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11/12/2011 10:28

Reflexões sobre qualidade de vida

Por Bruno Peron Loureiro*

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, da sigla eminglês) previu que seríamos 7 bilhões até outubro de 2011. A preocupação emtorno do aumento populacional tem sido constante em meus escritos. Como seassegurará a "qualidade de vida" a tantas pessoas se a maioria padece dadistorção de algum de seus vértices?

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A resposta orienta-se pelo conceito de "qualidade de vida",que é mutante, subjetivo e distinto de quantidade. Fontes infindáveis de informaçãoatribuem sentidos a este termo, cuja importância se evidencia na canícula dassociedades modernas.

Este destaque deve-se a que se confunde o sentido do conceitocom os avanços técnicos, que trazem muitas vezes novos desafios e denigrem a"qualidade de vida". O automóvel passa de ser facilitador dos transportes paratornar-se agente de contaminação atmosférica, problemas respiratórios eestresse.

Os conceitos de "qualidade de vida" costumam abrangeraspectos biológicos (bem-estar, condicionamento físico, propensão a doenças),culturais (hábitos de infância, convívios sociais, vicissitudes, meios deformação e informação), e econômicos (renda, capacidade de consumo).

É leviano remeter ao tema sem considerar ao menos estas trêsfacetas do que atribui qualidade à vida, uma vez que a carência em qualquer umadelas impede o usufruto desta dádiva em sua plenitude.

O Brasil assiste a um momento contraditório de seudesenvolvimento, haja visto que a pujança de sua economia não se tem convertidoem rendas bem distribuídas devido ao modelo de exploração de mão-de-obra erecursos naturais. Há um encanto injustificado por atores que não pensam nocívico e o público, como as empresas transnacionais.

Não obstante, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas(IPEA) divulgou um estudo que aponta aumento de 146% nos gastos sociais dogoverno federal de 1995 a 2009. As áreas envolvidas são: educação, trabalho,saúde, habitação, entre outras.

Agrega-se que o Ministério do Trabalho acusa que houveaumento de contratação de estrangeiros no Brasil. O país emitiu, no primeirosemestre de 2011, 26,5 mil autorizações de trabalho, que se concentram nasáreas de infraestrutura, engenharia e tecnologia.

O Brasil possui inserção privilegiada no circuitointernacional em comparação com outros países historicamente colonizados eexplorados devido à capacidade ingente de produzir riquezas e exportá-las, noentanto indispõe-se internamente com os problemas clássicos dosubdesenvolvimento.

Como conciliar a "qualidade de vida" dos brasileiros com aremessa exportadora de nossos melhores alimentos e insumos industriais,enquanto a miséria e o descaso ainda assombram as favelas e nos encarecem osrecursos que testificariam - em vez de desmentir - nosso lugar como "paísemergente"?

A cooperação internacional - em vez da subserviência - temsido a opção de ministros e chefes de Estado para melhorar a "qualidade devida" ao combater a fome, a guerra e a pobreza. É inconcebível que se tenhatantas opções de consumo nas regiões mais avançadas tecnicamente enquantonoutras é preciso caminhar quilômetros com baldes de água na cabeça para saciara sede da família.

Economistas criaram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)em 1990, que mede a renda per capita,a expectativa de vida e a educação (índice de analfabetismo e matrículaescolar) dos países. A classificação baseia-se na variação de 0 a 1, sendo maispositiva e medição que se aproxima do 1.

O entendimento de "qualidade de vida" requer desanuviarconfusões e dogmas que recheiam o conceito a fim de que a inserção de cada umadas sete bilhões de pessoas seja a mais ativa e saudável possível.

Podemos e devemos ser agentes do processo de desenvolvimentoque contempla os aspectos biológicos, culturais e econômicos descritosanteriormente. A alimentação, os meios de convívio, os bons pensamentos e ainteração política reduzem a culpa do acaso e nos conferem maiorresponsabilidade sobre o grau de qualidade com que vivemos.

Clichês são válidos para esta finalidade, como o de agirlocalmente e pensar globalmente, pois somos mais dependentes de processos dealém-mar.

Quem delibera sobre sua "qualidade de vida": você ou oacaso?

(*) Bruno Peron Loureiro é articulista

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