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24/11/2016 09:13

O mundo se desumaniza

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Por que o Brasil ficou fora da globalização industrial? Seria porque na Ásia a mão de obra é mais barata? A grande zebra foram as bolhas especulativas. Com a sobra de liquidez veio a fome de ganho, pois embora a Terra seja densamente povoada, o poder de compra foi restringido.

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Há uma previsão de que com as dificuldades financeiras ocorra o fechamento dos mercados. Os países têm de preparar a população e fazer acordos bilaterais para as trocas necessárias com equilíbrio, sem incorrer em novos empréstimos, e produzir internamente o que não puder importar, gerando oportunidades de trabalho.

Estados Unidos e China formaram uma dupla e juntos fizeram a festa. Produção transferida. Dívida americana em elevação, caixa alta da China. Pelo mundo, déficits, dívidas, desindustrialização, precarização. Com sete bilhões de almas encarnadas a situação geral muda muito. O consequente aperto nos bolsos gerou o estado de insatisfação pública e a busca por milagreiros, mas não é fácil consertar o que levou tantos anos para bagunçar; ademais, há os conflitos de interesses.

O mundo vive a precarização geral. O rendimento se deprecia. Gastar com combustível é uma necessidade do trabalho nas grandes cidades. Pagar um preço mais adequado possibilitaria um pouco mais de dinheiro no bolso para atender outras necessidades fundamentais. O Banco Central precisa olhar para isso e reduzir os juros. O colapso global vem caminhando; estudiosos como o ambientalista Paul Gilding, autor do livro A Grande Ruptura, mostram isso. A forma materialista de viver sem aspirações mais elevadas está conduzindo para uma situação tumultuada em todos os setores, que se agrava com o aumento da insatisfação.

Desde 2008, muitos ativos tóxicos estão pendurados neste mundo de muitas jogadas especulativas que vinham sendo empurrados, mas representam muito peso para subir a ladeira do grande buraco aberto. Os homens gostam de achar culpados. Seria Trump, com toda sua verborragia ácida, o grande pato da vez?

A globalização promoveu a centralização das finanças nos Estados Unidos, mas aumentou o desequilíbrio nas relações entre os povos. No colonialismo, imperava a força bruta na dilapidação de riquezas. No capitalismo financeiro, importa o lucro. No capitalismo de Estado, a coordenação da produção e controle da mão de obra visam o mercado externo com preços arrasadores e influências no câmbio.

O Brasil e outros países não têm como equilibrar as contas externas; sempre dependentes e fragilizados, fazem malabarismo, arcando perdas com swaps cambiais. Enquanto não houver equilíbrio, a paz será uma quimera, e a miséria uma consequência inevitável.

O mundo se desumaniza. Ser humano é não se deixar vencer pela cobiça, raiva, ódio, insatisfação. Temos de nos esforçar para compreendermos a vida, pautando-a em conformidade com as leis da Criação, para clarificar continuadamente o espírito e os pensamentos. Temos testemunhado o aumento do apagão mental e precisamos combatê-lo com o bom preparo para a vida e com responsabilidade.

Os humanos receberam a Criação para usufruto e desenvolvimento espiritual por um determinado período de tempo, mas em vez de beneficiar e embelezar tudo agiram de forma devastadora, atraindo sofrimento e miséria. E quanto mais o tempo vai se aproximando do limite, mais se evidencia a decadência e a desvalorização da humanidade que não se esforçou para progredir no saber sobre a atuação da Criação. Quem não respeita essas leis perfeitas tem de arcar com as consequências e lidar com o efeito da colheita. Reconhecidas e respeitadas, essas leis capacitam o ser humano a produzir dez vezes mais obras benéficas e duradouras para fortalecer a paz e a alegria.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, articulista, palestrante e escritor

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