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Campo Grande, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

14/04/2011 14:36

Mudanças no Código Florestal atingem toda a sociedade

Por João Pedro Stedile (*)

No ano passado, a bancada ruralista – que é o que tem de mais atrasado, fisiológico e oportunista no Congresso Nacional – encontrou um pseudocomunista para representá-los, e articularam mudanças no Código Florestal.

O projeto, conhecido como projeto Aldo Rebelo, foi aprovado na comissão de agricultura e meio ambiente, por quatro votos de diferença. Ou seja, sem nenhuma representatividade real. E agora, por acordos partidários, o projeto deve ir a votação no plenário da Câmara.

Depois terá que ir ao Senado, se modificado voltará à Câmara, e até finalmente ir à Presidência da República, para aprovação ou sanções. Na essência, o projeto do nobre parlamentar, o “ambientalista de ouro” como é chamado por seus apoiadores fazendeiros, tem dois claros objetivos:

A) Anular as multas aplicadas pelo Ibama aos fazendeiros por crimes ambientais, que atinge hoje ao redor de 8 bilhões de reais, e que pela constituição violam a função social da propriedade e, portanto, poderiam até ser desapropriadas para fins de Reforma Agrária (embora até hoje o Incra só teve coragem de aplicar em uma única fazenda, em Minas Gerais, aonde o fazendeiro, além de desmatar, cometeu pessoalmente o massacre de cinco trabalhadores rurais do MST).

B) Criar condições para reduzir a área de reserva legal na Amazônia legal e no cerrado, e, assim, o capital poderia incorporar na produção e se apropriar da natureza de milhões de hectares, hoje preservados.

Para esconder seus verdadeiros objetivos, alegam que milhares de camponeses estão inadimplentes com a lei, pois desmataram a Reserva Legal e não respeitaram córregos e topos de montanha. O que é verdade.

Mas a solução não é pegar carona na falta de consciência social camponesa para liberar os fazendeiros de seus crimes. E sim, criar mecanismos de ajuda aos camponeses para que eles recomponham a cobertura vegetal necessária para o equilíbrio do meio ambiente.

A favor do projeto Aldo Rabelo está a bancada ruralista e o que tem de mais atrasado no Congresso. Estão as empresas transnacionais que querem se apropriar das riquezas naturais na Amazônia e no cerrado. E a imprensa burguesa, comprometida com o agronegócio.

Contra o projeto estão os deputados progressistas, presentes em todas as bancadas. Estão todos os movimentos sociais do campo, inclusive a Contag.

Estão todos os movimentos ambientalistas e igrejas, preocupados com o futuro de nosso território e planeta. E estão os setores da imprensa preocupados com as consequências das agressões, para toda sociedade, como assistimos todos os anos, suas manifestações, em diversos estados brasileiros como recentemente na serra fluminense.

Os movimentos sociais da Via Campesina Brasil têm sido contundentes em denunciar o projeto, e pedir a todos os parlamentares para que o vetem.

Defendem que devemos manter o atual código florestal, os percentuais de Reserva Legal, e corrigir os problemas na agricultura familiar, com portarias, com recursos econômicos de apoio, que levem os camponeses a replantarem nas margens dos rios, córregos e topos de montanhas e morros.

Esperamos que a sociedade brasileira não permaneça calada, que se manifeste.

Afinal, as agressões ao meio ambiente perpetuadas pelos fazendeiros na Amazônia, cerrado, mata atlântica e em qualquer lugar de nosso território, tem conseqüências diretas, não só no bioma atingido, mas também nas cidades, cobrando caro de toda sociedade.

A sociedade brasileira precisa decidir se as riquezas naturais seguirão sendo apenas objeto de lucro fácil de meia dúzia de fazendeiros mancomunados com empresas transnacionais exportadoras de matérias-primas (agrícolas e minerais) ou vamos garantir que esses recursos tenham exploração equilibrada e em favor de toda população e das gerações futuras?

A votação desse projeto na Câmara, a partir de meados de março demonstrará, também, se o Congresso está se democratizando ou se segue refém dos interesses das empresas que financiaram suas campanhas?

Será um teste para as necessárias reformas políticas que estamos precisando. Acompanhem. Reajam, escrevam aos parlamentares em que vocês votaram. Antes que seja tarde.

(*) João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST.

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Nossa Eduardo... parabéns pelas palavras sem pensar...

Sou acadêmico do 5º ano de engenharia ambiental e sei como o novo código florestal trará mudanças negativas ao nosso meio ambiente.

Não sou contra fazendeiro. Por traz do meu café da manhã de hoje, provavelmente tinha o trabalho de muitos fazendeiros, usineiros, donos de fábricas e peões...

Hoje, se planta com as mesmas técnicas que meu avô usaria. Sem o uso das práticas conservacionistas adequadas, morro abaixo, sem terraceamento. Tudo isso acarreta perdas de fertilidade, de sementes e de solo. O que encarece a produção e invalida o solo. Por esse motivo, há demanda por mais terras agricultáveis, causando o desmatamento de margens de corpos hídricos e de reservas legais (esta, diga-se de passagem que é considerada bobeira por muita gente).

Com toda essa sua evolução da técnologia, com implementos modernos, tratores novos, arreio de primeira, caminhonete, etc.... a rentabilidade da produção de vocês deveria ser maior, a produção deveria ser bem mais "gorda" do que a obtida por agricultores de 20 anos atrás. Por que não é?! Pode sim, ser reflexo de eventuais imprevisibilidades climáticas como estiagens prolongadas, que pode ser remediada por uma irrigação bem dimensionada por um agrônomo... mas, principalmente pelos motivos de degradação que descrevi acima.

Espero que os leitores entendam o que disse.
"Nada é mais difícil e cansativo do que tentar demonstrar o óbvio." - Nelson Rodrigues

Abraço aos leitores e à redação Campo Grande News...
 
Adriano Ferraro em 15/04/2011 07:54:10
Não gosto do Stedile, mas devo reconhecer que seu texto contem grandes verdades. Aqui neste estado tem-se o costume de endeusar fazendeiros, como se eles fizessem muito bem ao nosso povo. É justamente o contrário. É só analisar os estados mais ricos da nação e percebemos que não são fazendas que produzem riquezas, mas sim indústrias, comércio... Fazendas produzem riquezas apenas para seus donos. Quantos funcionários um pecuarista emprega? Na agricultura a situação ainda é um pouco melhor, mas as máquinas tambem tomam cada vez mais o lugar dos trabalhadores.
É bom lembrar também que os juros cobrados dos ruralistas são menos de um terço daqueles cobrados dos demais mortais. Quando o empreendimento dá lucro, é um festival de novas caminhonetes, motos e até aviões. Quando o tempo ou a economia não ajuda, o banco do brasil vira inimigo e exigem, em passeatas, o perdão das dívidas.
Oras, me poupem dessa hipocrisia.
 
ricardo griao em 14/04/2011 10:18:26
Eduardo ,é incrível como uma pessoa que possui diploma universitário possa dizer tantas bobagens. No tempo do seu avô,pai,assim como agora temos exceções , tivemos e temos pessoas que merecem nosso respeito,mas também tinham aqueles que usavam financiamento do governo federal para plantarem 3000 h e não plantavam 300,tinham incentivos e se aproveitavam da situação,alguns até hoje devem e não pagam.E de mais à mais o alimento que vocês produzem não nos é dado ,é comprado,e pagamos caro até demais. Quanto ao novo código florestal é coisa de bandido,pois nem o atual é cumprido,é só sair na área rural próxima de campo grande e você verá margens de córregos totalmente desmatadas assoreando os córregos e rios de nosso estado e do brasil.Esse novo código é coisa de comunista mesmo.
 
nilson franco de oliveira em 14/04/2011 04:31:00
Atrasado é o discurso do sr Stedile. Ele, como muitos ligados ao MST, estão mais preocupados em rotular todos os produtores rurais (que produzem alimentos, empregos e pagam impostos) em criminosos. Ninguém aguenta mais essa conversa.
 
Rejane Maria em 14/04/2011 03:33:55
Boa Tarde.
Sou frequentador assiduo do site campograndenews. Sou Sul Matogrossense.Sou Veterinario.Sou pai.Sou Produtor Rural. e Sou tb hoje um fora da lei.

O meu trabalho faz chegar ate a sua mesao alimento de todo dia, todos os dias. Nao conheço o autor do texto, so de ouvir falar.,mas fico pensando como a nação brasileira perdeu totalmente o interesse no que vem do campo, perdeu-se a sensibilidade com a agricultura e a pecuária totalmente. Só de ouvir falar....

O Brasil se tornou gde produtor de alimentos do Mundo porque a geração de meus pais fincou a mão na lama e trabalhou, muito, mas muito mesmo.

A minha geração tocou o barco mas já tem a disposição trator, camionete, arreio de primeira, gps , etc.

E a geração futura vai pro campo enfrentar Ibama, policia ambiental, fiscais, etc., vai não.
E sabe o que vai acontecer, caro autor e tb site campograndenews, vai faltar alimento no Brasil.

 
Eduardo Souza em 14/04/2011 03:21:53
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