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07/06/2014 14:41

O ensino de habilidades sociais: essencial na educação

Por Gisele Vitório (*)

Encontramos hoje em nosso país um déficit em desenvolver habilidades sociais que até pouco tempo eram menosprezadas frente a um belo currículo acadêmico. Embora muitas vezes sejammais requeridas que as próprias habilidades técnicas, as habilidades sociais não são ensinadas em nossas instituições de ensino. Não temos salas de aula e equipe escolar capacitada para o desenvolvimento de um aprendizado de capacidadesimples como relacionamento interpessoal, resolução de conflitos, e vamos aprendendo com a vida, da forma mais dura e incompreensiva que elas são tão ou mais necessáriasdo que qualquer outra habilidade.

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Tudo poderia ser bem diferente se, ao entrar na escola, uma criança pudesse ter acesso ao ensino maciço do comportamento socialbásico, como pedir ajuda ao colega, esperar a vez de falar e ouvir atentamente. Podem parecer atitudes simples, mas para uma criança, não é. Crianças em fase escolar inicial são egocêntricas e se não as ensinamos como desenvolver essas competências, corremos um sério risco de que sejam adolescentes, jovens e, posteriormente, adultos individualistas em uma sociedade onde o comum a todos se faz cada vez mais necessário. Um exemplo básico da falta de habilidades sociais está em filas ou em ônibus, onde jovens e adultos não respeitam a prioridade de idosos e grávidas. Seriam esses indivíduos tão culpados por não respeitar a lei do bom senso? Provavelmente, não! Não lhes foram ensinadas algumas regras básicas de convívio e ele, duramente, terá que aprender com a vida.

Pois bem, o que deve ser feito, então? A resposta é bem clara: crianças devem aprender habilidades sociais, não como uma nova disciplina na escola, mas sim com a oportunidade de conviver com seus colegas. Hoje estamos tomados, desde a pequena infância, aos smartphones, tablets, notebooks e outros aparelhos tecnológicos e deixamos a interação com seres humanos em segundo plano. Mas essa interação humana é a responsável pela produção de habilidades sociais muito primárias. Crianças devem brincar com crianças e não somente com aparelhos. O uso da tecnologia é essencial e devemos desenvolvê-lo, porém, ser habilidoso socialmente se faz essencial. E podemos começar com simples gestos:

• Lembram-se das palavrinhas mágicas aprendidas na escola? Pois é, elas ainda existem e devem ser ensinadas em casa, quando surgem as primeiras palavras.

• Ensinar a brincar com os colegas e dividir o lanche também são partes importantes da educação.

• Uma criança assimila muito mais por modelação, imitação. Seja o adulto exemplo para a criança! Seja o guia para que essa criança tenha um referencial e possa desenvolver as habilidades sociais.

• Promova conversas enriquecidas com as crianças, propondo descobertas e desafios para elas.

• Estimule as brincadeiras onde a criança pode ser o líder, mas também o liderado, e após a brincadeira, explique a ela a importância de cada um dos papéis.

• Recompense com afeto: abrace, elogie.

Enquanto educadores e pais de alunos, podemos conversar, interagir, fazer com que as crianças participem de conversas sabendo sua vez de ouvir e falar, respeitando a opinião dos colegas e colocando suas opiniões de maneira assertiva. Essas rodas de conversa devem acontecer na escola, principalmente, visto que esse é o primeiro ambiente social do aluno. E para que rodas de conversa aconteçam precisamos apenas de um assunto interessante e que todos tenham o mesmo direito a falar e ouvir.

O ensino de habilidades sociais deve ser, portanto, na prática, no dia a dia, na reflexão diária. Não se ensina uma criança a agradecer pelo presente antes de ganhá-lo, mas sim ao ganhá-lo. Educar é um ato de amor e decisão. Podemos escolher educar para passar conhecimento simplesmente, ou para passar sabedoria, ensinos que serão necessários por toda a vida. Em qual dessas opções você educaria seu filho?

(*) Gisele Vitório, formada em Gestão em RH e pós-graduanda em Gestão estratégica de pessoas e psicologia organizacional. Atua como formadora da Aprendizagem Sistêmica na Planeta educação, empresa do grupo Vitae Brasil.

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