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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

20/02/2016 08:49

Mimito, o eterno prefeito de Bonito

Por Bosco Martins (*)

Para quem não o conheceu, seu nome era Naudemir Xavier, bonitense da gema. Mimito foi vereador (1977/1982), vice-prefeito (1983/1988) e prefeito (1989/1992). Ele nos deixou no último dia 16 por problemas renais aos 72. Entristeceu Bonito de fato, pois mais que um administrador público, Mimito, como era carinhosamente chamado por todos, continua sendo o primeiro e único filho de Bonito eleito pelos seus próprios conterrâneos.

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Mimito sempre foi um sujeito do bem. Politico à moda antiga, quando o ideal era comum e se sobrepunha a todos os interesses e objetivos pessoais. Tanto que, ao contrário do que se vê hoje, em que a política acaba sendo o trampolim para o sucesso pessoal, Naudemir, um homem simples, empobreceu na vida pública. Dedicou-se a ela e na liturgia da retidão despojou-se até de bens pessoais.

Não sei dizer como surgiu o apelido, mas Naudemir Xavier sempre foi chamado de Mimito. O sentido literal é diverso e como a maioria das expressões da nossa língua, é de origem grega: gesto ou expressão carinhosa com que se trata outra pessoa. É sinônimo de meiguice, delicadeza, cordialidade ou um presente inesperado.

Mimito, curiosamente, também é considerado como uma espécie de sufixo de Bonito e numa rápida reflexão sobre o passado desse homem público que nunca foi “político profissional”, percebe-se que na acepção da palavra o apelido do ex-prefeito se encaixa no sinônimo delicadeza. Em outras palavras, educação, carinho com o próximo. No dicionário se desfilam outros significados igualmente coerentes com essa figura extraordinária que administrou Bonito e ganhou respeito e admiração de sua gente.

Em se tratando de política tradicional, pode-se dizer que Mimito era um peixe fora d´água, mas mergulhou profundamente para levar a cabo sua gestão de feição doméstico-popular.

A trajetória de Mimito está umbilicalmente ligada à história da cidade. Recorde-se que em todos os feriados santos era “sagrada” a presença dele, especialmente nas comemorações ao padroeiro, São Pedro Apóstolo.

Na mais tradicional festa religiosa dos bonitenses, lá estava Mimito, montado em seu cavalo, acompanhado sempre pelos filhos e netos. O fiel e lendário devoto liderava as dezenas de cavaleiros e amazonas e fazia questão de empunhar os estandartes. Jamais faltava aos bailes do “Caarapé”. Sem ele, a festa de mais de meio século perderá um pouco de sua animação.

Mimito foi me apresentado pelo ex-prefeito Geraldo Marques. Trocamos boas e longas prosas sobre a cidade e os amigos. Figura especialíssima, homem de bom astral, de fácil sorriso. Ele era, sobretudo, muito cordial e não se importava com o grau de importância no escalão de autoridades.

Lembro-me de duas passagens, uma delas tensa, mas que permitiu amadurecer a amizade entre nós. Nos idos de 2007, na campanha de reeleição do ex-prefeito Geraldo Marques, eu acabara de ganhar disputa partidária interna para ser candidato a vice. Na ocasião, Geraldo disse: Boscão, você é o meu vice, mais gostaria de te apresentar o Mimito. Se você e o partido concordarem, gostaria de ampliar nossa coligação e trazer ele para ser vice. Você topa, prezado? Mimito acabou compondo a chapa e fizemos uma campanha dura. Na nova estratégia de palanque era eu quem fazia as críticas mais ácidas.

Outro episódio com ele. A campanha pegava fogo e já quase ao final fiz duras críticas a um grupo que supostamente havia desviado recursos públicos. Eis que Mimito me liga, pedindo pra ir à casa dele tratar assunto urgente.

Fui acompanhado da minha esposa dona Márcia. Reparei que tinha lideranças dos dois lados. Um advogado da coligação adversária abriu a palavra pedindo uma trégua nas minhas críticas, pois a campanha já estava por finalizar e não havia razão para tripudiar. Mimito me convenceu aceitar a trégua.

Da convivência com Mimito só extraí boas lembranças. Ele deixa um legado. O legado da franqueza, honestidade, simplicidade e respeito ao semelhante. Com a saudade, somamos essas boas lembranças, fazendo do exemplo de Naudemir a diretriz da nossa conduta nesse mundo em que a política agrega sinônimos tão ruins.

(*) Bosco Martins é jornalista e cidadão Bonitense

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