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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

16/01/2014 11:00

Rolezinhos aqui? Os jovens não poderão participar?

Por Ruy Sant’Anna (*)

Rolezinho é a bola da vez cujos seguidores não sabem que podem estar sendo sondados, pesquisados pela polícia, a partir da primeira manifestação em encontro.

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Em primeiro lugar quem convoca um “rolezinho” tem que levar em conta que a polícia pode localizar de qual máquina e internauta saíram as convocações. Claro, em princípio também se espera que nenhuma autoridade policial vá entrar em todos os Faces e demais meios sociais de comunicação, sem autorização judicial. Muito menos se espera que algum juiz possa facilitar concessões proibidoras e segregadoras do direito de livre locomoção. Mesmo que em locais privados como os shoppings. Porque afinal, de alguma forma essas e esses jovens e crianças mesmo, são ou serão compradores em potencial em algum momento ou dia.

Uma das molas impulsionadoras dos rolezinhos são as garotas e os garotos que são buscadas para “aquele beijo na boca”; aquele se dar bem com alguém; conhecer outras pessoas; comunicar-se e testar seu poder de sedução, e por aí vai. Os shoppings têm as últimas novidades. E tudo é agregado aos visitantes até a sensação de estar sendo observado e/ou admirado, libera a euforia e alegria de viver aqueles momentos.

Caso esses sinais claros não forem objetivamente entendidos e ao contrário sejam distorcidos com aparatos policiais que tanto podem assustar a juventude e as crianças, com o medo e pânico dominando reações, também tem o lado da adrenalina que estimula mais ação, como a resposta de retribuir a violência com a violência.

Disso os black blocs, a qualquer momento podem tirar vantagem e usar da máscara do entendimento das necessidades dos que fazem rolezinho para “se identificar” com eles e partirem para a ignorância ampla, roubo, assaltos e sequestros relâmpagos ou não.

Essa é uma das vertentes culpadas pela leitura errada sobre os rolezinhos, tanto dos comerciantes, administradores de shoppings, polícia e judiciário, que só vê o mal ou divide o mundo entre o certo e o errado.
A sociedade brasileira apavorada com a corrupção e tantos homicídios diários está misturando todo esse caldo roxo-vergonhoso no mesmo caldeirão onde quer jogar os rolezinhos.

Se essa mistura se firmar, ficará cada vez mais difícil separar origens tão diferentes quanto deletérias. Digo mais: a presidente Dilma, que já convocou reunião para analisar essa situação que pode se tornar realmente em problema mais grave, tem de analisar coerentemente a questão.

Cabe ao governo federal, como o centralizador das verbas da União, criar o primeiro programa de entendimento e oferta de um plano que acolha e ofereça distração e possibilidade de livre manifestação para crianças e jovens, como eles querem.

Isso tem que ser fixado às claras, sem meias palavras e intenções mal disfarçadas. A população de crianças e jovens não está interessada, minimamente sequer, em política ou facção política. Muito menos em reeleição.

Gente, menina de 15 anos apanha de cassetetes por “culpa” de querer se divertir... E juiz, na Capital paulista, ainda determina multa de R$ 10 mil por dia contra quem for pego em rolezinho. Meu Deus, o que é isso? Direito é bom senso. Justiça é o principio básico para atender a ordem social para preservar direitos, atendendo à lei e não apenas ao livre convencimento do magistrado.

A justiça tem que observar os dois lados de uma questão. Se existe o lado da preservação da propriedade e segurança, tem que atentar também para o direito do ir e vir, explícito na diversão dos rolezinhos. O lado social de quem não deve ser discriminado nem violentado com cassetetes ou sprays de pimenta, tem que ser respeitado sim. Nenhum desses brasileirinhos deve ter apontado sobre sua cabeça uma arma com bala de borracha. Nem humilhados com atitudes desrespeitosas que os exponham à execração pública de passantes, muito menos através da imprensa.

Sabemos que os bandidos torcem para que os rolezinhos sejam estigmatizados e agasalhados pelos “amigos protetores” desse público, que tem muito de ingênuo apesar de sempre querer “se dar bem com as minas e com os fofinhos”.

O que está assustando os shoppings é a extravasão da alegria, das correrias e cantorias em ritmo de funk, mesmo sem voz de comando reivindicatório. Mas, tudo parece levar para o lado político eleitoral por quem deveria cuidar do legítimo direito de diversão das crianças e jovens que estão sendo rotulados como se fossem de mau caráter ou bandidos mesmo. Coisa que realmente não são.

Todos querem se sentir bem e útil, mas, principalmente, não ser discriminados. Como qualquer um de nós. Afinal essas crianças e jovens sabem, perfeitamente, que o futuro é hoje. Sabem que não existe o futuro, se não viverem bem no presente. Sobretudo essas irmãzinhas e irmãozinhos têm de ser estimulados a crescer tanto física. mental, quanto intelectualmente.

O assunto rolezinho não pode ficar fechado secretamente ou deixado para que o jogo de empurra se estabeleça. Conversa de gabinete, notas bombásticas e/ou entrevistas pré-programadas, só piorarão. Não pode ficar apenas na limitação do acesso dos jovens. Individualmente pode. Em grupo, nem pensar? A questão é mais séria e ampla!

Por último, qual o critério para se proibir a entrada ou não nos shoppings? Até agora, pelo que se vê na imprensa, não existe critério. Está indo no olho discriminatório. Bem vestido, pode? Mal vestido, não pode? Cabelo arrumado pode? Em desalinho, não pode? Pela clara, pode? Pele negra, não pode? Bem calçado, pode? De chinelo, ou de tênis muito rodado, não pode? Campo Grande e outras de nossas cidades podem ser levadas aos rolezinhos, com características próprias. Assim, caríssimas crianças e jovens, autoridades policiais, promotores de justiça da área da infância e juventude, juízes da mesma área, agentes públicos municipais e estaduais sediados em Campo Grande e outras cidades onde tenham shoppings no MS, eu os abraço confiante, e os cumprimento na certeza de que os maus exemplos de São Paulo e Rio de Janeiro não se repetirão por aqui. Assim, lhes dou bom dia, o meu bom dia pra vocês.

(*) Ruy Sant’Anna, jornalista e advogado.

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Esses rolezinhos são tão inocentes como as brigas que existiam no shopping Campo Grande alguns anos atrás, independente de classe social, condição financeira ou qualquer outro segregador de classe social que exista, vira baderna, confusão, briga e outras coisas, os encontros dos adolescentes eram aparentemente para socializar como o Ruy disse, porém existia um verdadeiro propósito que eram as brigas, que inclusive passaram na televisão e que ja teve interferência do cigcoe que ficava ao lado do shopping. Rolezinhos não são inocentes, sejam feitos por classes sociais favorecidas ou não! Não deve ser feito baseado no preconceito e sim para manter a paz e tranquilidade quando se vai ao shopping com a família, independente de classe social, se virar confusão deve ser proibido sim!
 
Felipe Bandeira em 17/01/2014 11:37:11
Seu comentário foi muito infeliz,ou o sr. não é pai,e se for é isso que quer para seus filhos, acha que eles serão educados, ou é só para os filhos das outras pessoas? Se for para os meus muito obrigado!!!!!!
 
ildo rubin em 16/01/2014 16:19:06
Caríssimo Doutor! Permita-me discordar de VSa e achar o tal rolezinho normal e inocente! Na verdade, trata-se de baderna , vandalismo e omissão das autoridades em coibir tal anarquia de jovens que não tem educação e consideração com as outras pessoas! São péssimos brasileirinhos, egoístas e mimados, que deveriam saber conviver em sociedade , respeitando as leis e não depredando bens públicos e privados e intimidando as pessoas! Na minha opinião, é uma vergonha todos nós que ralamos, trabalhamos suado e pagamos nossos impostos ficarmos com medo de frequentar um shopping porque um bando de animais vai pra lá para quebrar tudo e fazer arrastão! Esperamos uma ação enérgica das autoridades de Campo Grande contra esses vândalos!
 
celso de almeida em 16/01/2014 15:28:58
Concordo com a sua visão, Ruy Sant'anna. Essas mocinhas e rapazes tem tanto direito de estar no Shopping quanto qualquer um de nós! Acontece que o preconceito ainda impera, ver multidões de jovens (vestidos como maloqueiros e piriguetes) fazendo bagunça assusta mto. Mas ainda não passam de jovens! Levar uma ensaboada da polícia sem terem feito nada só gerará mais raiva da instituição da policia.
 
Leticia Mello em 16/01/2014 15:19:17
Senhor Ruy vá dar uma volta no Shopping no dia de concentração dessa classe discriminada , mas vá com sua família, filhos , mãe, muito divertido ser surpreendido com cuspe na cabeça, chiclete e no cabelo. Eu super indico
 
Evelyn Freitas em 16/01/2014 14:18:02
Difícil não concordar com o bom senso do Ruy Sant'Anna. Crianças, adolescentes e jovens sempre terão espírito de contestação e é bom que não percam esta qualidade, porque ela bem conduzida leva a evolução da sociedade. Quero acreditar que a preocupação dos órgãos de segurança e governantes, é com os desvios que fatalmente acontecem em manifestações legítimas como as de rua no ano passado.
Todo mundo sabe que no meio de jovens e adolescentes que só querem se divertir ou deixar seu recado, infiltram-se oportunistas, baderneiros e até bandidos que se aproveitam da camuflagem para cometer crimes e estragar a festa. Faz parte do crescimento mental e intelectual de nossos jovens, entender que existem limites e infelizmente muitos não aprenderam isso em casa. Liberdade com responsabilidade.
 
Paulo Lemos em 16/01/2014 12:51:37
O próximo rolezinho tem que ser marcado em frente da sua casa Ruy SantAnna. Com muito funk no último volume, muita cachaça e droga, como rola por aí. Quero ver se vai gostar. Já foi ao Shopping e perguntou aos trabalhadores, logistas e empresários do local se eles querem esse público por lá? Deixaria seus filhos participar? Esse discurso defensor de direitos é muito bonito, mas deveria ser feito em favor daqueles que realmente merecem!
 
Jorge Pantaneiro em 16/01/2014 12:19:42
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