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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

06/11/2012 08:25

Um novo olhar sobre o Enade

Por Luzia Félix da Silva (*)

Outro dia em uma sala de espera de um consultório inevitavelmente ouvi a conversa de dois jovens - um deles está prestes a se formar em um curso de graduação, e falava sobre o Exame Nacional de Desenvolvimento Estudantil (Enade) que fará no dia 25 de novembro deste ano.

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O jovem falava com tanto pesar a participação na avaliação, que o semblante dele parecia carregado com uma tonelada de aço. E de tão deprimente, acabei me induzindo a um momento nostálgico.

Quem dera na época da minha juventude pudesse ter tido a oportunidade de fazer uma graduação em tão tenra idade, já que tudo era mais difícil e distante para a maioria dos jovens que conseguiam concluir o 2º grau, atualmente denominado de Ensino Médio.

Concluir o ensino Superior era para poucos, pois não tinha tanta oferta e oportunidade quanto se tem hoje, começando pelo número de instituições de ensino, bolsas de estudos como o Prouni [Programa Universidade para Todos], Vale Universidade e Fies [Financiamento Estudantil], entre outros e que hoje só não estuda quem não quer.

Naquela época, era necessário ingressar cedo no mercado de trabalho e qualquer tipo de curso custava uma fortuna, e isso acabava sendo uma oportunidade para poucas pessoas, normalmente apenas aos filhos de coronéis e alguns afortunados, o que não era o meu caso.
Mas em uma fração de segundos retornei àquele tempo e fiquei imaginando o quanto nos faziam orgulhosos passar por qualquer tipo de situação onde pudéssemos defender a escola, a família, o bairro ou até mesmo a rua onde morávamos.
Qualquer evento era rodeado de ‘pomposidade’ e de expectativas que tornavam o assunto do momento. Fiquei imaginando como seria se naquela época os estudantes pudessem ter a oportunidade de defender a sua instituição e o seu curso de graduação a nível nacional, como é o caso do Enade.

Não há a menor dúvida que por certo os estudantes colocariam a melhor roupa e engraxariam os sapatos surrados! Surrados, porque não tínhamos a infinidade de modelos que se tem no mercado para comercializar e nem mesmo dinheiro para comprá-los. Possivelmente, nem dormiriam na véspera para não correr o risco de perder a hora da prova. Esse momento seria esperado como algo mágico, como uma oportunidade ímpar.

Com certeza depois da prova, os jovens se reuniriam para discutir os assuntos que haviam sido cobrados e as respostas pertinentes a cada questão. Se ainda persistissem as dúvidas, com certeza os professores seriam procurados e por algumas semanas essa prova seria discutida e estudada pela classe estudantil, pois na época não se tinha tantas oportunidades de aprendizado. Se quisesse saber um pouco mais, era necessário se debruçar sobre os poucos livros da biblioteca para aprofundar algum assunto que fosse interessante.

Infelizmente hoje, são tantas as formas de conhecimentos que se percebe a desvalorização de fatos tão importantes quanto o Enade. Atualmente, as coisas são tão mais fáceis que a maioria dos jovens parece banalizar o que poderia ser carregado como um escudo de formação e qualificação profissional para ingressar no mercado de trabalho.

Participar do Enade é defender o que você estudou. Mostrar tanto para a sociedade que você está apto para ser um profissional de sucesso, como para as empresas que você é a pessoa que vai fazer a diferença quando for contratado pela organização para demonstrar as suas habilidades e competências.

Ao fazer a prova, demonstre aos avaliadores que você vai fazer a diferença em uma geração que tem todas as ferramentas para conquistar e criar novos horizontes. Não subestime o poder que lhe é proporcionado nesse instante. O tempo passa rápido demais e pode ser que você não tenha outra chance de mostrar o quanto é capaz.

Então caro estudante, dê o melhor, faça o melhor porque você é o melhor, mas o mercado de trabalho precisa saber disso e só você pode confirmar isso fazendo uma ótima prova.

(*)Luzia Félix da Silva é coordenadora do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande – unidade 1

 

 

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Professora Luiza estou de acordo com seu pensamento, porém a dificuldade sempre foi e ainda vai ser o combustível que faz o ser humano ascender .Portanto o que observo na formação destes jovens de hoje é a facilidade em tudo que querem sem terem trabalho e acabam não valorizando as coisas importantes como o ENADE.
 
Antonio Vilhena em 26/12/2012 16:02:53
Comentário belíssimo e real,vivi essa realidade e pensava que jamais poderia um dia concluir nível superior devido as dificuldades de tempos atrás como relata.Com a graça de Deus estou muito feliz,concluo meu curso em dezembro,em junho iniciei um estágio no FNDE e antes mesmo de vencer o contrato,recebi um convite a substituir uma licença maternidade por cinco meses e meio...Como não explodir por dentro de alegria? Isso é fantástico. Graças a Deus a faculdade e as pessoas que me deram oportunidades e proporcionaram esta nova etapa na minha vida.
 
Elizabete Marques Borges em 22/11/2012 07:14:18
professora Luzia, seu artigo é o retrato da realidade em que vivemos. Eu sou a favor do enade , é a forma de analisar como estão sendo formados os futuros profissionais. Eu vou fazer, e espero poder mostrar um pouco do que aprendi na minha escolha.
 
kika rocha em 22/11/2012 00:03:05
Parabéns Profª Luzia.
 
Regers Vieira em 16/11/2012 09:51:43
Amiga Luzia, sempre disposta e esforçada para dar o seu melhor. Espero que a sua reflexão possa atingir a parcela de acadêmicos que desacreditam nas ferramentas que possuem atualmente. Felizes daqueles que valorizam as oportunidades de mostrar ser o melhor, certamente terão sucesso na vida acadêmica e profissional.
 
Carla Dal Piva em 07/11/2012 23:41:46
Parabéns Luzia, pelas lembranças nostálgicas, onde a Faculdade era levada mais a sério, onde os professores tinham mais respeito e literalmente "escreveu , não leu, pau nele". O mercado de trabalho cobra ferozmente a nova força de trabalho que nasce dos cursos de graduação, basta apenas, os acadêmicos em geral, valorizarem não apenas os cursos, mas também os mecaniscmos de avaliação desses cursos.
 
Luiz Pereira em 06/11/2012 12:22:14
Um Texto que faz qualquer um refletir das inúmeras oportunidades que temos hoje em dia, quero parabenizar a professora Luzia Felix, não só pelo ótimo texto, mais também por sempre estar incentivando todos os seus alunos, sou aluna dela e posso dizer que é uma Mulher que vou levar para vida inteira como exemplo de pessoa.
 
Camila Lima em 06/11/2012 11:08:25
Parabens Profª Luzia, guerreira, coordenadora incansável, com certeza existem muitos alunos, que tem o mesmo pensamentos.
 
Gladys Ascurra em 06/11/2012 11:02:28
Estou próximo de concluir minha segunda graduação e tenho a mesma percepção desses dois jovens, não se trata de ter mais acesso ou não a Universidade, pricipalmente no panorama de Educação como mercadoria -com distribuição de bolsas e outros artifícios que em nada refletem uma educação de qualidade. O ENADE é uma avaliação institucional e não serve de parâmetro para julgar um profissional de sucesso. As empresas buscam muito mais que teorias, é preciso mais: pró atividade, espírito de equipe e habilidades. Isso não se mensura nesses "provões".
 
Ely Quevedo em 06/11/2012 09:03:42
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