A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

30/10/2012 16:23

Não precisamos derrubar nem um pé de árvore mais

Por Laerte Tetila (*)

Aquela ideia de que devemos derrubar as nossas florestas porque os países do primeitro mundo assim o fizeram, ou que é preciso desmatar para desenvolver, necessita de urgentes reparos. Erros do passado não justificam erros do presente.

Veja Mais
Marcas lutam diariamente para impactar as pessoas
A modernização das leis do trabalho: oportunidade, não oportunismo

Aqueles países, de fato, cometeram muitos erros, mas  tiveram que aprender com eles. Tanto é  que "a área florestal está crescendo desde o século XIX na Escócia, Dinamarca, França, Suíça, Alemanha, Coréia do Sul, Inglaterra e nos Estados Unidos, países que adotaram mecanismos indutores de reflorestamento e regeneração de matas nativas" (Revista Planeta, outubro de 2012).

Reconhecendo o imenso valor das florestas, esses países  adotaram o chamado manejo florestal de baixo impacto (sustentável), que faz das florestas uma  preciosa fonte de emprego e renda, sem destruí-las,  ainda mais sabendo de sua importância na proteção do clima, das bacias hidrográficas, da biodiversidade e da própria vida humana. No Japão, por exemplo, apesar da elevada densidade demográfica, o aumento da cobertura florestal tem sido impressionante.

Conforme Morelho (2012), " 69% do território japonês já se encontra reflorestado, graças ao estabelecimento de plantações florestais com biodiversidade."  Também na França,  segue Morelho, "desde a metade do século XIX a área florestal não sofreu reduções; ao contrário, pois aumentou, e a França é, hoje, auto suficiente  em madeira". Na contramão da história, nos  países emergentes,  principalmente  nos tropicais, as florestas continuam encolhendo, figurando o Brasil entre os que mais desmatam.

Para  dizer o mínimo,  600 mil hectares  vieram abaixo, em 2011, só no arco do desmatamento amazônico e no Pantanal, e, conforme notícia recente da Folha de S. Paulo, "nos últimos três anos, cerca de 27O mil hectares de matas nativas foram desmatadas, cujo índice de desmatamento foi, proporcionalmente, maior que o da Amazônia".

Mas, apesar da perda da biodiversidade e do tremendo passivo ambiental que se vai acumulando em nosso  estado e em nosso  país, parece-nos  que o conceito de desenvolviemento sustentável já começa a dar frutos. Vejamos: para Eduardo Riedel, presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), "quem desmata não é representado por nós, e tem que ser punido”.

Continua Riedel: "Há espaços para  o crescimento da produção sem riscos de degradação do meio ambiente, e, estima-se, que, no Mato Grosso do Sul, tem uma  área de 9 milhões de hectares degradados, e é com o uso dessas áreas que deve ocorrer a expansão da produção”. (Correio do Estado, 10.10.12). O Brasil já contabiliza 200 milhões de pastagens degradadas. Para Roberto Barreto, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), "é possivel dobrar ou triplicar a produção agropecuária brasileira sem derrubar árvores. Para isso, segundo a Embrapa, seria necessário aumentar a produtividade de áreas já desmatadas". 

E, para Dirceu Bloch, da Fundação MS, "somente com a integração lavoura-pecuária ter-se-ia a produção de grãos e de carne desejada, sem derrubar uma árvore”. A aplicação de tecnologias, para a  recuperação de áreas degradadas, inclusive com linha de crédito subsidiado, já se acham disponíveis, com boas possibilidades de se aumentar a produção sem que sejam necessários  novos desmatamentos. Pensando bem,  em terras sul-mato-grossenses, os 9 milhões de hectares degradados, subutilizados, e, inclusive,  próximos  à malha asfáltica,  sinalizam o tamanho da contradição que seria  a abertura de novas frentes  de desmatamento.

(*) Laerte Tetila é mestre em geografia física pela USP e deputado estadual (PT/MS).

Marcas lutam diariamente para impactar as pessoas
Segundo pesquisas, temos contato com aproximadamente 2.000 marcas em um dia “comum” e menos de 300 delas ficam em nossa memória. Por isso, essas marc...
A modernização das leis do trabalho: oportunidade, não oportunismo
Crises econômicas em qualquer país do mundo ensejam debates sobre reformas. São nos cenários de recessão prolongada que as nações se defrontam com se...
Educação e o futuro da alimentação
Educação deve colaborar na preparação de todos para o pleno exercício da cidadania e, especialmente, formar os jovens para uma vida profissional que ...
Convenções internacionais e competitividade
O Brasil precisa atuar com mais critério na hora de analisar e ratificar convenções multilaterais, especialmente as negociadas no âmbito de entidades...



é uma pena destruir as matas, derrubar àrvore, matar as espécies q. nela há...
é uma pena !!!
 
paulo rosa em 24/03/2013 20:30:21
Deputado...falar em "cobertura florestal impressionante no Japão",é piada...se somar o que tem de cobertura vegetal na serra da bodoquena,tem mais que o pequenino território japonês...todos que citam comparações do nosso território com outros países -e muito
ecochato o faz - gostaria de saber se eles já conviveram com os ribeirinhos do pantanal,onde
a fome chama pouco à atenção. Mas,a vida de quem está na amazônia,é triste...nem Globo Reporter,expõe a realidade,não resolve ir lá conhecer numa temporada,tem que viver a realidade.Se as autoridades tivessem um diagnóstico e sofressem na pele,haveria uma politica séria para os ribeirinhos sofridos e o Brasil era exemplo de conservação da natureza.
Chico Mendes teve que ser radical,para impor as necessidades de seus conterrâneos.Gumercindo ,sab
 
divaldo araujo em 30/10/2012 23:06:40
Pois eh, mas aqui no MS continuamos a derrubar Cerrado para fazer carvão para os fornos de siderurgia...com licenciamento do IMASUL diga-se de passagem. A legislação é fraca e desde que o proprietário deixe sua reserva legal ainda é permitido que o resto seja derrubado e queimado...mesmo com muita área disponível para pastagem... Até quando? Comeremos dinheiro?
 
Cintia Possas em 30/10/2012 18:55:25
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions