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Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

24/07/2016 11:29

Será este o destino dos professores?

Reginaldo de Souza Silva (*)

A profissão docente tem enfrentado inúmeros problemas desde a falta de valorização, condições de trabalho, agressões etc. Em pesquisa (OCDE, 2014) que ouviu 100 mil docentes em 34 países, 12,5% dos brasileiros contam que são agredidos ou intimidados uma vez por semana dentro da escola. Outros fatores são: o assédio moral, a perseguição, o cansaço e a humilhação. Precisamos nos perguntar: Quando a alegria pela profissão se transforma em pesadelo, dor, medo e desvalorização?

A Síndrome do Burnout retrata bem as condições de muitos professores: Há diversos sintomas, que, confundem-se com a depressão na fase inicial. O esgotamento físico e emocional é refletido através de comportamentos diferentes, como agressividade, isolamento, mudanças de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, falha da memória, ansiedade, tristeza, pessimismo, baixa autoestima, ausência no trabalho entre outros, como sentimentos negativos, desconfiança e até paranoia.

Muitos sofrem fisicamente com a doença, com dores de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma e distúrbios gastrointestinais, respiratórios e cardiovasculares. Em mulheres, é comum alterações no ciclo menstrual.

Segundo a OMS, 2012, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos, 11,4 para cada grupo de 100 mil habitantes/hab). Matam mais que acidentes de transito, homicídios e guerras (relatório violência e saúde).

Segundo Karen Scavacini, "No Brasil temos em média um suicídio por hora, maior do que o crescimento da população, maior do que os homicídios e acidentes de trânsito”. Nosso país é o oitavo em número de suicídios. Em 2012, foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres (6,0 para cada 100 mil/hab). Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. O país com mais mortes é a Índia (258 mil óbitos), seguido de China (120,7 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil), Japão (29 mil), Coreia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil).

Ainda existem vários tabus a respeito deste tipo de morte que impedem a reflexão e enfrentamento. Precisamos de conscientização, conhecer os traumas vividos durante conflitos bélicos, desastres naturais, violência física ou mental, abuso ou isolamento, depressões resultado da dependência de álcool e outras drogas etc.

O que pode esconder atrás de uma alegria, desinibição, isolamento, falsa calmaria, choro constante? Os homens suicidam-se três vezes mais do que as mulheres.
O suicídio é visto atualmente como um transtorno psicossocial de causas múltiplas, em que fatores biológicos, psíquicos, sociais e culturais interagem de forma complexa, aproximando ou afastando as pessoas do abismo psíquico, Bertolote.

Para Werlang, 2001, “O comportamento suicida é a manifestação de uma dor psicológica insuportável”. Há fatores que podem proteger contra a tentação de abreviar a vida, como os vínculos afetivos bem cultivados, o bom relacionamento com a família, ter filhos, ter uma crença espiritual, uma condição financeira estável e realização profissional, por mais simples que seja a ocupação. Os alertas: não apenas chamam a atenção – é preciso estender a mão antes que seja tarde, Botega, 2010.

Para muitos a única forma tem sido: Abandono, jogando-se pela janela do prédio; contra um caminhão, enforcamento, tomando chumbinho, veneno etc. Será este o destino dos professores: Agressões, Abandono, Assassinato e Suicídio? Gestores da educação nos vários níveis e instituições devem dar maior atenção. O que dizem os sindicatos nos vários estados e municípios do Brasil, as universidades e faculdades?

(*) Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva é coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente da 
UESB/DFCH

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