A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

11/10/2013 13:02

Reflexões no aniversário de Mato Grosso do Sul

Por Jorge Eremites de Oliveira (*)

No dia 11 de outubro de 1977 foi criado, em plena ditadura militar (1964-1985), o estado de Mato Grosso do Sul, implantado em 1979. Foi a realização de um sonho para grande parte das elites políticas e econômicas do antigo sul do estado, mas não para toda a população.

Veja Mais
Cinco ações que devem ser evitadas em 2017
A aviação e suas regras

Ocorre que na época os eleitores não foram consultados, por meio de um plebiscito, para a tomada da decisão: nem para saber se queriam a divisão, tampouco para escolher o nome da nova unidade da Federação. Na verdade, a vida de grande parte da população da região seguiu no mesmo ritmo de antes, sem grandes alardes em termos de melhoria da qualidade de vida.

Paradoxalmente, a vida melhorou, e muito, para as elites políticas sul-mato-grossenses: enriqueceram-se ainda mais com esquemas de corrupção e ganharam novos assentos no Congresso Nacional para se locupletarem com o poder.

O autoritarismo, portanto, é o pecado capital de Mato Grosso do Sul, estado que nasceu com grandes promessas de ser exemplo de desenvolvimento, gestão administrativa etc. Mato Grosso, ao contrário, chegou a ser apontado como um estado atrasado em vários sentidos, ficando, à época, com menos municípios e dívidas significativas a pagar.

Na verdade, havia muita rivalidade entre as elites políticas regionais e até mesmo entre parte da população do norte, representada por Cuiabá, e do sul, representada por Campo Grande: a primeira cidade, com uma longa história, centro do poder político-administrativo, identidade marcante e muitas tradições; a segunda, mais jovem, virou capital e cresceu muito por conta, também, de investimentos públicos, mas ainda hoje parece querer construir para si, normalmente de cima para baixo, uma identidade cultural e galgar ao status metrópole.

Neste contexto, artistas, intelectuais e políticos de Campo Grande apropriam-se até de representações sobre o Pantanal e a cultura pantaneira para a construção de sua identidade, embora a cidade esteja instalada no bioma Cerrado e distante daquela planície de inundação.

Passados mais de três décadas da divisão, os dados econômicos mostram exatamente o contrário das previsões publicadas em jornais e revistas de circulação nacional: Mato Grosso superou, e muito, Mato Grosso do Sul em termos econômicos, inclusive com o poder político de levar para Cuiabá uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

Para complicar ainda mais a situação, para grande parte da população brasileira e até mesmo da mídia nacional, parece haver um único estado: Mato Grosso. E quando querem se referir aos dois, não é raro ouvir dizer “Mato Grosso do Norte” e “Mato Grosso do Sul”, ora misturando as capitais dos estados, causando descontentamentos aqui e acolá.

Os “do Sul” fazem questão de que o nome do estado seja pronunciado por completo. Já foi feita até a proposta de mudança do nome de Mato Grosso do Sul para Pantanal, algo que chegou a ganhar certa simpatia na mídia, mas mostrou-se anacrônica, casuísta, oportunista e sem grandes propósitos.

Há, contudo, vários assuntos que ainda não foram devidamente estudados quanto ao tema divisionismo e criação de Mato Grosso do Sul. Apontarei apenas três deles. O primeiro é entender que o movimento divisionista não era algo homogêneo e alastrado pela população de todas as cidades meridionais; era coisa de elites políticas e econômicas. O segundo é entender o processo de invenção histórica, política, econômica e sociocultural do “sul do antigo Mato Grosso” e de Mato Grosso do Sul.

A terceira diz respeito a questões de natureza histórica e sociocultural, pois municípios como Corumbá e Ladário possuíam e ainda possuem fortes vínculos com Cuiabá, Cáceres e outras antigas cidades pantaneiras de Mato Grosso, ligadas pelo rio Paraguai. Mesmo assim, ficaram no sul. Por outro lado, parte da população de Rondonópolis identificava-se mais com Mato Grosso do Sul do que com Mato Grosso. Assuntos desta natureza podem parecer menos importantes, mas valeriam a pena ser estudados com mais afinco.

No mais, registro aqui meus parabéns à população de Mato Grosso do Sul neste dia 11 de outubro de 2013. Desejo-lhes um futuro melhor e que esta seja uma data oportuna para profícuas reflexões sobre nossa história e nosso devir.

(*) Jorge Eremites de Oliveira é professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas.

Cinco ações que devem ser evitadas em 2017
Ao fim de cada ano, realizo uma pesquisa com funcionários de empresas de todo o Brasil para avaliar quais foram as coisas que mais impactaram na prod...
A aviação e suas regras
A aviação conseguiu, em menos de um século, aproximar os continentes, as empresas e, principalmente, as pessoas. Foi uma evolução tão rápida que não ...
Lei Orgânica da Assistência Social – 23 anos
Nos últimos anos, a Assistência Social vem construindo uma nova trajetória, organizando-se sob novos padrões e afirmando-se como parte integrante do ...
Morre no trânsito o equivalente a 2 aviões da Lamia lotados por dia
Por dia, no Brasil, morrem em acidentes de trânsito o equivalente a ocupantes de dois aviões da Lamia, que transportava o time inteiro da Chapecoense...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions