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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

15/08/2014 14:52

O “Natural no PSB e na REDE” é Marina Silva não substituir Eduardo Campos

Ronaldo Franco

Em diálogo rápido com meu amigo tucano Ben Hur Ferreira disse que:

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“Substituir o nome de Eduardo Campos por Marina Silva na cédula eleitoral em 5 de outubro não é tarefa fácil e nem será o caminho natural da campanha do PSB e da REDE”.

Como a conversa foi breve não expus as razões para esta conclusão. Após passei a organizar as minhas razões para identificação de tais dificuldades.

Vejamos.

Discordo dos apressados que acham que Marina é a natural sucessora de Eduardo Campos por ser a sua vice na chapa presidencial.

Não é e nem será tão simples assim.

Se esta afirmação fosse lógica Marina Silva desde no início já teria sido inscrita como candidata a presidente e não Eduardo Campos. Logo naturalidade não é o melhor adjetivo para descrever a aliança do PSB com a REDE.

Uma candidatura presidencial é decorrente de um longo e intrincado processo político, financeiro e de poder interno e regional dos partidos políticos. Campos teve estômago e paciência para isto.

No caso vertente há muitos entraves para transformar a substituição em tarefa natural.

1º- Os doadores de Eduardo Campos com certeza não são doadores naturais de Marina Silva.

Uma campanha presidencial é extremamente cara. Este tipo de campanha exige um sistema e uma equipe escolada no processo de arrecadação, ‘por fora e por dentro’, ou no oficial e no caixa 2, ainda muito presente. Estamos tratando de doações significantes, não daquelas arrecadadas na internet.

Doações implica em doador e arrecadador terem bem claro o que cada um espera do outro, seja na eleição ou no pós eleição (eleito ou não).

É o tal "olho no olho".

Mesmo não indo para o segundo turno Eduardo Campos teria papel relevante para seus doadores, já que seu apoio seria decisivo.

Em geral este pacto sequer é dito, mas fica implicitamente subtendido entre as partes. Exige também que entre o doador e o candidato haja um terceiro na condição de fiador do compromisso implícito ou explícito. Palocci foi este fiador no PT com o empresariado e mundo financeiros em 2002, 2006 e 2010, até ser afastado no começo de 2011.

Eduardo Campos por ter sido governador, ministro e chefiar um verdadeiro clã no Pernambuco conhecia e se adaptava bem a esse sistema.

Não é o caso de Marina Silva e sua REDE apregoando a NOVA POLÍTICA. Para manter esta forma de arrecadação ou Marina Silva muda e adapta-se ou os doadores desaparecem.

Outro complicador é que uma parcela considerável das despesas de campanha já foi comprometida, a partir da promessa dos doadores feita ao candidato Eduardo Campos.

Todos os indicativos apontam que Marina Silva e a maioria dos doadores de Eduardo Campos são inconciliáveis em gênero, numero e grau. A despesa já está certa, mas a receita ficou ainda mais incerta.

2º - Os palanques estaduais da campanha do PSB foram montados e moldados à figura e semelhança do estilo de ser de EDUARDO CAMPOS.

A aliança de Campos com Marina Silva foi uma aliança nacional entre ambos, todavia as alianças nos estados foram e continuam sendo enorme ponto de desacordo entre os militantes da REDE e do PSB.

Citamos como exemplos a aliança do PSB com Alckimin/PSDB em São Paulo, com o PT no Rio de Janeiro e aqui no Mato Grosso do Sul com Nelsinho do PMDB. Nestes estados a aliança levou a sigla do PSB, mas não levou a militância da REDE. Marina Silva sempre discordou destas alianças.

Esta conformação de alianças diversas pelos estados sempre constituíram em desconforto ao discurso da NOVA POLÍTICA de Marina Silva.

Eduardo Campos, com sua autoridade política, sabia se equilibrar nesta contradição.

Na condição de vice na chapa de Eduardo Campos havia espaço para Marina Silva continuar fazendo "cara feia" para estes tipos de alianças. Este comportamento pelo menos garantia à Marina e a REDE seu discurso ético.

Na condição de cabeça de chapa esta postura é inconcebível e impraticável. Ou desce do muro ou derruba o muro e quem sob ele está.

3º A estrutura de campanha,comunicação e publicidade já estão estabelecidas a partir das características da candidatura de Eduardo Campos.

O marketing e a comunicação numa eleição presidencial é a alma da disputa, já que o candidato não consegue cobrir o território brasileiro.

Todo o diagnóstico, marketing e publicidade da campanha (incluindo aí os pré testes e pesquisas qualitativas,essenciais para definição da estratégia e tática eleitoral) Já foram realizados a partir da candidatura de Eduardo Campos e não de Marina Silva.

Mudar essa concepção não é simples e nem rápido. Qualquer alteração deve consumir pelo menos 20 a 30 dias, tempo precioso para este tipo de campanha.

Impor a Marina a mesma fórmula concebida a partir de Eduardo Campos é teratológico.

E mais.

As pessoas que conduzem a campanha são pessoas da confiança do PSB/Eduardo Campos e não de Marina Silva/REDE.
Com certeza estas pessoas já tiveram atritos com o grupo de Marina Silva, quando esta ainda ocupava a condição secundária de vice na chapa. A paixão desta equipe por Marina Silva não é a mesma por Eduardo Campos.

Eventual ascensão de Marina implicará na substituição de pessoas do PSB por pessoas da REDE.

Redução de recursos implicará em redução da estrutura de campanha, por conseguinte redução do número de pessoas do PSB atuando na campanha. Mais atrito, mais trauma.

4°- A REDE foi concebida a partir de um projeto nacional, agora, desenhado para a eleição presidencial de 2018.

A REDE SUSTENTABILIDADE quando decidiu que Marina Silva seria a vice de Campos , agora em 2014, tinha claro que seu projeto é disputar a presidência em 2018.

Ganhar a eleição não era o relevante, mas manter Marina Silva no meio da disputa era taticamente o correto na acumulação de forças para a disputa de 2018. Por isso o essencial era se aliar contra a força que desafiava PT e PSDB simultaneamente.

Este era o embrião da REDE para a ruptura da polaridade PT versus PSDB.

A ascensão de Marina Silva de vice para cabeça de chapa, agora em 2014, quebra o sentido tático da REDE em todo país, projetado para 2018. Os militantes da REDE, abrigados ou não no PSB, teceram e ainda tecem severas críticas ao PSB, ora partido ‘barriga de aluguel’ da REDE. Há muitas dificuldades para a REDE se adaptar a eleição de 2014 num curto espaço de tempo. Há também o medo de que a empreitada em fazer Marina cabeça de chapa, agora em 2014, abale seriamente o projeto de 2018.

A relação dos dirigentes do PSB com os dirigentes da REDE envolvidos na campanha de Campos era conflituosa. Na prática "os cabeças" se entendiam (Eduardo e Marina) enquanto do pescoço para baixo era canelada todo o dia.

O PSB, acostumado à proximidade de poder seja com o PT, seja com o PSDB, não verá com bons olhos que ordem se inverta. Marina Silva cabeça de chapa é o PSB a serviço da REDE. Quem urdiu esta aliança não concebeu esta situação.

Nem a REDE que admitiu esta situação transitória desejava antecipar o projeto de 2018 para 2014 sob condições não criadas pela REDE e sim pelo PSB nordestino. O medo do fracasso antecipado é grande por parte dos militantes da REDE.

Há o risco da REDE ser abala como partido legalmente dependendo do resultado de 2014 e dos rumos do PSB em eventual segundo turno entre Dilma e Aécio.

5º- O tucanato e o PT após o sepultamento do candidato Eduardo Campos vão partir para o esfacelamento da unidade do PSB.

Em São Paulo o PSB já está aliado ao PSDB.

Em Minas o prefeito de BH finge que o PSB não tem candidato a governador no estado, para favorecer o PSDB. No Rio o PSB fez Romário candidato a senador na campanha do PT.

O que resta de substancial?

O PSB nordestino.

Este vai ser atacado em especial por LULA, amigo de Eduardo Campos e patrão sempre bem lembrado por dirigentes do PSB destronados por Dilma (entre eles o vice presidente nacional, que agora assumirá o PSB no lugar de Campos).

Aécio vai fazer o mesmo se utilizando das regionais do PSB de Minas e São Paulo para predar direções nordestinas do PSB. Eduardo Campos tinha liderança suficiente para unir todos. Memória e emoções da sua morte não tem o mesmo condão.

Com Eduardo Campos vivo e candidato (ainda que derrotado no 1º turno) todos no PSB nordestino alimentavam a expectativa de negociar, num eventual segundo turno, um quinhão de poder, seja com Aécio ou Dilma.

Dona Renata, Ana Arraes e Antonio Campos terão predileções especiais para alimentar o noticiário, todavia vai ser a equação individual de cada liderança órfã do PSB nordestino quem vai ditar os rumos do partido.

Marina Silva vai precisar de disposição e jogo de cintura capaz de superar esta dura realidade após o sepultamento de Eduardo Campos no Recife.

Sendo assim concluo que será antinatural que Marina Silva substitua Eduardo Campos na corrida presidencial. Se isto ocorrer já terá sido uma grande vitória de Marina Silva, da REDE e do PSB. Como tudo que é antinatural será uma relação altamente tensa e conflituosa. As partes vão avaliar criteriosamente se vale a pena correr este risco político. Eduardo Campos já morreu, logo o que vão decidir diz respeito aos que ainda estão vivos no processo eleitoral. Eduardo Campos sinalizava com um cobertor mínimo aos seus parceiros de audácia, não sei se Marina Silva fará o mesmo gesto aos dirigentes do PSB e a seus seguidores da REDE. Neste ponto reside toda a antinaturalidade da ascensão de Marina Silva para o posto de candidata a presidente.

(*) Ronaldo Franco, advogado

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