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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

09/02/2011 13:10

O FIM DA EXPOGRANDE?

Alex do PT (*)

A Expogrande - principal feira agropecuária de Mato Grosso e agora de Mato Grosso do Sul - só deixou de funcionar, desde sua criação, uma única vez. Foi durante a II Guerra Mundial. De modo sucinto e objetivo, esse registro histórico já seria o bastante para evidenciar o grau de importância social, econômica e cultural dessa Feira, uma dimensão impossível de não ser reconhecida. Afirmam os especialistas que ela esta entre as 10 maiores do gênero no Brasil.

Defender a existência da Expogrande é defender os produtores rurais, industriais, expositores, pecuaristas, artistas e a gama imensa de mão-de-obra que se beneficia diretamente do evento. São os distintos segmentos do comércio e as atividades econômicas em várias escalas girando capital: rede hoteleira, táxis, mototáxis, supermercados, lojas, ambulantes e toda sorte alternativa de geração de renda.

Como pode um petista defender os pecuaristas? Quem constrói, gerando oportunidades e empregos, agregando valores, deve ser respeitado, estimulado, aplaudido. Este é o cenário da Expogrande. Quem vem expor o seu produto, quem vem comercializar e negociar o resultado de seu trabalho, quem investe, quem suporta todas as pressões e os percalços da labuta diária, quem constrói, em suma, sempre terá o nosso apoio sincero. O que não apoiamos é justamente o contrário: a improdutividade, a ociosidade da terra, a especulação, o não-construir. Não por acaso, orgulha-me pertencer a um Estado que possui o melhor plantel de gado bovino e figurar entre os principais produtores de grãos do País. Somente no estertor dos litígios e dos impasses ocorridos entre a Acrissul e a Promotoria do Meio Ambiente é que a Câmara de Vereadores foi convocada para se manifestar sobre a questão de um regulamento municipal, a chamada lei do silêncio, cujos efeitos impedem a realização de shows musicais no Parque de Exposições Laucídio Coelho, palco da Expogrande. Não poderia ficar neutra. A Câmara Defende as preocupações e a determinada ação da Promotoria visando ao cumprimento da lei.

Estamos com o promotor e somos solidários a seu empenho e à sua luta. Queremos buscar o bom-senso e o equilíbrio nas relações sociais, evitar os exageros e extrapolações. E tenho certeza que a promotoria comunga dos mesmos sentimentos com relação à Expogrande. Os vereadores votaram uma emenda que sinaliza entendimento. Organizações e setores exauridos na sua capacidade contributiva, e com o fim da tradicional feira, veem surgir mais um prejuízo pela frente. Entidades como a Associação Comerical, Federação do Comercio, Federação das Associações Empresarias, Federação dos Trabalhadores em Educação, Federação da Agricultura e Pecuária, União de Moradores, Sindicato dos Hotéis, Restaurantes e Similares, Câmara de Dirigentes Lojistas, Sindicato dos Guias de Turismo, Sindicato Rural, Associação de Promotores de Eventos, Associação de Músicos do Pantanal, Movimento Nacional de Produtores do Brasil, Sindicato do Comercio Varejista, Sindicato das Agencias de Propaganda, Sindicato dos Taxistas e Associação Brasileira de Pecuária Orgânica manifestaram em nota pública o seu apoio explicito à realização da Feira.

Será que os Vereadores deveriam fazer ouvidos moucos a esses pedidos? Deveriam ficar insensíveis e indiferentes a tão ampla e vigorosa manifestação de apoio a realização da Expogrande? A lei prevê espaços para a excepcionalidade e a Expogrande é uma delas. A sugestão das emendas aprovadas busca garantir o meio termo. Com a Expogrande, a cidade e particularmente o Jóquei Clube – bairro onde se localiza o Parque de Exposições – teriam de oito a dez shows musicais, no máximo, durante o ano. É ou não um avanço? O que é preciso, ainda, é definir alguns critérios pontuais. Por exemplo: hora certa para começar e terminar o show. E que em seguida a Polícia atue no sentido de impedir as algazarras e perturbações que porventura possam ocorrer – e são comuns - em eventos dessa natureza. Tenho convicção absoluta que se houver esse tipo de entendimento os moradores desse importante bairro irão apoiar a realização da Expogrande.

O Jockey Club, na verdade, vive hoje outros problemas: os valores do IPTU, que encareceu excessivamente por causa da construção da Orla Morena. O bairro foi devastado pelas inundações. O Brasil viu pela tevê um morador andando de jet-ski pelas ruas do bairro. É preciso lembrar que o prefeito foi até Zurique defender a vinda da Copa do Mundo para Campo Grande, contratou empresas para preparar materiais de divulgação, de maneira correta investiu dinheiro publico, na tentativa de atrair esse importante evento para a nossa terra. Portanto, o poder público deve atuar agora da mesma forma, porque em lugar de lutar para atrair divisas e ganhar pilares de desenvolvimento, caso a Expogrande não aconteça, estaremos perdendo.

(*)MARCOS ALEX AZEVEDO DE MELO – O ALEX DO PT – HISTORIADOR - LIDER DO PT NA CAMARA DE VEREADORES DE CAMPO GRANDE-MS

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