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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

04/10/2011 06:02

Sociedade, meio ambiente, ensino e cidadania

Por Silvio Profirio da Silva (*)

O discurso de uma educação voltada para a formação de um aluno que exerça plenamente sua cidadania não é algo recente na história da Educação Brasileira. Pelo contrário, há anos esse discurso está difundido na sociedade brasileira.

Mas, será que as práticas educativas desenvolvidas em nossas escolas forneciam subsídios para a prática da cidadania por parte do alunos? Sendo assim, este texto tem por objetivo abordar as contradições entre o discurso e os subsídios fornecidos pelo sistema educacional brasileiro.

Decorrente deste, pretende-se verificar como a Educação Ambiental vem sendo abordada nos livros didáticos do 7º ano [antiga 6ª serie] adotados pela Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco/ PE.

 

Durante décadas, o ensino de Ciências, em nossas escolas, ocorreu em função de conceitos e definições, que deveriam ser reproduzidos [na íntegra] pelos alunos. Com isso, o ensino dessa disciplina teve como foco apenas a supervalorização de conceitos científicos.

Esse posicionamento refletiu-se não só na metodologia de ensino dessa disciplina, mas também nos livros didáticos, o que excluia a possibilidade de o aluno refletir acerca de questões atreladas à realidade, de ter acesso a um mundo politizado e, por conseguinte, exercar a prática da cidadania.

Tal postura persistiu em nossas escolas durantes anos. Contudo, nos últimos trinta anos, a questão ambiental tornou-se objeto de inúmeras discussões, por conta da situação calamitosa na qual se encontra o planeta. Atualmente, o mundo convive com dramas originados pela falta de uma consciência ecológica, que coloque em níveis de equidade o desenvolvimento econômico e natural. Diante disso, surgiram diversos estudos sobre a Educação Ambiental.

Tais estudos têm por objetivo levar o homem a refletir sobre o equilíbrio das relações econômicas e naturais. E, sobretudo, despertar nele uma consciência crítica e preventiva. No Brasil, esses estudos refletiram-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais -PCNs.

Esses novos paradigmas estão sendo adotados por diversos livros didáticos, com a pretensão de levar os alunos a compreender sua relação com o meio ambiente e, sobretudo, levá – los a refletir acerca dos efeitos de suas ações. O que ocasiona o desenvolvimento de uma consciência crítica e preventiva. Assim, o livro didático passa a abordar questões sociais, para levar o aluno a refletir e, consequentemente, atuar na sociedade.

 

No entanto, nem sempre essa perspectiva esteve presente nos manuais didáticos dessa disciplina. Essa afirmativa surge a partir da análise de três livros didáticos de Ciências da 6ª serie, de duas décadas distintas.

São eles: Os Seres Vivos (CRUZ, 1995), Os Seres Vivos (BARROS, 2000) e Projeto Araribá Ciências (CRUZ, 2006). Esses livros foram usados em Escolas da Rede Estadual de Ensino em Pernambuco – PE. Os resultados apontam que: os dois primeiros livros retratam a questão ambiental de forma sintética, superficial e resumida. Tal abordagem consiste em pequenas notas e comentários no final de cada capítulo. Assim, percebe – se uma incipiente abordagem da Educação Ambiental.

Ambos dão ênfase às definições, com base em textos teóricos e atividades que requerem respostas localizadoras. Essas respostas dão ênfase aos posicionamentos do autor, em detrimento da reflexão do aluno. Nessa perspectiva, percebe-se que as questões são acríticas, na medida em que restringem-se a conceitos apenas.

O terceiro livro, por sua vez, tem uma abordagem mais ampla, que objetiva não só levar o aluno a compreender os conceitos, abrangendo, assim, o processo de conscientização dos alunos, levando-os a refletir sobre problemáticas sociais e, por conseguinte, inserí-los no contexto de participação social. Para isso, o autor utiliza atividades de compreensão textual, com base em textos, gráficos, imagens, tabelas, etc.

Além disso, as atividades usadas estimulam a capacidade do aluno de opinar e argumentar. Nesse sentido, percebe – se que, apesar de os trabalhos sobre a problemática ambiental terem se iniciado há décadas, sua inserção nos manuais didáticos ocorreu tardiamente. Mas, sobretudo, percebe-se que o sistema educacional brasileiro não fornecia subsídios para o exercício pleno da cidadnia, ainda que esse discurso estivesse propagado na sociedade brasileira.

 

(*) Silvio Profirio da Silva é professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

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