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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

08/03/2012 16:50

O louvável protagonismo feminino

Por Iran Coelho das Neves (*)

A propósito do Dia Internacional da Mulher, o Tribunal de Contas de Mato Grosso de Sul promove neste dia 9/03, sob inspiração e coordenação da conselheira Marisa Serrano, o 1º Encontro de Conselheiras dos Tribunais de Contas, que reúne em Campo Grande, sob o tema ‘O Olhar Feminino sobre as Contas Públicas’, proeminentes brasileiras, dentre elas a ministra Ana Arraes, do Tribunal de Contas da União.

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Afora o privilégio que significa para nosso Tribunal de Contas, e para o próprio Mato Grosso do Sul, reunir aqui mulheres que representam a mais alta expressão do profissionalismo, do Conhecimento acadêmico e do senso de responsabilidade pública, destaca-se a circunstância generosa de que o auditório que abriga do evento reverencia e celebra a memória pulsante dessa grande sul-mato-grossense, que foi Celina Martins Jallad.

Primeira mulher a assumir como Conselheira, na sequência de extraordinária trajetória parlamentar de quase vinte anos, Celina Jallad, no breve e fecundo período em que integrou o nosso Tribunal de Contas, soube, em paralelo ao exercício judicioso de suas atribuições, instalar, com notável leveza – para não abalar demais o já improvável ‘clube do bolinha’ – a sensibilidade feminina.

Aliás, a pretexto do dito ‘clube do bolinha’, incomoda constatar que, justo nas carreiras da Magistratura e correlatas, os feudos machistas só há muito pouco tenham sido rompidos.

Parece incrível que tenha sido necessário que entrássemos no terceiro milênio para que a mulher, enfim, assumisse, com a nomeação doutora Ellen Grace, uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Instalando com competência e pertinácia a presença feminina no STF, a ministra Ellen Grace ainda reforçaria esse pioneirismo histórico tornando-se a primeira mulher a presidir a mais alta corte brasileira.

Hoje, as ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber representam o protagonismo feminino no STF. Na condição de primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral, que acaba de assumir, a ministra Carmen Lúcia será a grande magistrada das eleições municipais deste ano.

Aliás, ainda há pouco, ao participar do julgamento da constitucionalidade de artigos da emblemática Lei Maria da Penha, Carmen Lúcia afirmava que mesmo as ministras do STF ainda são, sim, vítimas de preconceito machista. E contava ter ouvido de alguém, que não a identificara como integrante do Supremo, um perverso desabafo contra aquela Corte: “Também, agora tem até mulher lá...”

Se na virada do milênio, enfim, a mulher chegara, para ficar, no Supremo Tribunal Federal, ainda tardaria mais de uma década até que, personificada na figura extraordinária de Ana Arraes, a mulher finalmente assumisse as atribuições de ministra do Tribunal de Contas da União.

Felizmente, nas cortes de contas estaduais e do Distrito Federal, as mulheres já demarcaram território institucional e consolidaram presença, com competência intelectual, sensibilidade humana e coragem cívica.

Tanto que, não por acaso, as duas responsáveis pela Conferência-Título do evento, ‘O Olhar Feminino sobre as Contas Públicas’, ocupam hoje a Presidência de seus respectivos Tribunais: Conselheira Marli Vinhadeli, presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal; e Conselheira Tereza Duere, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.

A propósito do Dia Internacional da Mulher e do inspirado Encontro promovido pela colega Conselheira Marisa Serrano, é oportuno lembrar que o protagonismo da mulher brasileira tem na Presidente Dilma a sua mais marcante expressão.

Ainda em setembro passado, como chefe de Governo do Brasil, Dilma teve o privilégio de se tornar a primeira mulher na história a instalar a assembléia anual das Nações Unidas. “É a voz da democracia”, disse então a nossa Presidente. O mundo ouviu uma Nação generosa, pela voz da mulher que a governa.

Em Mato Grosso do Sul, esse protagonismo feminino tem na própria idealizadora e anfitriã deste evento, Conselheira Marisa Serrano, uma de suas mais legítimas e convincentes expressões.

Professora, supervisora, diretora de escola, coordenadora educacional em Campo Grande, secretária estadual de Educação, delegada do MEC e autora de duas séries de livros didáticos, Marisa Serrano construiu uma carreira político-eleitoral calcada, sobretudo, em seus compromissos com a educação como instrumento de promoção humana e inclusão social.

Eleita vereadora em 1977, e deputada federal em 1994, reeleita em 1998, Marisa Serrano foi vice-prefeita de Campo Grande e, em 2008, tornou-se a primeira mulher da história de Mato Grosso do Sul a se eleger Senadora.

Todo esse magnífico acervo de competência intelectual, experiência pública e sensibilidade humana, a Conselheira Marisa Serrano divide hoje conosco no Tribunal de Contas, engrandecendo-o.

Outra referência exponencial do protagonismo feminino em nosso Estado, Simone Tebet tornou-se, com a notável discrição que lhe é peculiar, a primeira mulher a governar Mato Grosso do Sul, vez que, na condição de vice-governadora, já assumiu a chefia do Executivo pelo menos em três oportunidades.

Professora de Direito, ex-deputada estadual e primeira mulher a se eleger prefeita de Três Lagoas, a jovem vice-governadora Simone Tebet é uma estrela de primeira grandeza na cena política de Mato Grosso do Sul.

No Tribunal de Justiça, as desembargadoras Marilza Lúcia Fortes, vice-presidente do TRE-MS, e Tânia Garcia de Freitas Borges expressam a crescente participação da mulher nas diferentes instâncias e esferas do Judiciário, e áreas afins, em Mato Grosso do Sul.

No Legislativo estadual, as deputadas Dione Hashioka e Mara Caseiro reforçam o destacado papel da mulher sul-mato-grossense, referenciado no pioneirismo político-eleitoral de Marilene Coimbra e Marilu Guimarães, dentre outras.

Também na vida empresarial, nas profissões liberais e nas carreiras públicas, nas universidades e nos centros de pesquisa, a sul-mato-grossense reproduz aqui o papel de vanguarda que a mulher brasileira crescentemente ocupa com competência e sensibilidade.

Contudo, o que este 1º Encontro de Conselheiras de Tribunais de Contas celebra em Mato Grosso do Sul é, sobretudo, a fibra e a determinação da Mulher Brasileira, qualidades que se revelam ainda mais vigorosas na mulher (in)comum, na trabalhadora e dona-de-casa de tripla jornada.

É esta Mulher Brasileira, sobretudo o que ela representa de Dignidade, de Labor e de concreta aplicação na construção de um Brasil mais justo e democrático, que esse olhar Feminino Sobre as Contas Públicas’ contempla.

Por isso mesmo, este 1º Encontro de Conselheiras de Tribunais de Contas já se consagra como um evento que honra Mato Grosso do Sul e engrandece a Mulher Brasileira.

(*) Iran Coelho das Neves é Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul.

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