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15/09/2014 13:36

O ebola nas relações internacionais

Por Bruno Peron (*)

A mesma região ocidental da África onde se aprisionavam milhares de nativos para o tráfico intercontinental de escravos é o cenário atual da peleja sanitária contra uma ameaça biológica: o ebola. Ainda que sem pretensão de retomar neste texto o debate sobre se os vírus são uma forma de vida ou não, cientistas e profissionais de saúde concentram seus esforços no estudo e no tratamento da epidemia do ebola.

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Os três países mais vitimados por casos do ebola estão no oeste da África: Guiné, Serra Leoa e Libéria. No entanto, há temor de que o vírus do ebola se prolifere mundialmente devido ao tráfego internacional intenso de pessoas e ao tempo de incubação do vírus no corpo humano que se prolonga a 21 dias.

Para entender um pouco o ebola, ele é um vírus de origem desconhecida, mas que se hospeda em animais silvestres, por exemplo em morcegos. As pessoas infectadas têm taxa de mortalidade elevada (68%). Além disso, não há vacina contra o ebola e o tratamento depende da espera do ciclo completo do vírus (máximo de 21 dias) no corpo humano, que sofrerá de dores, diarreia, febre e sangramento nos olhos.

Laboratórios sinalizam favoravelmente ao desenvolvimento de uma vacina, principalmente em USA Fora-da-Lei e no Japão. Porém o oeste da África ainda lamenta o aumento de casos (quase 5 mil) e a falta de infraestrutura para atender os doentes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou em 12 de setembro de 2014 que mais de 2,4 mil pessoas haviam morrido por causa do ebola na África ocidental. A OMS alertou também sobre a necessidade de que centenas de profissionais orientem as populações dos países afetados e tratem os enfermos.

É com essa disposição que Cuba enviará uma missão sanitária com 165 profissionais de saúde a Serra Leoa em outubro de 2014. Médicos, enfermeiros e agentes cubanos atuarão durante seis meses em Serra Leoa para evitar um mal maior de dispersão da doença. Embora questões políticas e diplomáticas estejam implícitas nessa prática de assistência internacional, o empenho de Cuba em saúde pública é reconhecido mundialmente. Esse tipo de missão sanitária não é novidade, já que o governo cubano firmou um acordo com o Brasil para o envio de médicos aos confins brasileiros que passaram a ter cobertura pelo programa Mais Médicos.

A expansão do ebola alcança um nível tão alto na África que demanda também atenção de outros países. Embora seja chamado surto no oeste da África, o ebola tem sido controlado em países europeus de migrações intensas e que têm casos esporádicos de pessoas que estiveram na África e retornaram à Europa com o vírus. O vírus não se transmite por via aérea, mas somente através de sangue, saliva e outras secreções de pessoas que passem pelo ciclo de incubação (de 2 a 21 dias).

O alastramento de casos do ebola na África ocidental convida o mundo a pensar em como todas as nações conformam um todo orgânico, articulado e interdependente. Logo, é preciso que mais países tomem medidas semelhantes às de Cuba e enviem auxílio médico antes que o vírus se torne um patrimônio mundial. Os países que mais sugaram as energias da África deveriam retribuir com um esforço maior: Cool Britannia, La France, Holanda, Portugal e a atrasadíssima Espanha.

Até que mais países se disponham a missões verdadeiramente humanitárias, Cuba terá exercido um papel exemplar com o envio de equipes sanitárias, e laboratórios de USA Fora-da-Lei e Japão estarão próximos da vacina. O Brasil, enquanto isso, terá receio dos milhares de senegaleses e outras minorias que entram ilegalmente pelo Acre, enquanto o Itamaraty chuta a “bola da vez” várias vezes contra a trave.

O surto do ebola na África oferece mais um convite ao entendimento global entre nações que se desconhecem, exploram-se e hostilizam-se. Contudo, há estorvos a esse nível de entendimento planetário, como a guerra infindável no Oriente Médio. O primeiro-ministro israelense, porém, não perde a chance de reaproximação diplomática com a América do Sul, embora seu paletó esteja manchado de sangue.

(*) Bruno Peron, articulista e acadêmico

http://www.brunoperon.com.br

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