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23/02/2015 08:22

O amanhã é agora!

Por Ricardo Ayache (*)

Temos visto no noticiário uma série de eventos climáticos e ambientais que nos leva a uma necessária reflexão acerca da degradação ambiental a que o planeta tem sido submetido, sobretudo após a Revolução Industrial no final do século XIX. A falta de água na região sudeste, a estiagem que dificulta a produção de alimentos em boa parte do mundo aumentando o problema da fome e a crise energética que nos ronda são bons exemplos desses eventos.

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Essa preocupação não é coisa recente, mas a evidência dosfenômenos climáticos e a influência deles em nossas vidas trazem a urgência de pensarmos em como enfrentar a situação. Já em 1972, a ONU realizou a Conferência de Estocolmo, na capital sueca. O evento foi o primeiro organizado para discutir especificamente o problema ambiental por parte dos governos dos países filiados à organização.

Já nesse momento foram levantados diversos problemas causados pela ação antrópica na natureza. O MassachussetsInstituteof Technology(MIT) publicou, também em 1972, o livro “Limites do Crescimento”, apontando a possibilidade de a ação do homem poder causar o esgotamento dos recursos naturais indispensáveis à vida.

Assistimos, mais de 40 anos depois, à realização dos mais sinistros prognósticos. Crise hídrica e energética, cataclismos ambientais, migrações em massaem diversas regiões do globo, causadas pelas mudanças climáticas, comprovam a necessidade de a humanidade enfrentar a questão ambiental. Os problemas ambientais trazem consigo perversas consequências sociais como o avanço da fome na África e Sudeste Asiático.

No Brasil, a escassez de água em São Paulo, a insuficiência hídrica nas usinas hidrelétricas para produção de energia, enchentes e as temperaturas cada vez mais altas em todo o país atestam a proximidade do problema. O que antes eram reflexões restritas a círculos intelectuais e de governo reverberam em toda a sociedade, que sente na carne os problemas advindos do processo de desmatamento desmedido, utilização irracional da água na produção agrícola e industrial e da transformação dos recursos naturais em dinheiro, apropriado por um pequeno grupo da sociedade como podemos constatar ao analisar a enorme desigualdade social no país.

Soluções inovadoras para produzir são mais que necessárias no momento. É hora de governos em todos os níveis, empresários, sociedade civil tratarem com seriedade e generosidade da questão. É necessário que sejam feitosinvestimentos em tecnologias sociais e nos arranjos produtivos solidários para geração de renda com sustentabilidade. O uso racional de água e energia por parte da população também são um passo importante na busca por sustentabilidade ambiental.

Em nosso estado, onde o agronegócio tem uma importância econômica gigantesca, essa discussão deve ser aprofundada, é necessário investimento em ciência e tecnologia para potencializar a produção sem causar ainda mais danos ao ambiente. É preocupante a questão daexploração desenfreada e da infiltração de agrotóxicos no Aquífero Guarani, a grande caixa d’água que garante a produção agrícola e o abastecimento de nossas cidades.

Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam a necessidade de regular a exploração e cuidar da qualidade da água desse imenso manancial, sob pena de em alguns anos não podermos mais utilizar sua água. Também temos que tratar de regenerar as áreas degradadas, aplicando a lei ambiental de manutenção de matas ciliares com espécies nativas e conservação das demais áreas de preservação permanente. A participação social na construção e acompanhamento de uma política ambiental que aponte para um futuro mais promissor é premissa fundamental em nosso estado.

Os problemas ambientais precisam urgentemente da atenção de todos. Não se trata mais de uma questão sobre futuras gerações, os impactos estão ai, visíveis a olho nu. Somente uma ampla mobilização social pode evitar que daqui a 40 anos ainda tenhamos que olhar pra trás e nos arrependermos de nada ter sido feito, pode ser tarde demais.

(*) Ricardo Ayache é médico cardiolopgista e presidente da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul).

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