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19/12/2011 19:05

Rodovia Guaicurus - Juca de Matos

José Tibiriçá Martins Ferreira*

Há muito tempo temos assistido reivindicações para ampliação da Rodovia Guaicurus que tem início no pé da Figueira histórica onde está instalada a Empresa Comid, sede da antiga fazenda Noronha que ia até a curva da pedreira douradense, parte dela pertencente hoje a Adir Xavier de Matos.

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Antes do asfalto construído a partir de 1978 o trecho já tinha problemas, pois para se chegar a Itahum e Maracaju, caminho onde os caminhões percorriam para trazer as mercadorias, ficavam atolados no trecho. Com a chegada da Brigada, Aeroporto e a implantação da Faculdade de Agronomia e outras empresas, havia um motivo a mais para a chegada do asfalto, pois interessava ao governo federal.

Aos poucos outras empresas foram se instalando na região, duas universidades se solidificaram, sendo que as rodovias nos horários de pique tornaram-se perigosas e agora com a liberação do anel aviário o tráfego aumentou ainda mais.

Então sua ampliação tornou-se irreversível, bem como a reforma da Juca de Mattos, pois o acostamento sumiu, só existe pedregulho, mas como todas as obras são iniciadas no ano eleitoral, possivelmente esta terá também tratamento em 2012, pois nossos deputados devem ter se lembrado dela também. Na semana houve um atropelamento de dois ciclistas que se dirigiam da Picadinha para o Cerrito, pois ambos trabalham na UFGD e como não existe mais acostamento vinham pelo asfalto.

Aproveitando o momento vou tecer um comentário sobre o nome da Avenida Guaicurus, pois nem aos recrutas no período básico é narrado sobre o porquê da homenagem aos índios cavaleiros, montados em pelo com a lança na mão. Isso já nos foi ensinado quando estudávamos história do Brasil e hoje não se ensina nas salas de aula, não sabemos o motivo.

A denominação história de Brigada Guaicurus foi uma justa homenagem aos índios Guaicurus, exímios canoeiros e destemidos cavaleiros que, com o seu modo de vida campesina, mudando frequeentemente em busca de pastagens para suas manadas, foram senhores das planícies entre os Rios Apa e Miranda, contribuindo para a conquista e manutenção de grande parte da fronteira sul-mato-grossense.

A Fronteira Oeste foi ocupada militarmente a partir do século XVIII, sendo ciradas as primeiras Colônias Militares no ano de 1855, nas localidades de Brilhante e Nioaque e em 1856 foi fundada a Colônia Militar dos Dourados. Devido ao surgimento das primeiras questões de limites com o Paraguai, ganharam sua verdadeira conotação bélica. A primeira resistência encontrada pela força adversária foi a Colônia Militar dos Dourados, onde Antonio João tombou com mais 15 soldados.

A eles atribuem-se também importantes participações em episódios da História brasileira, como “o não estabelecimento dos paraguaios acima do rio Apa, numa época em que, primeiro aos portugueses, depois aos brasileiros, era materialmente impossível impedí-los.” No curso da guerra do Paraguai lutaram ativamente ao lado das tropas brasileiras, mas sempre independentes, como uma força à parte, movida por motivações próprias e exercendo a guerra a seu modo” (Ribeiro, 1996).

Resistiram com grande poder de adaptação, chegando até à segunda metade do século XIX com força para impor temor aos inimigos. Atravessaram o século XX mantendo fortes traços culturais conseguindo chegar ao século XXI conservando certo grau de independência e a posse de uma reserva territorial cuja área encontra-se dentro do Município de Porto Murtinho (MS). Hoje, estão representados pelos Kadiwéu, remanescentes da divisão de antigas tribos Mbayá-Guaicuru. Sobreviventes que, mais uma vez, tentam adaptar-se ao processo civilizatório.

Símbolo de resistência contra a desculturação compulsória, os Kadiwéu têm uma História que o povo brasileiro deveria conhecer melhor, não apenas pela ferocidade com a qual foram julgados bárbaros e cruéis no passado, mas pela capacidade de lutar em defesa do território brasileiro. A participação dos indígenas na Guerra contra o Paraguai, foi de suma importância ao lado do exército brasileiro na luta contra os paraguaios, como soldados e conhecedores da região, tornando-se, assim, ótimos guias, responsáveis pelo abastecimento dos gêneros alimentícios para os soldados brasileiros, tanto nos acampamentos da região, quanto em suas próprias aldeias. Essas também servindo como refúgios para os não índios, como, por exemplo em Pirainha, aldeia Terena próxima à Serra de Maracaju.

Esses fatos podemos encontrar nos registros do Visconde de Taunay que mencionou a chegada de parte do exército brasileiro em uma das aldeias Terena, demonstrando a relação que havia entre o exército brasileiro e esses índios, afirmando que: “ Na realidade numa volta além, achava-se a aldêa, cujos ruidos cada vez mais intensos, denunciavam a vida e a animação do trabalho. (...) Significava o final de todos os nossos soffrimentos! Alegrava-nos o espirito e o corpo, abrindo largos horizontes ao nosso direito de compensações, após tão longos dias de tamanho penar e tamanhas privações... (...) Foi a reacção estrepitosa [dos índios].Explicamos a razão de nossa chegada, e quasi andando aos braços, no meio daquella boa gente [os Terena], fomos a ter á casa do capitão José Pedro, que nos acolheu, não como um chefe de indios [Terena] mais como um filho da civilização. (...) Passou-se a noite em narrar a José Pedro os factos que haviam precedido a guerra com o Paraguay e os nossos triunphos do sul que muito o enthusiasmaram. Falou-nos, com verdadeiro respeito do Imperador e de suas altas attribuições. Mostrou-se reconhecido á benevolência, que o monarcha brasileiro nutria pelos índios. Narrou-nos, com cores vivas, a invasão em suas diversas phases. Elogiou o comportamento de vários indivíduos de sua tribu (...) deu-nos provas de inteligência clara e capaz de desenvolvimento. Sabia ler e escrever este capitão; (...) organizara uma escola de meninos, em que figuravam os seus dous filhos e sempre se mostrara affeiçoado aos brasileiros, a elles se achegando nas horas de infortunio. Os índios Terena foram incorporados à Guarda Nacional, assim como os demais índios. No entanto, eram eles, os Terena que compunham o maior número com 216, Kinikináo, 39 e Laiana, 20, que habitavam as aldeias próximas a margem do rio Aquidauana. Na liderança desses índios, encontrava-se José Pedro, capitão dos Terena, título concedido a ele pelo Frei Mariano de Bagnaia, e confirmado oficialmente pelo Império brasileiro em 1867, devido ao respeito e obediência que os indígenas tinham com ele.

Devido à participação dos índios Guaicurus, através do Imperador Dom Pedro II, foi concedido a eles como recompensa uma área de terra na região de Bodoquena de 373.024 hectares e segundo se noticia, encontra-se devidamente demarcada.

(*) José Tibiriçá Martins Ferreira é advogado, segundo tenente reservista e produtor rural no distrito de Picadinha.

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