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03/11/2014 13:09

O canto do Sabiá

Por Heitor Freire (*)

Em nossa cidade, na primavera, a estação do amor, todos os anos somos brindados com o mavioso canto do sabiá, que já nos desperta logo de madrugada, alegrando desde então o alvorecer do novo dia.

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O seu canto se ouve ao amanhecer e ao entardecer com o som de uma flauta. Com ele, demarca o seu território e serve também para atrair a fêmea. Ele canta com todo o seu corpo e com a sua alma. Quem já viu um sabiá cantar observa como ele tremula todo.

O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) é uma ave comum na América do Sul e o mais conhecido de todos os sabiás, identificado pela cor de ferrugem do ventre e por seu canto melodioso durante o período reprodutivo.

O nome sabiá deriva do tupi haabi'á que significa: “aquele que reza muito” em alusão à sua voz. Diz uma antiga lenda indígena que, durante as madrugadas, no início da primavera, quando uma criança ouve o canto do sabiá-laranjeira, ela é abençoada com amor, felicidade e paz.

Sua importância é tão grande que se juntou oficialmente aos quatro símbolos nacionais: a bandeira, o hino, o brasão de armas da República e o selo, passando a ter a mesma importância deles na representação do Brasil.

A data comemorativa do Dia da Ave foi instituída pelo Decreto nº 63.234, de 12 de setembro de 1968, assinado pelo Presidente Arthur da Costa e Silva que fixava o dia 15 de setembro para a sua comemoração. Depois esse decreto foi revogado pelo Decreto nº 9.675, de 3 de outubro de 2002, do presidente Fernando Henrique Cardoso que transferiu essa data para o dia 5 de outubro. 

Por esse mesmo decreto ficou definido o sabiá como símbolo dessa data, elevando-o a compor o quinto símbolo nacional, "representativo da fauna ornitológica brasileira e considerado popularmente como a Ave Nacional do Brasil".

Cada nação, entre seus símbolos nacionais têm também uma ave típica para representá-la. Uma espécie de ave, que pela beleza e pela característica da região, se entranha no espírito de sua gente. Assim, por exemplo, a andorinha é a ave nacional da Áustria, a cotovia que canta lindamente em pleno mergulho é a ave nacional da Dinamarca.

O Uruguai tem no federal sua ave nacional, pois é uma ave que tem a cabeça vermelha como um soldado em alerta na guarda de suas terras. A ave nacional da Argentina é o nosso João-de-barro, lá conhecido como hornero pois sabe se proteger do vento minuano e de inverno rigoroso construindo seu ninho de barro. A ave nacional da Alemanha é a cegonha. Assim, cada país tem, desde há muito, sua ave nacional, fato que o Brasil só conseguiu em outubro de 2002.

As comemorações do Dia da Ave devem se concentrar no sabiá-laranjeira, Também esteve presente no emblema oficial da Copa das Confederações de 2013, realizada no Brasil.

É uma ave territorial, mas relativamente tímida, e seu canto melodioso, aflautado e frequente logo denuncia sua presença, podendo ser ouvido a mais de 1 km de distância. Seu canto é longo, durando até dois minutos sem interrupção. É considerada a ave que melhor canta.

É uma das aves mais populares do Brasil, sendo uma presença comum em seu folclore e mesmo na cultura erudita.

Na literatura é frequentemente citado como o pássaro que canta o amor e a primavera, as origens, a terra natal, a infância, as coisas boas da vida, sendo imortalizado por Gonçalves Dias, na abertura de seu célebre poema: Canção do Exílio:
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

O sabiá foi imortalizado também por grandes compositores e músicos que o homenagearam como Marisa Monte, Tom Jobim e Chico Buarque. Roberta Miranda compôs “A majestade, o sabiá” que foi celebrizado na voz do inesquecível Jair Rodrigues.
Pela forte presença na literatura e no cancioneiro popular brasileiro, o sabiá é uma ave que está sempre na cabeça das pessoas de norte a sul do Brasil.
Canta, sabiá, canta!!!

(*) Heitor Freire é c

orretor de imóveis e advogado.

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