A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

11/01/2012 07:05

O Papa e o Casamento Gay

Por Vladimir Polízio Júnior*

Em 1997, os músicos do grupo Planet Hemp foram presos logo depois de um show em Brasília. O motivo da atuação policial foi a suposta apologia ao uso de substâncias entorpecentes com a canção “Queimando Tudo”, em que se dizia ”eu canto assim porque fumo maconha”, “eu continuo fumando tudo até a última ponta”, “olhe pra mim, veja as pupilas dilatadas; é a mente trabalhando, eu não vou te fazer nada; sinta os efeitos da fumaça sonora, e não se esqueça; Planet Hemp, fazendo a sua cabeça”. Ao final, prevaleceu o bom senso, e os músicos cariocas foram absolvidos, porque a justiça entendeu se tratar de manifestação de pensamento, de simples opinião favorável à legalização das drogas, maconha especificamente.

Daí que as declarações do Papa Bento XVI, destaque na edição de 10 de janeiro dos principais jornais, de que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, prejudicando "o próprio futuro da humanidade", salientando ainda que as crianças precisam de "ambientes" adequados para a educação, e "o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher", devem ser encaradas como manifestação livre e consciente de pensamento, nada mais. Qualquer interpretação diversa é equivocada, ainda mais porque se trata do representante de uma religião, que tem todo o direito de expressar os dogmas de sua fé aos seus pares.

Isso não é discriminação. Se fosse, não haveria liberdade de expressão, garantia insculpida no art. 5º, IV, da Constituição Federal, porque a mera opinião sobre determinado assunto, por mais relevante e polêmico que fosse, poderia resultar na prática do crime de “discriminar”. Castro Alves, abolicionista muito antes da Lei Aurea, de 1888, pregava nos seus textos a fuga dos escravos, e na época já se entendia se tratar de manifestação de pensamento. Por isso, pode o Papa ser contra o casamento gay ou o sexo antes do casamento, da mesma forma que um judeu pode acreditar que Jesus foi um profeta, ou então um protestante que as imagens de santos são bobagens. O problema apenas surge quando um tenta provar ao outro que seu pensamento é o certo, e aí é que nasce a intolerância. Discriminar é ser intolerante com os que pensam diferente, e menosprezá-los por isso. Opinar, como fez o Papa, é outra coisa.

(*) Vladimir Polízio Júnior, 41 anos, é defensor público

(vladimirpolizio@gmail.com)

Quando, também na escola, se dialoga sobre as religiões
Temos percebido uma crescente preocupação acerca do papel social da escola e da educação que acontece neste espaçotempo. Numa perspectiva de sociedad...
19 anos de Código de Trânsito Brasileiro
No dia 22/01/17, o atual Código de Trânsito Brasileiro completa 19 anos de vigência. Após 31 Leis que o alteraram, com o complemento de 655 Resoluçõe...
Previdência Social: verdades e mentira
Com a reforma da Previdência, e já que acabaram com o Ministério da Previdência, vários ministros dispararam versões sobre o tema, mas como não sabem...
Chacina e colapso nas prisões brasileiras
Nestes poucos dias do Ano da graça de 2017, o Brasil e o Mundo viram estarrecidos o massacre brutal de cerca de pelo menos 134 detentos, dentro das p...



O Dr esta corretissimo na interpretacao e lamentavel q , pessoas q entendem q casamento gay e certo , nao aceitem q em nossp pensamento e errado !! Por isso pensamos q sao pessoas doentes e eles pensam q nao sao numca chegatemos ao certo !!! Mas pensamos diferentes e temos q acatar isso
 
Jose geralsdis em 11/01/2012 02:18:52
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions