A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

19/09/2012 13:15

Autismo politiqueiro

Luca Maribondo

Autismo politiqueiro

Veja Mais
Como herói
O refúgio dos patifes

Nesta época em que as eleições estão nas ruas e as campanhas eleitorais pegando fogo, mais quentes do que bolso de cabo eleitoral, naturalmente surgem os debates eleitorais na televisão. Sobre esses debates vale a pena uma breve análise. O que são e para que servem esses teledebates? Antes de responder à pergunta, cabe uma breve digressão sobre sua história.

O embrião do que viriam ser os debates políticos aconteceu em outubro de 1960, no confronto entre John Kennedy e Richard Nixon pela presidência da Ianquelândia, que atingiu uma audiência de 90 milhões de pessoas. No Brasil, começou na campanha eleitoral do mesmo ano: não chegou a ser bem um debate, mas uma longa entrevista dentro do programa "Pinga-Fogo", na extinta Tv Tupi, na época a maior rede de tv do país: os candidatos à presidência Adhemar de Barros e Henrique Teixeira Lott aceitaram participar, entretanto o sul-mato-grossense Jânio Quadros recusou o convite, optando por fazer um comício em Recife (PE), o que deixou o debate um tanto insosso.

Com o golpe militar de 1964, os debates entre políticos foram escamoteados da televisão. Apesar disso, segundo registros existentes, o primeiro debate televisado de verdade ocorreu no Rio Grande do Sul, em 9 de setembro de 1974, entre candidatos ao Senado: Nestor Jost (Arena, o partido governista) e Paulo Brossard (MDB, o partido quase-governista). O teledebate foi transmitido pela Tv Gaúcha, atual RBS TV. Brossard foi bem no debate e ganhou a eleição.

Para impedir derrotas eleitorais do partido governista —já registradas nas eleições estaduais de 1974—, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o ministro da Justiça de então, Armando Falcão, lança um decreto que restringia a propaganda eleitoral na tv, permitindo apenas que fossem mencionados a legenda do candidato, seu curriculum, número de registro na Justiça Eleitoral, fotografia.

Apesar da Lei Falcão, foram registrados alguns debates em 1982. As restrições da tal lei só seriam revogadas em 1984, a partir da liberação da propaganda eleitoral na televisão. Em 1985, foi regulamentada uma legislação própria para propaganda gratuita no rádio e na televisão. Fim da digressão...

Sem entrar nos mérito das polêmicas causadas pelos debates, pode-se dizer que sua função primordial é trazer ao público, de forma direta, as propostas e visões dos candidatos, suas diferenças de comportamento, ou seja, seria desnudar para o eleitor quem são, como agem, o que pensam, aqueles que pretendem nos representar politicamente, através dos grandes meios de comunicação: rádio, tv e, hoje em dia, a Internet.

Os debates televisivos são o grande ato das campanhas políticas modernas, mais ainda do que o horário eleitoral gratuito, mais ainda que os comícios, pois a mobilização que causam na população e o alcance do número de eleitores é muito maior do que qualquer outro ato de campanha. Por isso, se preparar de forma adequada para eles é de suma importância para qualquer candidato que pretenda ganhar a disputa.

Em geral, erros num debate costumam descartar do jogo quem os cometeu. Por outro lado, candidaturas são alavancadas pelos que, na opinião do eleitor, se saíram bem, “venceram” o debate! Esses, de uma maneira geral, são os que irão brigar, de fato, pela vitória!

No sábado passado, aconteceu um debate na Tv Guanandi (Rede Bandeirantes) com os sete postulantes à Prefeitura da cidade. Ao debate faltou, de modo geral, uma visão mais ampla da cidade e de seus problemas mais candentes, pois os projetos mencionados foram debatidos como questões pontuais, sem qualquer proposta mais concreta ou aprofundamento.

Na verdade, aconteceu a união dos seis candidatos de oposição contra o governista Edson Giroto (PMDB), apoiado pelo governador André Puccinelli e pelo prefeito Nelsinho Trad, ambos também do PMDB. Logo depois do debate, o prefeito fez sua avaliação do que houve no sábado: pra ele foi “a sintonia perfeitamente combinada (sic) entre seis candidatos para atacar a administração e o nosso candidato”.

Trad considerou que que o bombardeio feito por pelos seis contra Giroto “confunde os eleitores” e muitas vezes, “no calor do debate”, o candidato não consegue “colocar a verdade acima de tudo”. O prefeito é um pândego. Primeiro que os seis contra Giroto é exatamente o que se deveria esperar. Afinal, o peemedebista é o candidato da situação, é o postulante que conta com a tutela das máquinas governistas estadual e municipal. Ou ele por acaso supôs que algum oposicionista fosse um docinho com Giroto.

Depois, será que ele estava esperando alguma dose de verdade num debate entre políticos em busca do segundo cargo administrativo do Estado? Num debate entre políticos em corrida eleitoral, a verdade é apenas o que sobra depois que se esgotaram os estoques de mentiras.

Não é por menos que o economista Normann Kallmus admite que "não apliquei meu tempo assistindo o festival de atrocidades e asneiras que costuma povoar os tais 'debates'. Tenho, no entanto, percebido um grau crescente do que eu denomino 'autismo politiqueiro': aquela condição na qual supostas respostas são afirmações completamente desconexas em relação à pergunta feita". "Autismo politiqueiro", a locução cunhada por Kallmus, define bem o que foi o debate, é ou não é?

Isso tudo ficou patente nas chamadas considerações finais do debate. Nada além de platitudes: os candidatos anunciaram como meta a humanização de Campo Grande, pensamento complementado com o corolário costumeiro: a necessidade de mudança e renovação política.

O único que fugiu do clichê foi Giroto, o ungido dos deuses peemedebistas. Não conseguiu fazer fluir seu discurso de encerramento, vendo-se obrigado a ler trechos da sua peroração num papelucho sobre a bancada, deixando claro todo seu nervosismo e insegurança. Não foi pior nem melhor que seus adversários, mas ficou claro que não consegue enfrentar a oposição com serenidade. Faltou a Giroto alguém que manejasse o controle remoto. E ficou provado que nos momentos decisivos, os anões e os gigantes do circo têm estatura normal.

Mas nós eleitores, coitados, ficamos sem norte, sem sul, sem ocidente, nem oriente...

Edite este bloco e coloque o texto da sua página

Como herói
Cheguei em Campo Grande em 25 de setembro de 1972, vindo do interior de São Paulo —há exatos quarenta anos, portanto. Havia completado 25 anos três d...
O refúgio dos patifes
Patriotismisthslastrefugeof a scoundrel (o patriotismo é o último refúgio de um patife). Pelo menos uma vez a cada quatro anos pensona frase célebre ...
Que tal chamar o ladrão?
Faz uns dias, emissora de TV local veiculou breve reportagem (na televisão, quando o assunto é sério é breve) sobre o roubo de energia elétrica. E co...
Limpando as mãos na parede
Um dos grandes problemas do campo-grandense é o deslocamento pela cidade através do transporte público. Campo Grande, uma cidade com população de cer...



Gostaria, já que tocaram no assunto sobre os ônibus circulares da nossa cidade, deixar uma sugestão,bem como a Nova rodoviária,ficou longe pra quase todos, que os empresários do Onibus, colocassem carros à disposição em cada um dos terminais de transbordo da cidade,exclusivos ao destino da Nova Rodoviária interestadual,isto é normal em outras capitais,seria bem mais ágil para o viajante.
 
Antonio Costa em 01/10/2012 11:14:24
Falando a verdade, a política enoja qualquer pessoa com discernimento, isto sim!!
Ter um candidato apoiado pela máquina estadual e municipal e falar de projetos que já estão aprovados pela atual administração, como por exemplo, o viaduto próximo à Coca-cola é brincar com a cara do cidadão que lê os noticiários!!
Matérias no CampoGrandeNews datadas de 30/04/2012 e 23/05/2012... Leiam mais gente!!!
 
Wellington Sampaio em 27/09/2012 12:15:37
Rezo para que chegue logo o fim do voto obrigatorio, pois aquele que vende seu voto nao sendo obrigado a votar deixara uma duvida no candidato corrupto, sera que ele vai? assim somente mentes politizadas decidirao o futuro e nao o dinheiro dos mais poderosos.
 
joao de deus em 27/09/2012 07:23:58
Para entender algumas coisas não precisamos ser letrado: Campo Grande é a cidade mais esburacada do Brasil, os asfaltos são feitos com material de péssima qualidade; é uma das que tem mais acidentes de transito, e para piorar, tem a passagem de ônibus mais cara do país. Isso qualquer analfabeto sabe. Será por que motivo, razão a oposição marcou em cima do governista?
 
agricio araujo em 25/09/2012 05:49:59
CONTINUANDO. ELES NAO PROCURAM REPOR OS ONIBUS QUE DAO DEFEITO E SE ESSES ONIBUS DA LINHA 85 PASSA DE 15 EM 15 MINUTOS UM QUE ATRAZA VAI PASSAR O OUTRO APOS 30 MINUTOS, AI SE VOCE ENTRA NO SERVIÇO AS 7:30 VAIS CHEGAR AS 8:00 HS AI JA SAO MEIA HORA DE ATRAZO, QUE PATRAO VAI GOSTAR DISSO, ENTAO ELES TEM QUE PROCURAM REPOR OS ONIBUS SEMPRE TER UM PREPARADO PARA SUBSTITUIR O OUTRO, FAÇO ALGO PELO POVO
 
FATIMA SOUSA em 24/09/2012 08:26:54
PARA SER SINCERO NAO LI O ARTIGO, PQ HJ ESTOU AQUI P/ FAZER RECLAMAÇÃO SOBRE ESSAS LINHAS DE ONIBUS QUE PAGAMOS UM ABSURDO P/ ANDAR EM PE EM ONIBUS LOTADO E O PIOR DE TD E QUE AS VEZES ESSES ONIBUS CHEGAM A DEMORAR 30 MINUTOS DE UM PARA O OUTRO, PIOR AINDA E DE UM TERMINAL PARA O OUTRO, EU QUE PEGO A LINHA 85 MORENAO JULIO DE CASTILHO, SEMPRE ESTOU CHEGANDO ATRAZADA PQ ELES NÃO PROCURAM REPOR OS
 
FATIMA SOUSA em 24/09/2012 08:21:14
Bela visão da política, seu texto é refinado e enriquecedor.
 
Roberto Domingos em 22/09/2012 11:55:56
Sem falar que muitos politicos falam de fazer coisas que nem atribuição do prefeito são
Segurança publica? É coisa do governo estadual e federal. Educação? Dentro das margens que o MEC deixa. Saude? Valem as regras do SUS.
Agora algo que é sim uma atribuição da prefeitura: investir bem o dinheiro arrecadado com impostos locais (IPTU)? Prometer mão de ferro contra má gestão e corrupção? Silencio...
 
Marcos da Silva em 21/09/2012 09:34:19
E o povo pensa que está exercendo a democracia.
Balela, isso tudo é um grande teatro na velha história do "pão e circo".
Infelizmente, enquanto a educação nesse país não for o FOCO PRINCIPAL, os eleitores menos esclarecidos continuarão pensando que exercem a democracia (e é isso que os políticos querem). Quanta ingenuidade.
E os mais letrados, continuarão vendo o engodo dessa política bandida.
 
Afonso Neto em 20/09/2012 09:59:44
E nós eleitores vamos ficar assim: se correr o bicho pega; se ficar o bicho come.
 
Julia Saboia em 20/09/2012 07:45:48
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions