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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

21/05/2011 07:04

O nascedouro de uma revolução

Por Jeovah de Moura Nunes (*)

Tempos atrás encontrei, por acaso, dados estatísticos sobre a riqueza embarcada para Portugal de 1714 a 1746 quando mais de 200 veleiros levaram do Brasil para o rei de Portugal Dom João V e seus cortesãos, além das amadas amantes e prêmios aos parentes, as seguintes cargas: 681 arrobas de ouro em pó; 315 marcos de prata; 12 milhões em diamantes; 392 oitavas de diamantes; 22 caixas de ouro em obra.

Tudo isto em apenas 32 anos e sem contar as cargas de valores menores como, por exemplo, o pau-brasil, pau-preto, pau-catinga, pau-dágua, pau-ferro e pau-santo. Tudo retirado das florestas brasileiras e levado para Portugal e outros países.

O metal precioso e as pedras preciosas que naquela época somavam quantias fabulosas foram utilizadas a bel prazer pela casa real em pagamentos altíssimos à Igreja Católica Romana para, entre outras futilidades: que os seus serviçais religiosos pudessem usar meias de cor vermelha; que o rei de Portugal fosse tratado por Fidelíssimo; que a capela real tivesse estas e aquelas distinções vãs; que fosse permitido à igreja lusitana celebrar três missas no dia de finados; que fosse permitida a Lisboa fazer suas procissões com as pompas e os mesmos rituais das realizadas em Roma.

Todas essas riquezas retiradas da colônia brasileira eram gastas em frivolidades e bobagens da época, quando o povo do reino de Portugal afundava na penúria, sem estradas, sem escolas, sem hospitais, sem academias de ciência e sem segurança para o povo pobre, diante da gigantesca criminalidade na época, chamada de pirataria e etc.

Ainda assim o rei propôs a criação de impostos mais pesados ao povo português e à colônia brasileira. Acho isto igualzinho ao comportamento dos políticos brasileiros, principalmente da presidenta, que ao se apossar do poder no primeiro dia de janeiro irá instalar a defunta CPMF, segundo previsões da própria querência “angustiada” da nova presidenta.

É um retorno à espoliação do cidadão através dos cheques, já que a saúde nunca foi bem cuidada pelo Lula lá, em sendo uma obrigação federal com ou sem CPMF.

Mas, voltando ao passado terrível, enquanto ocorriam em Portugal as fantasias dos poderes e por quebra no Brasil também, na mesma época as colônias americanas da Nova Inglaterra praticavam a democracia pura e usavam a riqueza do país para a sua construção; tinham a reclamar somente da imposição da Inglaterra sobre a obrigação de importar manufaturados ingleses. Não é à toa essa fábula de riqueza capitalista dos Estados Unidos.

Quando nós vegetávamos, eles já eram ricos e a sociedade era e é até hoje igualitária e democrática, enquanto nós ainda não temos uma sociedade totalmente democrática e que se possa chamar de igualitária com tantos ladrões nos podres poderes, além das gigantescas diferenças sociais. Nossa democracia vive dependendo muito de quem governa, e às vezes ocorrem ditaduras, cuja soma chega a décadas.

Realmente, quando o destino de um povo é comandado por um individuo, ou por uma família, ou por um grupo, ou por algumas classes, não adianta recordes de arrecadação fiscal com permanente criação e aumentos de impostos, quando tudo será encaminhado sob os caprichos e interesses de grupos e a riqueza se dissipará rapidamente. E quem paga essa riqueza somos nós, o povo pobre, alienado da cultura, sem esperanças no futuro do próprio país em que vive.

Daí vem o governo mais popular deste país com bolsa família ou a bolsa-esmola: uma vergonha para nós, os honestos, porque acostuma e orienta o vagabundo a continuar vagabundo. Tudo isto contradiz uma sociedade verdadeiramente democrática. O verdadeiro homem democrático e livre é aquele que não vive de esmolas e sim do seu salário muito bem pago, coisa que não ocorre no Brasil e sim nas grandes democracias.

A maioria dos brasileiros vive a derrota de não conquistar o conhecimento que eleva o homem, ou a mulher, ao mesmo tempo em que é tratado pelo poder como um deficiente ao receber bolsa isto e bolsa aquilo. O governo brasileiro não se posta frente à frente com a miséria, simplesmente esconde e abafa essa miséria com migalhas que darão continuidade à mesma miséria.

No Brasil nossas rodovias estão em frangalhos, o tráfego aéreo entra em colapsos rotineiramente, sofríveis transportes públicos e portos desaparelhados para suportarem as crescentes exportações, com quase 50 milhões de pessoas vivendo em estado de pobreza, e com uma violência inconcebível empurrando os cidadãos para jaulas particulares, etc.

O rei francês Luiz XIV tinha a mania de distribuir mesadas a príncipes e reis de outros países com o dinheiro da nação gaulesa, tal e qual o que andou fazendo o nosso presidente barbudo. Quando o rei morreu, acrescentou outras puerilidades e o resto foi aproveitado para a luxúria e farras do rei seguinte: o magnânimo Luís XV. A única coisa positiva de toda essa estupidez e incompetências do poder foram o terreno preparado para o povo francês se decidir por uma revolução sem precedentes na história da humanidade.

Revolução esta que mudou o mundo totalmente com as divisas: Fraternidade, Igualdade, Liberdade, que nós, brasileiros, fingimos possuir no Brasil, quando a fraternidade é uma piada; a igualdade outra enorme piada de mau gosto; e a liberdade é monitorada, a exemplo do que fizeram com o jornal “O Estado de São Paulo”. Este é “aquele” Brasil que eu particularmente detesto.

Atualmente, já com a idade avançada, gostaria de na próxima reencarnação nascer em quaisquer dos seguintes países: Estados Unidos, França ou Canadá. Que Deus me ajude neste meu desejo porque o Brasil infelizmente não vai melhorar para os próximos duzentos anos. Com tanta criminalidade estamos amarrados a um sistema dos mais impiedosos do mundo, posto que o bandido tem a liberdade, nós, os honestos é que vivemos presos dentro de nossas casas fechadas.

Recentemente coloquei na janela dos fundos um engradado de ferro chumbado na parede do lado de fora. A grade parece a janela de uma prisão. É isto o que está ocorrendo no Brasil. Nós, os honestos, estamos presos, sofrendo uma opressão que os criminosos não conhecem.

(*) Jeovah de Moura Nunes é escritor e jornalista, autor de vários livros, entre eles: “Pleorama”.

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Não posso evidentemente traçar um perfil político do que imagino. Mesmo porque o espaço é pequeno neste blog. Mas, vou desforrar este espaço dizendo que nosso país não é tão maravilhoso como pensam e imaginam muitos fanáticos pelo Brasil. Nós somos um país cultivado desde 1500 pelos bandidos e safados da vida. Pedro Álvares Cabral deixou dois homens com a pecha de criminosos nas areias da praia...
 
Jeovah de Moura Nunes em 17/10/2011 09:42:56
Caro Valfrido...
Não existe essa história de que Deus é brasileiro. Isto é sacanagem de pessoas que querem enganar os pobres. Pobres estes que acreditam em Deus verdadeiro que eu também acredito. Porém, este Deus está em lugares que nós bem pouco podemos avaliar. O que ocorre é que o Brasil está nas mão rotineiramente de pessoas bem pouco compreensível do que seja o Brasil.
 
Jeovah de Moura Nunes em 17/10/2011 09:38:21
Quero apenas dizer à Francilene Marim, agradecendo muito o seu comentário, que verdadeiramente o povo brasileiro é alienado justamente em razão da existência de carnavais que dão apenas motivos para a crescente criminalidade; e que o povo é totalmente alienado, aprecia apenas o show da vergonha quando mulheres quase nuas se rebolam nas avenidas.

Ao Sr. Valfrido, agradeço também pelo comentário, mas penso que o senhor não está atualizado, vez que a floresta amazônica está ameaçada de se transformar numa verdadeira "república" de fazendeiros. Principalmente de petistas que estão invadindo aquilo tudo. Lá na Amazônia não existem leis que protegem a natureza. Existem apenas uma multidão de bons cidadãos que protegem a natureza ameaçados de mortes em razão de apontar para os "fiscais" os verdadeiros destruidores. Morre muita gente defendendo a natureza e o governo nem se lixa para tais acontecimentos.
 
Jeovah de Moura Nunes em 28/05/2011 07:16:20
Muito bem colocado o artigo apresentado pelo autor, porém infelizmente faltou exaltar que parte da culpa também cabe aos brasileiros que se deixam levar por meras promessas ou se vendem por propinas e politicagens em meio á eleições, ou seja, queremos justiça e ética mas essa justiça só se inicia com o nosso voto honesto, com a desejo e o compromisso de recorrer aos nossos direitos e cobrar daqueles que prometem, cumprindo nosso papel de cidadãos.
 
francilene marim em 24/05/2011 01:54:01
O Sr. Jeovah de Moura está carregado de razões e faz uma justa analogia entre o Brasil colônia e a nossa espoliação atual capitaneada pelo Partido que iria moralizar a Nação. Entretanto, diria que algo escapou de seu lúcido olhar: deus é brasileiro, pois, apesar de tudo, fizemos uma agricultura que mata o Primeiro Mundo de inveja e nossas árvores crescem 20 vêzes mais rápido do que as da Finlândia, país que cuja economia gira em torno da exploração florestal. Nossa Amazônia está quase intacta, pronta para ser explorada com lucidez, fixando mais carbono do que todo o mundo junto, com florestas novas e reflorestamentos. E vamos em frente enquanto os cães (internos e externos" ladram!
 
Valfrido M. Chaves em 21/05/2011 07:46:42
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