LADO ERRADO DA MINHA IDEOLOGIA. SUCESSO SEMPRE.
 
walfrido de moraes ribeiro sobrinho em 21/10/2013 10:15:59
Quem faz parte da classe elitista? Se nao for o governo e seus nomeados, eu nao sei de mais nada...
 
Athaide Romero em 21/10/2013 10:07:23
Um martir que morreu milionário. Como se explica isso Sr. Semy Ferraz?? De origem simples e sindicalista, apesar de uma mente acima do normal, não conseguiu se livrar da corrupção institucionalizada pelo PT.
 
Nelson Silva em 21/10/2013 10:03:01
O homem era quase um 'santo'. Vou mandar uma cartinha para o Papa escrevendo os "milagres" desse santo homem. Milagres do tipo: não comparecer na homologação coletiva da CF. Constituição que o partido dele se opôs ferozmente.
Outro milagre é criar uma "mídia conservadora" no Brasil só para atacar os "progressistas". Como se ser "conservador" fosse xingamento, ou coisa do tipo.
Agora um milagre que não aconteceu foi os peixes graúdos do PT escaparem da acusação de mensaleiros. O mensalão existiu. Isso é apenas matéria de fato.
Abraços
 
Fred Lopes em 21/10/2013 09:59:57
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