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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

04/10/2011 06:02

Sociedade, meio ambiente, ensino e cidadania

Por Silvio Profirio da Silva (*)

O discurso de uma educação voltada para a formação de um aluno que exerça plenamente sua cidadania não é algo recente na história da Educação Brasileira. Pelo contrário, há anos esse discurso está difundido na sociedade brasileira.

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Mas, será que as práticas educativas desenvolvidas em nossas escolas forneciam subsídios para a prática da cidadania por parte do alunos? Sendo assim, este texto tem por objetivo abordar as contradições entre o discurso e os subsídios fornecidos pelo sistema educacional brasileiro.

Decorrente deste, pretende-se verificar como a Educação Ambiental vem sendo abordada nos livros didáticos do 7º ano [antiga 6ª serie] adotados pela Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco/ PE.

 

Durante décadas, o ensino de Ciências, em nossas escolas, ocorreu em função de conceitos e definições, que deveriam ser reproduzidos [na íntegra] pelos alunos. Com isso, o ensino dessa disciplina teve como foco apenas a supervalorização de conceitos científicos.

Esse posicionamento refletiu-se não só na metodologia de ensino dessa disciplina, mas também nos livros didáticos, o que excluia a possibilidade de o aluno refletir acerca de questões atreladas à realidade, de ter acesso a um mundo politizado e, por conseguinte, exercar a prática da cidadania.

Tal postura persistiu em nossas escolas durantes anos. Contudo, nos últimos trinta anos, a questão ambiental tornou-se objeto de inúmeras discussões, por conta da situação calamitosa na qual se encontra o planeta. Atualmente, o mundo convive com dramas originados pela falta de uma consciência ecológica, que coloque em níveis de equidade o desenvolvimento econômico e natural. Diante disso, surgiram diversos estudos sobre a Educação Ambiental.

Tais estudos têm por objetivo levar o homem a refletir sobre o equilíbrio das relações econômicas e naturais. E, sobretudo, despertar nele uma consciência crítica e preventiva. No Brasil, esses estudos refletiram-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais -PCNs.

Esses novos paradigmas estão sendo adotados por diversos livros didáticos, com a pretensão de levar os alunos a compreender sua relação com o meio ambiente e, sobretudo, levá – los a refletir acerca dos efeitos de suas ações. O que ocasiona o desenvolvimento de uma consciência crítica e preventiva. Assim, o livro didático passa a abordar questões sociais, para levar o aluno a refletir e, consequentemente, atuar na sociedade.

 

No entanto, nem sempre essa perspectiva esteve presente nos manuais didáticos dessa disciplina. Essa afirmativa surge a partir da análise de três livros didáticos de Ciências da 6ª serie, de duas décadas distintas.

São eles: Os Seres Vivos (CRUZ, 1995), Os Seres Vivos (BARROS, 2000) e Projeto Araribá Ciências (CRUZ, 2006). Esses livros foram usados em Escolas da Rede Estadual de Ensino em Pernambuco – PE. Os resultados apontam que: os dois primeiros livros retratam a questão ambiental de forma sintética, superficial e resumida. Tal abordagem consiste em pequenas notas e comentários no final de cada capítulo. Assim, percebe – se uma incipiente abordagem da Educação Ambiental.

Ambos dão ênfase às definições, com base em textos teóricos e atividades que requerem respostas localizadoras. Essas respostas dão ênfase aos posicionamentos do autor, em detrimento da reflexão do aluno. Nessa perspectiva, percebe-se que as questões são acríticas, na medida em que restringem-se a conceitos apenas.

O terceiro livro, por sua vez, tem uma abordagem mais ampla, que objetiva não só levar o aluno a compreender os conceitos, abrangendo, assim, o processo de conscientização dos alunos, levando-os a refletir sobre problemáticas sociais e, por conseguinte, inserí-los no contexto de participação social. Para isso, o autor utiliza atividades de compreensão textual, com base em textos, gráficos, imagens, tabelas, etc.

Além disso, as atividades usadas estimulam a capacidade do aluno de opinar e argumentar. Nesse sentido, percebe – se que, apesar de os trabalhos sobre a problemática ambiental terem se iniciado há décadas, sua inserção nos manuais didáticos ocorreu tardiamente. Mas, sobretudo, percebe-se que o sistema educacional brasileiro não fornecia subsídios para o exercício pleno da cidadnia, ainda que esse discurso estivesse propagado na sociedade brasileira.

 

(*) Silvio Profirio da Silva é professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

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