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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

06/04/2011 13:30

Santa Ca(u)sa II

Por Heitor Freire (*)

A Santa Casa, criada em 1917, e inaugurada em 1928, tem, portanto, 83 anos de existência. O primeiro projeto – de autoria do engenheiro Camilo Boni – dispunha de 40 leitos, uma sala de cirurgia e as demais dependências necessárias.

Ao longo desse tempo, só fez crescer aumentando consideravelmente o atendimento à nossa população. Cresceu patrimonial, quantitativa e qualitativamente.

A Santa Casa sempre foi um projeto de amor a Campo Grande.

A Santa Casa é uma instituição querida da nossa cidade. Ela foi construída passo a passo, tijolo a tijolo. Ainda ecoam no recôndito da alma dos associados antigos os rangidos da carroça do Zé Bonito – apelido de José Mustafá –, também associado, que comandando com muita alegria a sua junta de burros, com duas parelhas de muares, conduzia os tijolos e a areia que serviram para a construção desse portento que é o seu edifício. Ele transportou todo o cimento, areia, tijolos e ferro aplicados na construção. Durante quatro anos, sem cobrar nada.

Essa obra foi construída com muito suor, muita coragem, muito sangue e algumas lágrimas que não podem ser desconsideradas por força da frieza de um decreto.

Não podemos esquecer o desprendimento de Bernardo Franco Baís, que adquiriu e escriturou a área em nome da sociedade beneficente, com mais de 60.000 m² que abriga a sede própria. Essa propriedade, ao longo dos tempos, foi cobiçada por muitos pela sua localização e valorização e, se não fosse a firme atitude do dr. Arthur D’Àvila Filho, teria sido totalmente desmantelada.

Campo Grande precisa saber que, anônima, silenciosa e devotadamente muitos cidadãos se dedicaram durante mais de 80 anos para possibilitar um atendimento digno à nossa população.

A área construída da Santa Casa foi ampliada com a construção da estrutura atual, que elevou a capacidade de atendimento para 750 leitos. Foi uma realização de gigantes, de pessoas comprometidas, com ideal de solidariedade com as pessoas mais carentes.

Ou seja, dos 83 anos, 77 foram administrados pelas suas diretorias. Em 2005, foi feita a intervenção da prefeitura que resultou desastrosa pelos seus resultados.

O decreto de intervenção do prefeito, datado de 13 de janeiro de 2005, estabeleceu, dentre diversos itens, que: “ considerando que o atendimento à população encontra-se gravemente prejudicado, inclusive com a iminência da saturação da capacidade dos demais hospitais da capital(...)” – e a partir daí, requisita bens e serviços e dá outras providências.

Pelo atual estado de atendimento, o desiderato não foi atingido, pelo contrário, deteriorou-se de forma tal que hoje o caos predomina. Duas eram as premissas que embasaram a intervenção: sanear as finanças e aumentar o atendimento. Nenhuma das duas foi cumprida. Ao contrário: as dívidas aumentaram em 300% em seis anos e o atendimento é o mais precário em toda a história da Santa Casa.

A administração anterior cometeu algumas falhas, não há como negar. Só erra quem faz. Mas as nossas falhas foram infinitamente menores do que as da junta interventora.

Na nossa administração eram terceirizados sete serviços; hoje são 23.

Essa intervenção indevida na Santa Casa precisa ter fim. A Santa Casa tem de voltar para os seus verdadeiros mentores antes que acabe, deixando também de ser mais um cabide de empregos.

A situação é extremamente grave.

Dos 750 leitos que havia antes, hoje não mais que 450 são disponibilizados ao SUS; as cirurgias eletivas estão quase todas suspensas, os transplantes não existem mais, e tanto os equipamentos quanto o próprio prédio estão sucateados.

Durante todo o tempo, desde a infausta intervenção e até hoje, a Associação Beneficente Santa Casa continuou com seu governo regular “no exílio”, as diretorias foram sendo eleitas para o período normal de seus mandatos previstos no estatuto social. A Associação, portanto, através de sua diretoria, está e sempre esteve preparada e estruturada para reassumir a administração da Santa Casa a qualquer momento.

A direção da Associação Beneficente Santa Casa é composta por 18 diretores, com mandato de dois anos: presidente, vice, 1º e 2º secretários, 1º e 2º tesoureiros, conselho de administração com seis membros e conselho fiscal, com três conselheiros efetivos e três suplentes.

Assim, no mandato de 2004/2005, a Associação tinha como presidente dr. Arthur D’Àvila Filho e como vice-presidente Waldyr dos Santos Pereira Filho; no mandato de 2006/2007, presidente Elias Gazal Dib e vice Renato Katayama; de 2008/2009, presidente Esacheu Cipriano do Nascimento, e vice, Wilson Levi Teslenco – que é o atual presidente 2010/2011, tendo como vice Pérsio Airton Ton. Deixo de mencionar os demais componentes da diretoria pelo exíguo espaço destinado a este artigo.

Agora há duas propostas já discutidas no âmbito da Associação Beneficente: divulgação de todos os atos contábeis na internet e uma gestão compartilhada, que prevê além da nossa diretoria, um representante dos médicos, um representante dos enfermeiros e um representante da associação de usuários, para que assim, todos juntos em torno do ideal comum, possamos conduzir a Santa Casa ao seu destino de sempre: servir bem à população.

Que fique bem claro: nós não discutimos pessoas; discutimos fatos e ideias.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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Sempre defendir a intervenção do poder público na santa casa, mas vendo o estado que ela esta hoje, acho que estava errado. Devolta urgente aos seus verdadeiro dirigentes.
 
Jose da Silva em 06/04/2011 04:20:21
Outro texto sensível do senhor Heitor Freire, mas de tão romantizado esconde a postura de profissionais que ocorria na "surdina" dentro do hospital. É preciso lembrar que com a intervenção alguns pontos da Santa Casa finalmente terão a destinação adequada. Finalmente a Santa Casa recebeu uma pintura e as pessoas, mesmo sendo atendidas em corredores e deitadas em macas, não tiveram atendimento recusado. Tudo isso precisa ser lembrado, mas também deve-se destacar que o principal inimigo da Santa Casa são os profissionais que a desdenham justamente para utilizá-la em benefícios próprios. É um desafio para a prefeitura, mas sei que muita coisa já mudou.
 
Luiz Rodrigo Pereira dos Santos Filho em 06/04/2011 03:20:13
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