A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

03/11/2014 13:09

O canto do Sabiá

Por Heitor Freire (*)

Em nossa cidade, na primavera, a estação do amor, todos os anos somos brindados com o mavioso canto do sabiá, que já nos desperta logo de madrugada, alegrando desde então o alvorecer do novo dia.

Veja Mais
Em busca da competitividade sustentável para o agronegócio
Elementos da teoria da decisão

O seu canto se ouve ao amanhecer e ao entardecer com o som de uma flauta. Com ele, demarca o seu território e serve também para atrair a fêmea. Ele canta com todo o seu corpo e com a sua alma. Quem já viu um sabiá cantar observa como ele tremula todo.

O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) é uma ave comum na América do Sul e o mais conhecido de todos os sabiás, identificado pela cor de ferrugem do ventre e por seu canto melodioso durante o período reprodutivo.

O nome sabiá deriva do tupi haabi'á que significa: “aquele que reza muito” em alusão à sua voz. Diz uma antiga lenda indígena que, durante as madrugadas, no início da primavera, quando uma criança ouve o canto do sabiá-laranjeira, ela é abençoada com amor, felicidade e paz.

Sua importância é tão grande que se juntou oficialmente aos quatro símbolos nacionais: a bandeira, o hino, o brasão de armas da República e o selo, passando a ter a mesma importância deles na representação do Brasil.

A data comemorativa do Dia da Ave foi instituída pelo Decreto nº 63.234, de 12 de setembro de 1968, assinado pelo Presidente Arthur da Costa e Silva que fixava o dia 15 de setembro para a sua comemoração. Depois esse decreto foi revogado pelo Decreto nº 9.675, de 3 de outubro de 2002, do presidente Fernando Henrique Cardoso que transferiu essa data para o dia 5 de outubro. 

Por esse mesmo decreto ficou definido o sabiá como símbolo dessa data, elevando-o a compor o quinto símbolo nacional, "representativo da fauna ornitológica brasileira e considerado popularmente como a Ave Nacional do Brasil".

Cada nação, entre seus símbolos nacionais têm também uma ave típica para representá-la. Uma espécie de ave, que pela beleza e pela característica da região, se entranha no espírito de sua gente. Assim, por exemplo, a andorinha é a ave nacional da Áustria, a cotovia que canta lindamente em pleno mergulho é a ave nacional da Dinamarca.

O Uruguai tem no federal sua ave nacional, pois é uma ave que tem a cabeça vermelha como um soldado em alerta na guarda de suas terras. A ave nacional da Argentina é o nosso João-de-barro, lá conhecido como hornero pois sabe se proteger do vento minuano e de inverno rigoroso construindo seu ninho de barro. A ave nacional da Alemanha é a cegonha. Assim, cada país tem, desde há muito, sua ave nacional, fato que o Brasil só conseguiu em outubro de 2002.

As comemorações do Dia da Ave devem se concentrar no sabiá-laranjeira, Também esteve presente no emblema oficial da Copa das Confederações de 2013, realizada no Brasil.

É uma ave territorial, mas relativamente tímida, e seu canto melodioso, aflautado e frequente logo denuncia sua presença, podendo ser ouvido a mais de 1 km de distância. Seu canto é longo, durando até dois minutos sem interrupção. É considerada a ave que melhor canta.

É uma das aves mais populares do Brasil, sendo uma presença comum em seu folclore e mesmo na cultura erudita.

Na literatura é frequentemente citado como o pássaro que canta o amor e a primavera, as origens, a terra natal, a infância, as coisas boas da vida, sendo imortalizado por Gonçalves Dias, na abertura de seu célebre poema: Canção do Exílio:
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

O sabiá foi imortalizado também por grandes compositores e músicos que o homenagearam como Marisa Monte, Tom Jobim e Chico Buarque. Roberta Miranda compôs “A majestade, o sabiá” que foi celebrizado na voz do inesquecível Jair Rodrigues.
Pela forte presença na literatura e no cancioneiro popular brasileiro, o sabiá é uma ave que está sempre na cabeça das pessoas de norte a sul do Brasil.
Canta, sabiá, canta!!!

(*) Heitor Freire é c

orretor de imóveis e advogado.

Em busca da competitividade sustentável para o agronegócio
O papel da sanidade animal e vegetal Há décadas as questões sanitárias de plantas e animais integram a lista das preocupações do agronegócio brasilei...
Elementos da teoria da decisão
A propósito do fim do ano de 2016 (terrível na política e na economia) e com o ano de 2017 (com esperanças de que as coisas melhorem), participei de ...
O diálogo inter-religioso
Desde a declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II, a Igreja busca manter o diálogo inter-religioso. Aí surge a pergunta: Por que o diálogo co...
Embarque comprometido
O Brasil está entre os cinco melhores mercados de aviação doméstica, mas há quase dois anos vem perdendo demanda por conta do cenário econômico. Só e...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions