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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

03/11/2011 14:32

Nos tempos da Rua Dom Aquino II

Por Heitor Freire*

Campo Grande é uma terra maravilhosa e dadivosa para mim. Dos meus 71 anos, 57 foram vividos aqui. Considero um privilégio viver nesta terra.

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Na Rua D. Aquino, um pouco para baixo, mais perto da Avenida Calógeras, existia antigamente o Inca Hotel, de propriedade da da. Elin, mãe do Jofre Leite Brun, meu irmão e amigo pessoal. Durante um período a Rosaria, minha mulher, que estudava no colégio das irmãs, ali se hospedava. No mesmo tempo também morava no hotel, o Darlan Leite Soares, sendo então um conhecido antigo da Rosaria.

Quando começamos a trabalhar juntos, eu e o Darlan, num dia qualquer ele se encontrou com a Rosaria, reatando assim uma antiga amizade. Isso acabou também consolidando o nosso relacionamento. Uma vez, num acerto de contas entre nós, tornei-me credor do Darlan, de uma certa importância. Sem documento, negócio entre amigos, sem juros (nunca cobrei juros de ninguém, graças a Deus, embora tenha muitas vezes pago juros extorsivos). Só que o tempo passava e nada de pagamento.

Nesse período o Darlan adquiriu um ponto na Avenida Mato Grosso, onde instalou um trailer, para vender cachorro quente e sanduíches, a que deu o nome de Urtigão. E me fez uma proposta: pagar o seu débito mediante o fornecimento de lanches para as minhas (inúmeras) filhas. Eu fiz as contas, daria um zilhão de sanduíches. Mas aceitei a proposta o que deixou as gurias muito contentes. Assim, umas duas vezes por semana, à noite, nós nos dirigíamos para a lanchonete do Darlan. Era uma festa. O Darlan permitia também que elas atendessem seus clientes, preparando os sanduíches, o que fazia com que se sentissem importantes. Até que uma noite, após as gurias comerem os seus lanches, ele chegou dizendo: “Heitor, essas meninas comem muito e o meu capital de giro está acabando. Assim, só desta vez, não daria para você pagar?”. Atendi o seu pedido. Só que a partir daí, a cada duas noites, uma eu pagava. Ou seja, o meu crédito foi para o espaço. Mas a amizade permaneceu incólume.

O Darlan era noivo da Lúcia, que tinha uma escola de datilografia, onde a minha filha Flávia aprendeu a “teclar”. Ela gostou tanto que se tornou jornalista, profissão que exerce com toda maestria. O Darlan ficou noivo da Lúcia por 25 anos. E não se casou com ela. E agora, após quase 30 anos, o Darlan me cai do céu resolvendo satisfatoriamente para mim, uma questão que se arrastava intrincada.

Outro fato interessante acontecia no edifício Arnaldo Serra, na rua Dom Aquino – em frente às Americanas, onde eu morava com a minha família na década de 70. O prédio não dispunha de área de lazer nem de garagem. Não havia espaço para as crianças do prédio brincarem: elas ficavam restritas aos apartamentos e aos corredores. E as minhas meninas sempre foram muito ativas. Logo inventaram de tocar a campainha dos apartamentos e corriam a se esconder para ver o que acontecia. Cada morador que atendia e não encontrava ninguém ia se queixar ao “seu” Maguetta, síndico do edifício.

Uma vez, a minha filha Andréa, tocou a campainha do apartamento do próprio “seu” Maguetta no momento em que ele se preparava para sair. Deu de cara com ela, que perdeu o rebolado, mas sendo muito esperta, logo disse que estava pedindo uma xícara de açúcar para sua mãe. O “seu” Maguetta olhou bem para ela, e perguntou: “ Cadê a xícara?”. Ela disse que iria buscar e sumiu no infinito. Foi um santo remédio, nunca mais fizeram isso. Andréa chegando em casa foi logo se justificando com a Rosaria que ficou morrendo de vergonha.

Como o nosso apartamento se localizava na área central da cidade, e também pelo carinho com que a Rosaria tratava nossos parentes que moravam no interior, estes eram nossos hóspedes com certa freqüência, quando vinham para tratar de assuntos comerciais ou de saúde.

Como é gostoso viver aqui e recordar estas coisas.

(*)Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado

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