A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 03 de Setembro de 2015

10/02/2014 13:57

Relação entre protesto e violência

Por Bruno Peron (*)

Entre os ditos “Deus escreve certo em linhas tortas” e “Deus é brasileiro”, não sei qual é mais suscetível a ser mal interpretado no Brasil. Eles diferem em que o primeiro é consolador diante das dores infindáveis, enquanto o segundo, bajulador porque massageia nosso ego. Mas também se assemelham: o Brasil é o lugar onde o erro e o acerto, a dor e o prazer, desde sempre se alternam em seu território.

Veja Mais
Alternativa para driblar a crise
O lado negro das startups

Passada a euforia do fim do mundo, que de fato pegou muita gente de assombro e precaução, no Brasil o melhor e o pior do mundo acontecem. Tendo recebido o cetro da modernidade europeia, o decurso de poucos séculos tem mostrado combinações étnicas, culturais e sociais que nenhum outro país experimenta. Contudo, estamos ainda por auferir o resultado das expansões ultramarinas enquanto civilização nova, distinta e imprevista; temos tido motivo para crer que “Deus é brasileiro” como resultado do orgulho da terra nova e do sangue novo.

Mas a pior parte deste relato histórico ficaria ainda devedora de explicação: por que, numa terra de gente alegre e terra fértil, reside também o pior do mundo, onde a violência tem expressões também criativas? Como contrariedade de todo progresso, as promessas da modernidade alongam-se diante das sombras. Não se oculta a existência de um lado sombrio que aturde as expectativas e os otimismos.

O objetivo deste texto é propor uma discussão sobre a relação ilegítima e nebulosa que se estabelece no Brasil entre protesto e violência. As demandas de protestos não só ocorrem de forma lúdica, ao som de tambores e “brados retumbantes”. Não é à toa que a população deste país vive num cenário frequente do pior do mundo. Narrativas jornalísticas revelam os êxitos e os malogros do crime em aspectos variados: estações de bicicletas do Bike Sampa fecham devido ao vandalismo, arrastões amedrontam donos e frequentadores de restaurantes, motoristas tomam tiro dentro de seus veículos após assaltos, índios desaparecem de suas aldeias.

Há uma crise de competências (quem faz o que, quem é responsável por fazer o que) na qual a pólvora dispersa-se com rapidez, mas todos tiram o corpo quando acende uma faísca. Deveres laborais viram luta pela garantia de sobrevivência. Não é por força do acaso que ônibus continuam sendo queimados em várias cidades brasileiras como forma de protesto em estilo “tiro no pé”. Ou seja, vândalos fumigam bens necessários a eles próprios e deixam centenas de pessoas sem transporte público para chamar atenção de autoridades que não andam de ônibus.

Porque as formas de protesto têm variado de acordo com a criatividade, temos exemplos desde os cartazes de brasileiros contra sexismo e xenofobia na Universidade de Coimbra até os “rolezinhos” nos shoppings. Esta modalidade última de protesto é tudo o que as classes médias e altas não queriam: jovens da periferia frequentando os mesmos espaços de consumo das madames e socialites.

Na medida em que os protestos assumem contornos novos de acordo com a criatividade – o que brasileiros temos em excesso, é certo –, acompanhamos a falácia dos discursos oficiais e a revelação de uma crise de governança no Brasil.
Há que primeiramente entender o motivo dos protestos para, em seguida, propor medidas que atendam às necessidades de quem protesta e não às suas veleidades. Isto significa que nem todo protesto é cabido e pertinente; assim um “rolezinho” pelas escolas brasileiras seria mais interessante que pelos shoppings a fim de promover espaços educativos para todos em vez de celular caro para muitos.

Neste ínterim, labora-se para reduzir a violência nos movimentos de protesto a despeito da dificuldade de evitar a infiltração de pessoas mal-intencionadas. A justiça e a paz imperarão onde o desejo do bem coletivo seja maior que o de saciar instintos primitivos. Logo que se dissipem as trevas, acredito que o Brasil triunfará como cenário do melhor do mundo, onde qualquer Deus vai querer ser brasileiro.

(*) Bruno Peron, acadêmico e articulista

 

Veja Também
Alternativa para driblar a crise
O difícil cenário político e econômico do país vem afetando fortemente as empresas, principalmente as de menor porte. Em tempos de retração, as dívid...
O lado negro das startups
Em menos de uma década, a palavra startup saiu do desconhecido para ocupar uma posição consolidada no senso comum de muita gente. Quando se fala em d...
Autoridades, assumam sua responsabilidade!
Todos assistimos preocupados ao agravamento da situação no município de Antônio João. Há semanas a imprensa e setores ligados aos produtores e à comu...
27 de agosto, dia nacional do corretor de imóveis
No dia 27 de agosto, nós, corretores de imóveis, comemoramos o nosso Dia Nacional. Foi nessa data, em 1962, que o senador Auro Moura Andrade, preside...


O futuro do Brasil não cabe dentro de um contexto socialista/comunista....Se Deus for realmente brasileiro ele nos guardará deste temível destino!!
 
gladis alaia em 10/02/2014 14:43:32
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions