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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

25/01/2016 12:25

O melhoramento genético de bovinos de corte para eficiência alimentar

Por Rodrigo da Costa Gomes (*)

Uma pecuária forte e expressiva como a do Brasil só assim o é pela busca incessante do melhor, em todos os segmentos. No melhoramento de bovinos de corte isso não é diferente e inovações trazidas nos últimos anos colocam o país a par e passo com os mais importantes produtores do mundo. Entre as novidades, se destaca a maior atenção dada a características não comumente avaliadas, tal como a recente adoção da avaliação do consumo e da eficiência alimentar em alguns criatórios. Entretanto, como para tudo que é novo, desinformação e desconhecimento levam a uma adoção lenta e, ainda neste caso, a complexidade e os custos impedem uma escalada mais rápida de seus benefícios ao setor.

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Considerada relevante em outros países, a eficiência alimentar diz sobre a capacidade de um bovino transformar o alimento que consome em peso, carcaça, carne ou bezerro. Aquele que precisa de pouco e produz muito é eficiente, enquanto aquele que consome muito, mas produz pouco, é ineficiente. Estando relacionada ao que se consome e com o que se produz, naturalmente a eficiência alimentar afeta custos de produção e lucratividade e é aí onde começa o interesse por esta característica. Se por um lado produzir mais é desejável, produzir mais gastando menos pode ser melhor ainda e se isso pode ser melhorado em gado de corte, por que não o fazê-lo?

Acontece que o processo de seleção para esta característica não é algo tão simples quanto se pensava. Tudo começa pela necessidade de se medir o quanto o bovino consome de alimento e isso não é fácil e nem barato. Não tão fácil em regime de confinamento, tampouco em regime de pasto. Em confinamento, cochos eletrônicos facilitaram as medições, porém a pasto nada ainda substituiu um complexo trabalho feito só por cientistas, incompatível com um processo que tem que ser feito principalmente por produtores. A medição em confinamento resolve em parte, mas lança dúvidas sobre a eficácia do processo. Um boi eficiente ao comer silagem, milho e farelo de soja também o será quando estiver a pasto, comendo capim e sal mineral?

Isso é o que se acredita apesar das condições alimentares serem tão diferentes. Acontece que independente do tipo de alimento ingerido e de como ele é digerido, há outras dezenas de fatores que afetam a eficiência de transformar o que foi digerido em carcaça ou bezerro. Por exemplo, se um boi gasta muita energia por ser agitado, isso vai acontecer sendo em confinamento ou a pasto, comendo silagem ou capim. Se ele tende a colocar muita gordura na carcaça, isso pode acontecer independente do sistema que estiver. Estes dois elementos levam a uma menor eficiência, independente do regime alimentar, então por que não acreditar na relação entre eficiência a pasto e eficiência em confinamento?

Este argumento também serve para extrapolarmos a eficiência medida em uma idade jovem para a eficiência na fase adulta. É como dizer que uma novilha que comeu pouco para crescer também vai comer pouco para produzir um bezerro. Isso pode ser controverso, mas pesquisas mostraram que isso acontece, dando suporte ao atual processo de avaliação de eficiência alimentar. Isso sendo verdade, um reprodutor identificado como eficiente ao ser avaliado em sua puberdade poderia então levar esta maior eficiência a suas filhas, contribuindo para um rebanho de matrizes com menores exigências nutricionais, mas que ainda proporcionem precocidade reprodutiva e fertilidade.

Assim como em administração, na seleção genética o que não se mede não se melhora e isso vale para a eficiência alimentar. O que já vem sendo feito em termos de melhoramento para peso e ganho de peso contribui majoritariamente para a eficiência produtiva, porém apenas com a medição direta do consumo de alimentos é que outros saltos serão dados. Para uma maior adoção das avaliações de consumo alimentar é imprescindível que sua complexidade seja equacionada e isso depende da definição de estratégias de seleção que levem a menores custos do processo. Portanto, há trabalho a ser feito neste sentido, o que exigirá esforços conjuntos de pesquisadores, programas de melhoramento, criatórios e associações.
No mais, é estimular o setor em direção à seleção para eficiência alimentar. Isso é um pouco mais simples, pois em um mundo no qual tanto se pede eficiência, quem não quer contribuir? Neste caso, informação é importante.

(*) Rodrigo da Costa Gomes, pesquisador em Nutrição Animal da Embrapa Gado de Corte

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