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04/06/2014 17:46

O lixo da Copa...

Por Denise Pereira Curi (*)

Estamos chegando perto de mais um grande evento esportivo. E o mundo se (e nos) questiona qual é o legado que a Copa do Mundo deixará para o Brasil. Penso, então, que este é um momento para refletir sobre a herança ambiental a que teremos direito.

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Parafraseando o Comitê Olímpico Internacional, legado é um assunto complexo pois muitos dos benefícios podem demorar alguns anos para se tornarem visíveis, principalmente, porque eles dependem do apoio contínuo das autoridades locais. Neste sentido, devemos analisar mais amiúde a questão do lixo, do descarte e da reciclagem e aprender e ensinar aos nossos jovens, por meio de ações que deram certo.

Em Londres, em 2012, uma comissão independente foi criada para monitorar e avaliar publicamente os esforços de sustentabilidade. A “Comissão para uma Londres Sustentável 2012” permitiu que mais de 98% dos resíduos de demolição fossem reciclados e que 62% dos resíduos dos jogos fossem reutilizados, reciclados ou compostados.
Em 2006, na Copa da Alemanha, a FIFA lançou o Green Goal da FIFA World Cup ™ 2006[1]. E desde então, os países sede, e a FIFA, vem adotando medidas para reduzir os danos ambientais. Em 2010, a FIFA investiu EUR 400.000 em um projeto de compensação de carbono na África do Sul para a eletricidade a partir de gás de esgoto na Sebokeng Township, Gauteng.

As doze cidades brasileiras escolhidas para sediar a Copa de 2014 e suas regiões metropolitanas são responsáveis pela produção de 35% dos resíduos sólidos urbanos do País, algo em torno de 91 mil toneladas de lixo geradas por dia[2]. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, estima-se que o Brasil irá gerar em torno de 320 toneladas de lixo nos 64 jogos do mundial. Para lidar com esse material, mais de 800 pessoas estão sendo capacitadas, pela Coca-Cola em parceria com a FIFA, com o objetivo de coletar e encaminhar esse resíduo para uma central de triagem nos estádios. Os telões deverão passar mensagens de orientação e os estádios deverão adotar lixeiras de policarbonato transparente nas cores verde (para resíduos recicláveis) e cinza (para resíduos não recicláveis), atendendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010.

Além disso, algumas prefeituras sedes já estão se preparando para uma maior coleta seletiva no entorno dos estádios e várias empresas foram contratadas para promover a reciclagem do resíduo da construção civil.

Deixando de lado as denúncias de construtoras que estão jogando os entulhos em áreas de preservação ambiental (Arena Pantanal)[3] e o impasse sobre o entulho deixado no entorno de alguns estádios (Beira Rio)[4], é preciso reconhecer a importância dessas ações para o país. Implementar uma cultura de reciclagem, de destinação adequada dos resíduos e, principalmente, de redução do consumo/descarte é de grande importância para o desenvolvimento sustentável no país.

É importante que a geração atual, e futura, se conscientize dos altos custos envolvidos no nosso modelo de consumo. Custos ambientais, que tem como resultado o sacrifício de nossa biodiversidade ocasionada, sobretudo, pela utilização de recursos não renováveis e pela contaminação do ar, solo, rios e mares e pelo excesso. Os espaços destinados a disposição final do lixo são caros e estão cada vez mais escassos, precisamos, então, economizar na geração de lixo.
Finalmente, deve-se considerar, ainda, que além dos estádios, outras regiões estarão sendo visitadas por milhares de turistas. Ficando assim sujeitas a uma maior geração de resíduos. Resta saber, então, se estas medidas estão sendo previstas para estas outras regiões. Além disso, o evento deverá durar em torno de um mês, e estas ações não podem se limitar apenas esse período de tempo.

Nosso legado deve ser a mudança de comportamento, a implementação de uma cultura de respeito ao meio ambiente e ao próximo, a redução do lixo, a logística reversa e as políticas de reciclagem como algo duradouro, e não apenas um evento pontual. Se realmente quisermos deixar uma herança da copa para o país, mais do que um título devemos deixar exemplos de uma boa educação. Mais do que um povo simpático, teremos que ser um povo composto por cidadãos.

(*) Denise Pereira Curi é professora de administração com foco em sustentabilidade. Possui graduação em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987), mestrado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1993) e doutorado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2007). Atualmente é professor adjunto I da Universidade Presbiteriana Mackenzie, consultor do Ministério da Educação. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Sustentabilidade, atuando principalmente nos seguintes temas: sustentabilidade, estratégia e competitividade, competitividade, inovação e orientação para o mercado.

 

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