A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

30/10/2012 16:23

Não precisamos derrubar nem um pé de árvore mais

Por Laerte Tetila (*)

Aquela ideia de que devemos derrubar as nossas florestas porque os países do primeitro mundo assim o fizeram, ou que é preciso desmatar para desenvolver, necessita de urgentes reparos. Erros do passado não justificam erros do presente.

Aqueles países, de fato, cometeram muitos erros, mas  tiveram que aprender com eles. Tanto é  que "a área florestal está crescendo desde o século XIX na Escócia, Dinamarca, França, Suíça, Alemanha, Coréia do Sul, Inglaterra e nos Estados Unidos, países que adotaram mecanismos indutores de reflorestamento e regeneração de matas nativas" (Revista Planeta, outubro de 2012).

Reconhecendo o imenso valor das florestas, esses países  adotaram o chamado manejo florestal de baixo impacto (sustentável), que faz das florestas uma  preciosa fonte de emprego e renda, sem destruí-las,  ainda mais sabendo de sua importância na proteção do clima, das bacias hidrográficas, da biodiversidade e da própria vida humana. No Japão, por exemplo, apesar da elevada densidade demográfica, o aumento da cobertura florestal tem sido impressionante.

Conforme Morelho (2012), " 69% do território japonês já se encontra reflorestado, graças ao estabelecimento de plantações florestais com biodiversidade."  Também na França,  segue Morelho, "desde a metade do século XIX a área florestal não sofreu reduções; ao contrário, pois aumentou, e a França é, hoje, auto suficiente  em madeira". Na contramão da história, nos  países emergentes,  principalmente  nos tropicais, as florestas continuam encolhendo, figurando o Brasil entre os que mais desmatam.

Para  dizer o mínimo,  600 mil hectares  vieram abaixo, em 2011, só no arco do desmatamento amazônico e no Pantanal, e, conforme notícia recente da Folha de S. Paulo, "nos últimos três anos, cerca de 27O mil hectares de matas nativas foram desmatadas, cujo índice de desmatamento foi, proporcionalmente, maior que o da Amazônia".

Mas, apesar da perda da biodiversidade e do tremendo passivo ambiental que se vai acumulando em nosso  estado e em nosso  país, parece-nos  que o conceito de desenvolviemento sustentável já começa a dar frutos. Vejamos: para Eduardo Riedel, presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), "quem desmata não é representado por nós, e tem que ser punido”.

Continua Riedel: "Há espaços para  o crescimento da produção sem riscos de degradação do meio ambiente, e, estima-se, que, no Mato Grosso do Sul, tem uma  área de 9 milhões de hectares degradados, e é com o uso dessas áreas que deve ocorrer a expansão da produção”. (Correio do Estado, 10.10.12). O Brasil já contabiliza 200 milhões de pastagens degradadas. Para Roberto Barreto, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), "é possivel dobrar ou triplicar a produção agropecuária brasileira sem derrubar árvores. Para isso, segundo a Embrapa, seria necessário aumentar a produtividade de áreas já desmatadas". 

E, para Dirceu Bloch, da Fundação MS, "somente com a integração lavoura-pecuária ter-se-ia a produção de grãos e de carne desejada, sem derrubar uma árvore”. A aplicação de tecnologias, para a  recuperação de áreas degradadas, inclusive com linha de crédito subsidiado, já se acham disponíveis, com boas possibilidades de se aumentar a produção sem que sejam necessários  novos desmatamentos. Pensando bem,  em terras sul-mato-grossenses, os 9 milhões de hectares degradados, subutilizados, e, inclusive,  próximos  à malha asfáltica,  sinalizam o tamanho da contradição que seria  a abertura de novas frentes  de desmatamento.

(*) Laerte Tetila é mestre em geografia física pela USP e deputado estadual (PT/MS).

Sobre o mercado e o governo
O homem primitivo acordava de manhã, saía para coletar frutas, abater animais e pescar peixes, e assim ele se alimentava. Ao fim do dia, cobria-se co...
Logística reversa: pensamento sustentável pelas gerações futuras
Incertezas são o que mais temos, porém ideias norteadoras e essenciais para a construção de um futuro mais sustentável já existem. Não podemos ignora...
Quando, também na escola, se dialoga sobre as religiões
Temos percebido uma crescente preocupação acerca do papel social da escola e da educação que acontece neste espaçotempo. Numa perspectiva de sociedad...
19 anos de Código de Trânsito Brasileiro
No dia 22/01/17, o atual Código de Trânsito Brasileiro completa 19 anos de vigência. Após 31 Leis que o alteraram, com o complemento de 655 Resoluçõe...



é uma pena destruir as matas, derrubar àrvore, matar as espécies q. nela há...
é uma pena !!!
 
paulo rosa em 24/03/2013 20:30:21
Deputado...falar em "cobertura florestal impressionante no Japão",é piada...se somar o que tem de cobertura vegetal na serra da bodoquena,tem mais que o pequenino território japonês...todos que citam comparações do nosso território com outros países -e muito
ecochato o faz - gostaria de saber se eles já conviveram com os ribeirinhos do pantanal,onde
a fome chama pouco à atenção. Mas,a vida de quem está na amazônia,é triste...nem Globo Reporter,expõe a realidade,não resolve ir lá conhecer numa temporada,tem que viver a realidade.Se as autoridades tivessem um diagnóstico e sofressem na pele,haveria uma politica séria para os ribeirinhos sofridos e o Brasil era exemplo de conservação da natureza.
Chico Mendes teve que ser radical,para impor as necessidades de seus conterrâneos.Gumercindo ,sab
 
divaldo araujo em 30/10/2012 23:06:40
Pois eh, mas aqui no MS continuamos a derrubar Cerrado para fazer carvão para os fornos de siderurgia...com licenciamento do IMASUL diga-se de passagem. A legislação é fraca e desde que o proprietário deixe sua reserva legal ainda é permitido que o resto seja derrubado e queimado...mesmo com muita área disponível para pastagem... Até quando? Comeremos dinheiro?
 
Cintia Possas em 30/10/2012 18:55:25
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions