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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

03/01/2011 08:53

Praça Antônio João

Por Tácito Loureiro (*)

O povo douradense esperou mais do que deveria e a nova praça finalmente saiu. Mas durante a reforma muitas árvores foram cortadas. Em pleno século XXI, arrancar árvores só porque as folhas caem no chão e encher de concreto o espaço público não demonstra inteligência. Como se permite uma coisa dessas?

Conforme a nossa Constituição da República Federativa do Brasil: “Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações”.

Por outro lado, cortam-se as árvores na praça, e ninguém reclama, e ninguém é punido, e fica por isso mesmo. Se alguém autorizou o corte das árvores, sinto muito. Se a sociedade fosse mais evoluída, não seria assim. Os Vereadores iriam, com certeza, reclamar na Câmara Municipal e na imprensa. Aliás, se fosse mais evoluída ainda, provavelmente as árvores nem teriam sido cortadas.

Cadê os ecologistas? E o líder petista Vereador Elias Ishy de Matos − PT, que muitas vezes se colocou enquanto “defensor do meio ambiente”, o que diz a respeito? O que vai fazer? Eu gostaria de saber a opinião dele a respeito do assunto.

Para agravar a situação, as mesas colocadas na praça, que servem para praticar a dama e o xadrez, e outras atividades, ficaram sem cobertura. Tanto o sol quanto a chuva atrapalham quem busca o lazer no local. Alguém, na hora de projetar a nova praça pública, esqueceu disso.

Conforme informação disponível no endereço virtual do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE): “A exposição excessiva aos raios solares – mesmo durante o inverno - e sem proteção pode aumentar e muito a probabilidade de contrair essa doença, que corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil.”.

Estabelece a Constituição da República Federativa do Brasil: “Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Diante disso, bem que poderiam a Prefeita Délia Godoy Razuk e os Vereadores darem o belo exemplo: irem pessoalmente plantar árvores na Praça Antônio João. Ou solicitarem logo o serviço. Para comprovarem o quanto são preocupados com o meio ambiente.

A compensação ambiental, com o plantio de novas árvores na Praça Antônio João, é medida necessária. Ainda mais em uma cidade tão quente como Dourados, e que tem a imagem de “Cidade Universitária”. Pressupõe-se viver nela pessoas educadas, conscientes. Evoluídas.

Por fim, em defesa da sociedade, cabe ainda ao Ministério Público apurar se houve crime ambiental no local.

Resumindo-se: ou árvores são plantadas na Praça Antônio João ou a cidade de Dourados conta com autoridades omissas, e insensíveis à causa ambiental e, portanto, pouco preocupadas com a qualidade de vida da população.

Espera-se justamente o contrário: que ações efetivas sejam rapidamente tomadas em benefício do meio ambiente e contra o câncer de pele, na Praça Antônio João. Porque pior do que o calor insuportável talvez seja a falta de consciência ambiental e, claro, o prejuízo ao meio ambiente e à própria saúde humana.

(*) Tácito Loureiro é advogado.

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