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07/10/2013 14:10

O que uma criança tem a ensinar a um empreendedor?

Por Orlando Oda (*)

Relembre, traga de volta a criança que perdemos quando crescemos. A criatividade, o interesse em ouvir, prestar atenção em tudo, a paciência, nunca desistir, chorar e continuar acreditando que vai conseguir são as habilidades indispensáveis para ser bem sucedido como empreendedor. Já desenvolvemos estas habilidades quando crianças. Por que esquecemos?

Certamente o dia das crianças nos remete ao passado e lembranças de quando éramos crianças. Quais as lições importantes que podemos tirar deste passado ou das experiências um pouco mais recentes que vivemos como pai de família? Afinal, ser empreendedor é ser pai de uma empresa e a diferença é que provavelmente temos muito mais filhos para cuidar.

Como pai de família passamos por noites pouco dormidas, poucas horas de sono, muitas preocupações com a saúde, com o futuros dos filhos, com a alimentação, com a educação, com o desenvolvimento pessoal. Cuidar para que as crianças cresçam, ganhem estatura, fiquem fortes, etc.

Faz parte do currículo do empreendedor dormir pouco, passar por poucas horas de sono, preocupar com o dia de amanhã, preocupar com a saúde financeira, com os funcionários. Cuidar para que a empresa cresça, ganhe volume, tenha mais participação no mercado, etc.

O primeiro grande desafio da vida do homem é aprender a andar. Usamos a criatividade para levantar, segurando na perna da nossa mãe. Creio que ninguém ensina isso a uma criança. Depois tentamos andar soltando a mão da perna da mãe. Caímos, levantamos, caímos, choramos porque a batida na cabeça doeu muito, mas cinco minutos depois, levantamos e tentamos andar novamente. Por que fizemos isso? Por que nunca desistimos de andar?

O primeiro grande desafio do empreendedor é fazer a empresa sair do chão, fazer crescer. Não há onde agarrar, dependemos só da nossa força de vontade. O aprendizado de levantar, cair, levantar, cair, chorar, levantar até aprender a caminhar por si faz parte da rotina empreendedor. Mas muitas vezes desanimamos e desistimos. Se fossemos bebês desistiríamos? Com certeza a resposta é não. Por que o bebê nunca desiste?

Simplesmente porque não existe na cabeça da criança o pensamento “não conseguir andar”. Não me lembro o que eu pensava quando tinha 10 meses, mas penso que nunca tive nenhuma dúvida do tipo “será que vou conseguir andar?” ou “quando vou conseguir?” ou “quanto tempo vou levar?”.

Por que nos esquecemos desta valiosa lição quando crescemos? Se já superamos um obstáculo tão difícil que era levantar e caminhar livremente com as nossas duas pernas quando ainda pequeninos com pouca força nos pés, por que desistimos diante da primeira queda como empreendedor? Simplesmente é questão de crença: não acreditamos tanto quanto acreditávamos quando bebês. Na criança só existe o pensamento “vou conseguir!”.

O segundo grande desafio da criança é aprender a falar. Mais uma vez a crença e a paciência vencem a batalha. É verdade que contamos com a ajuda dos nossos pais para vencer esta batalha. Como aprendemos a falar? Ouvindo, ouvindo, ouvindo, tentando falar, repetir, repetir até dominar a arte de falar.

Aprendemos que o que fala, as palavras que usamos fazem as coisas acontecerem. Antes precisava chorar para chamar a atenção dos pais. Agora podemos falar para conseguir o que queremos. Basta falar para aparecer o objeto que deseja. Incrível: a palavra cria as coisas que desejamos. Basta usar a palavra correta para conseguir o que deseja.

O segundo desafio que o empreendedor precisa aprender também é falar. Falar aos seus clientes o que eles querem ouvir: algo que satisfaça as suas necessidades. Como conseguir entender os clientes? Ouvindo, ouvindo, ouvindo, tentando entender o que eles estão falando, necessitando. Repetir, repetir, repetir até conseguir produzir produto ou serviços que atendam às expectativas dos nossos clientes.

O empreendedor precisa falar para os funcionários para que eles produzam e hajam de acordo com o seu pensamento, seu desejo. Mas muitas vezes esquecemos da lição de quando éramos criança e não falamos, transmitimos corretamente o que desejamos aos funcionários, fornecedores e clientes. Utilizamos palavras não apropriadas e até erradas que acabam criando situações confusas, conflitantes e desconfortáveis.

O terceiro desafio da criança é aprender a compartilhar. A família aumentou e chegaram novas companhias: seus irmãos, suas irmãs. Compartilhar espaço, compartilhar brinquedo, compartilhar a atenção dos pais, dos tios e das tias. Além de compartilhar precisou aprender a brincar com outras crianças e viu que era mais divertido.

O terceiro desafio do empreendedor é aprender a compartilhar a empresa. A empresa cresceu, tem mais funcionários, mais fornecedores. O espaço ficou pequeno, tem mais departamentos. Tem que dar atenção a todos, precisa aprender a trabalhar com várias pessoas. Precisa descobrir que é divertido e desafiador gerenciar um grande número de pessoas.
Podemos enumerar várias outras experiências já vividas como criança que poderiam ser muito úteis no dia a dia do empreendedor. Não foi em vão que Jesus disse: “sejam como crianças para entrarem no Reino dos céus”.

Evidentemente, ser criança não quer dizer ser infantil. É ser criança mentalmente, forte, alegre e feliz. É ouvir a voz da criança interior, confiar, ouvir mais, persistir, ser flexível, estar aberto a novas informações, querer aprender novas formas. Viva o dia das crianças!

(*) Orlando Oda é administrador de empresas, mestrado em administração financeira pela FGV e presidente do Grupo AfixCode.

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