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Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

09/11/2011 07:05

USP: a falta de objetivo dos movimentos estudantis

Por Marcos Morita*

Acredito que o dramalhão mexicano, envolvendo mais uma vez estudantes ocupando o prédio da reitoria na Universidade de São Paulo, já tenha cansado até os mais ferrenhos defensores dos movimentos estudantis, os quais, diga-se de passagem, há muito tempo carecem de objetivos e causas nobres para defenderem.

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Sou nascido no ano da batalha da Rua Maria Antônia, a qual resultou de conflitos entre estudantes do Mackenzie e do curso de Filosofia da USP. Cresci numa época com pouca liberdade de expressão, o que nem por isso impossibilitou movimentos como as Diretas Já, levando centenas de milhares de pessoas as ruas, numa época sem redes sociais ou Twitter para organizá-los.

Como jovem adulto, acompanhei de longe o movimento dos Caras Pintadas na Paulista, uma vez que já estagiava em uma grande instituição financeira nesta mesma avenida. A vontade de mudar e lutar por um mundo melhor e mais justo era grande, e por pouco não me juntei à multidão, largando meus afazeres de estagiário.

O tempo passa mesmo rápido. Há alguns meses estava lendo as manchetes do estudante assassinado no estacionamento da FEA-USP. Imediatamente surgiu em minha memória situação idêntica vivida há mais de quinze anos atrás. Exatamente no mesmo local e na mesma situação fui vítima de um sequestro relâmpago, o qual ainda me traz algum incômodo em revivê-la.

Pude sentir a angústia vivida por aquela família, assim como senti uma ponta de esperança quando do acordo firmado com a Polícia Militar, cuja presença chegava com pelo menos uma década de atraso. Inúmeros furtos, roubos, sequestros e estupros poderiam ter sido evitados neste ínterim, não fosse à discussão ideológica sobre a liberdade no Campus e o papel repressor da força pública.

Os conceitos de proletariado, luta de classes, opressão, propriedade privada, meios de produção, revolução industrial, alienação do trabalho, burguesia e divisão de classes, utilizados como bordões por alguns destes vulgos ativistas, estariam melhores representados em uma aula de sociologia, história ou economia. O mundo atual já não tem espaço para minorias radicais, as quais, em defesa de seus interesses carentes de fundamentação acabam por prejudicar a maioria.

Hoje atuo como professor em uma renomada universidade particular. Abordando o assunto em sala de aula, pude sentir que grande parte mal teve tempo para analisá-la. Preocupações talvez consideradas pequenas pelos manifestantes da USP, tais como chegar na hora ao trabalho, pegar o ônibus, o trem e o metrô, pagar as contas da universidade, estudar outras línguas e passar de semestre, estão na pauta do dia.

Juro que senti um pouco de egoísmo e alienação com relação à participação aos movimentos estudantis, porém me dei como vencido quando vi estudantes lutando por uma causa como o “baseado da paz”, incomodando, depredando e denegrindo a imagem da universidade que tanto batalhei para entrar. Creio que isso sim, seja exemplo de egoísmo coletivo.

(*) Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais.

Contato: professor@marcosmorita.com.br / www.marcosmorita.com.br

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Tenho acompanhado a tal mobilização estudantil na USP e sinceramente, ou sou muito estúpida ou o movimento que assim o é, porque até agora não entendi o motivo de tanta depredação e estardalhaço. Enquanto o Senado e o Parlamento aprovam leis e decretos que em nada melhoram a vida da população estes revoltosos fazem alvoroço nessa luta sem causa. Causa-me vergonha e indignação esse comportamento...
 
Grazyh Oliveira em 09/11/2011 11:10:57
"Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas.. bla bla e espectador da Globo." - ponto ; diz tudo!!
 
Jessica Machado em 09/11/2011 10:53:30
É MUITO TRISTE VER UM MOVIMENTO TÃO INÚTIL, ONDE A MINORIA VEM FAZER UM
MOVIMENTO RIDICULO, PREJUDICANDO A MAIORIA QUE QUEREM ESTUDAREM.
QUEREM FAZER DE NOSSAS UNIVERSIDADES UM MACONHODROMO.
QUANTOS POBRES COITADOS GOSTARIAM DE ESTAR ESTUDANDO EM UMA USP DA VIDA E NÃO CONSEGUE POR FALTA DE CONDIÇÕES.
ESTA DA HORA DE RESPONSABILIZAR ESSES APOLOGISTA AS DROGAS CRIMINALMENTE.
CHEGA DE PALHAÇADA.
 
joao simoes em 09/11/2011 10:24:13
Bando de maconheiros, como disse Cap. Nascimento do filme Tropa de Elite são os que sustentam o trafico de drogas, é essa “elite podre da USP”, que está estragando nosso país, viciando nossa juventude, são esses “militantes sem causa” que dirigem embriagados, que desrespeitam as leis e se dizem “estudantes”, como se isso bastasse...as atitudes falam mais do que o simples fato de serem “estudantes"
 
GIL Favareto em 09/11/2011 09:58:45
Nas décadas de 60 e 70, o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou num importante foco de mobilização social. Sua força adveio da capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem ativamente da vida política do país. Hoje, no entanto, diante de tanta corrupção, de tanta impunidade, o movimento da geração Y esta lutando por que causa???
 
João Márcio Escobar em 09/11/2011 08:49:47
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