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Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

08/04/2016 11:29

O milionário

Por Walter Roque Gonçalves (*)

Ganhar o primeiro milhão de reais é para muitos, o objetivo de vida! Afinal, entrar para o time de milionários deve ser uma grande realização para qualquer pessoa! Entretanto, com a crise econômica, muitos se veem obrigados a adiar tal realização. Enquanto que outros, por serem favorecidos, até mesmo por oportunidades geradas pela crise, conseguem o prêmio principal deste jogo do milhão.

Li recentemente, no site “jovemadministrador”, um artigo do escritor e palestrante Diego Andreasi, intitulado “Será que vale a pena ser milionário?”. Neste, Andreasi cita o exemplo de um gringo que se tornou milionário – algo em torno de 50 milhões de reais – e quando o felizardo milionário foi indagado sobre como é ser rico, disse que “ser rico é melhor do que não ser, mas não é nem de perto tão bom quanto você imagina (...) Talvez você esteja de olho num Audi – uma vez que você consegue comprá-lo facilmente, ele não significa muito para você agora.”

É estranho dizer, mas estes milionários ainda se sentem pobres! Afinal, o grupo referência ainda terá carros melhores e mais caros, ainda irão a lugares que não se pode simplesmente pagar. E, não adiantará conquistar outros milhões, esta conta nunca fechará! Chega um momento que os “amigos” compram obras de artes únicas! E lá está o milionário se sentido pobre novamente...

Pessoas que atribuem excessivamente valores ao dinheiro, estão fadadas – quando o destino permite – a envelhecer e morrer arrependidas: por não ter aproveitado a vida; por ter negligenciado a saúde; o tempo consigo; com as pessoas que as querem bem; com a natureza…

E tudo isto para quê? Para, após a morte, deixar o patrimônio a cargo dos herdeiros que tomam para si o que é de direito e lançam sorte ou disputas pessoais e judiciais sobre o patrimônio pelo qual não há consenso na divisão. Claro que há exceções, mas infelizmente não se trata da maioria.

Por outro lado, conheço pessoas fantásticas, prósperas. Estas parecem sempre estar “em construção”. Não se preocupam com o quanto acumularam, ou ainda, se vão acumular mais. Buscam viver agradecidos pelo que tem. São resolutas, equilibradas, corajosas, bem-humoradas, saudáveis, esperançosas, cheias de projetos, cheias de vida!

E o lucro?! Este é tão importante para eles quanto o oxigênio é para nós! A verdade é que todos nós temos acesso a este abundante recurso. Tudo dependerá da saúde e vigor do nosso corpo.

Com as empresas a relação é semelhante. O lucro, da mesma forma, vitaliza a organização e permite a interação com o ambiente, se esta será boa ou ruim, depende de cada um.

Por este ponto de vista, a rentabilidade é vista como um indicador de resultados, onde o foco principal está, por um lado, na estrutura da empresa e nos respectivos custos e, pelo outro, na empatia com clientes, funcionários, parceiros e fornecedores. Isto permite gerar estratégias focadas nas necessidades e desejos destes, tornando o lucro uma consequência natural deste esforço.

O que se encontra na base destas empresas, são seres humanos que, além do dinheiro, conquistaram também o equilíbrio nas outras áreas da vida. Ao ponto que pessoas insatisfeitas, fatalmente descobrirão que o dinheiro não as tornará melhores, nem mais felizes e muito menos, mais realizadas.

(*) Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, professor executivo/colunista da FGV/ABS (Fundação Getúlio Vargas/América Business School) de Presidente Prudente (SP).

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