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28/06/2013 10:00

Saúde brasileira não quer servir de cobaia

Por Ruy Sant’Anna (*)

Os médicos portugueses estão fazendo exigências descabidas. Estão de conversa mole ao não querer se fixar em cidades do interior, porque “acham” que isso é escravidão. Eles abusam do amor do Brasil por Portugal, assim “acham” que se submeterem à revalidação, os brasileiros os estariam maltratando.

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O problema que o Conselho Federal de Medicina e os médicos particularmente reclamam não é a proposta de médicos estrangeiros virem trabalhar no Brasil.

Ora, só aqui em Mato Grosso do Sul tem 14 médicos que passaram pelo Revalida, foram aprovados, trabalham normalmente e são bem quistos pela comunidade sul-mato-grossense.

O protesto justo da medicina brasileira é contra a forma como o governo federal quer resolver o problema.

Não tem como o governo federal esconder que o brasileiro não tem facilidades em Portugal e em nenhum outro país. Não existe moleza no trato profissional. O profissional é eficiente e eficaz ou não é. A imprensa registra claramente: quando o mercado de emprego sente-se ameaçado, uma das principais medidas é fechar a porta de entrada. Em contra partida abrem-se as portas de saída, por onde retornam os brasileiros.

A população brasileira não pode servir de cobaia para nenhum profissional, principalmente na área da medicina, onde os prejuízos podem ser o agravamento de um mal ou a morte, por incompetência ou comunicação mal feita.

O governo federal não pode cometer o crime de facilitação profissional aos que não comprovem suas competências. Dilma, nem Padilha têm esse direito de simplesmente convidar profissionais sem passarem pelo Revalida. Esse exame é exigido também de médicos brasileiros que quiserem trabalhar aqui, tendo se formado no exterior.

O brasileiro é acima e tudo hospitaleiro. Amigo. Damos-nos bem com os irmãos de toda nacionalidade. Temos libaneses, alemães, chineses, paraguaios, bolivianos, sírios, italianos, americanos, portugueses ajudando o país a crescer em várias profissões e atividades econômicas. Temos até uruguaios e argentinos jogando futebol aqui, numa boa.

Definitivamente, o brasileiro não é trouxa e não gosta de ser passado pra trás como tal. O brasileiro sabe que a presidente Dilma está tão atolada com a preocupação de sua reeleição que quer eleger também o ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo de São Paulo em 2014.

Por isso, tirou da cartola, essa ideia descabida, criminosa, de “importar” médicos, aparentemente de qualquer país, sem que eles se submetam às provas de capacitação profissional.

Dilma quer fazer do ministro Padilha “uma cabeça de ponte” em São Paulo. Este estado é uma grande vitrine política nacional. Pretende elegê-lo governador de São Paulo. Com isso quer reforçar sua campanha à reeleição.

Dilma quer transformar um grande problema nacional, numa jogada mixuruca onde o prêmio seria a eleição de Padilha que ainda neste mês de junho transferiu seu título eleitoral do estado do Pará, para São Paulo.

Para Dilma, Padilha e Lula que se acha o “bom”, qualquer fim justifica o meio, principalmente para se eleger. Assim, acredito que o governo federal repete a ação de alguns prefeitos municipais que são irresponsáveis e fingem resolver o problema, e o agrava. Não dão a mínima condição para que os médicos atendam suas tarefas, e fazem contratos que não cumprem.

O povo brasileiro não é egoísta, nem vive de olho somente no umbigo dos que moram nas maiores cidades do país. Está atento. Quer que as cidades brasileiras tenham postos de saúde e hospitais com estrutura e infraestrutura para atender às pessoas.

O povo exige que o governo federal e os prefeitos deem condições decentes para que os médicos trabalhem. É preciso levar a saúde do brasileiro a sério. Estou apreensivo com a violência eleitoreira da presidente Dilma e seu ministro Padilha. Mas confiante abraço o verdadeiro sentimento patriótico que não desmobiliza a honestidade de propósito e a luta por um Brasil melhor, e dou bom dia, o meu bom dia pra vocês irmãos de fé e propósitos.

(*) Ruy Sant’Anna é jornalista e advogado.

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