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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

12/02/2011 09:45

Ruído e qualidade de vida

Magnólia Diógenes Bezerra (*)

É fato e não podemos negar o quanto é prazeroso ouvir, mas o como ouvir e a forma de sentir esse prazer podem variar de pessoa para pessoa e de acordo com as situações socioeconômicas e culturais. Observamos por exemplo que as pessoas que vivem em países com temperaturas mais quentes e em cidades litorâneas são as que mais abusam dos níveis de pressão sonora (NPS), principalmente ao ar livre incomodando os que procuram um pouco de sossego.

Daí surge a questão: como respeitar os direitos e deveres dessas populações distintas onde uma procura da excitação e euforia pelo aumento da liberação excessiva dos hormônios cortisol, adrenalina e noradrenalina através da exposição a NPS excessivos e a outra os níveis mínimos desses estimulantes naturais para o sossego?

Considerando que somos diferentes e que o seu direito começa quando o meu termina, sou a favor da lei que limita o uso de paredões de som em logradouros públicos por dois motivos. O primeiro porque o NPS excessivo, ou seja, acima de 85 decibéis (dB) por longos períodos de exposições causa alterações no organismo de forma irreparável como à perda auditiva precoce ou o envelhecimento auditivo, além de problemas no sistema nervoso central, endócrino, digestório, imunológico, muscular, cardiovascular psicológico, interferindo também no desempenho do sono e sexual.

É sabido que não existe nenhum paredão que funcione a NPS menores do que o organismo pode suportar. No entanto, se pensarmos em sossego, o NPS não pode ultrapassar 55dB no período diurno e 50dB no período noturno segundo a lei (NBR 10151 e NBR 10152 da ABNT), o que torna impossível paredões quando perto das áreas residenciais.

Em segundo porque o poder público tem que cumprir o que determina a Constituição Federal onde é bem claro, no seu artigo 225, parágrafo primeiro: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Torna-se claro que som excessivo vai de encontro à qualidade de vida devido a sua grande nocividade à saúde.

A Fonoaudiologia, em parceria com os órgãos públicos, vem alertando e conscientizando a população sobre os perigos à saúde provocados por exposição a NPS elevados. Estivemos inclusive em audiência pública com os vereadores na Câmara de Fortaleza, realizada em 28 de fevereiro de 2010, para informar à população sobre os perigos à saúde auditiva causados por exposição excessiva ao NPS. É imprescindível a fiscalização e cumprimento da lei para que possamos garantir à população uma convivência saudável e livre da surdez. A Fonoaudiologia convoca a população, os gestores e o poder público na luta contra o uso abusivo dos paredões. Façamos a nossa parte!

Magnólia Diógenes Bezerra

magnoliadiogenes@unifor.br

(*) Magnólia Diógenes Bezerra é fonoaudióloga, mestre em distúrbios da comunicação humana e professora do curso Fonoaudiologia da Universidade de Fortaleza

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