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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

29/08/2014 10:20

Fechado e inquieto, campo-grandense ganha em religião novos amigos

Lidiane Kober
Fechado e inquieto, campo-grandense ganha em religião novos amigos
Religião evangélica conquista multidão e soma 30,5% da população da Capital (Foto: Marcelo Calazans)Religião evangélica conquista multidão e soma 30,5% da população da Capital (Foto: Marcelo Calazans)

Muitas vezes fechados e inquietos, os moradores de Campo Grande vem descobrindo na religião um caminho para formar novas amizades e construir grupos sociais. Até as coincidências históricas ajudam e, apesar de ainda serem maioria na cidade, os católicos vem perdendo espaço e o momento é favorável para a ascensão dos evangélicos. Hoje, a Capital é a sétima com maior percentual de adeptos da religião, que somam 239.882 fieis, 30,5% da população do município.

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As explicações para a identificação com as teorias dos evangélicos são diversas e algumas vem de um passado bem distante. Coincidentemente, segundo o sociólogo Paulo Cabral, justamente no ano de emancipação política e administrativa de Campo Grande, que completou 115 anos, o Estado Brasileiro deixou de ser católico para se tornar Laico.

Na mesma época, conforme o sociólogo, muitas ordens religiosas, especialmente os protestantes, começaram a vir para a América do Sul. “Campo Grande pegou a expansão das igrejas protestantes”, comentou.

Além disso, Cabral associa a identificação com a religião o fato de a cidade de composta por muitas pessoas de outros estados. “A Capital é formada por sucessivas levas de migrante e o migrante é um sujeito inquieto, só fato de mudar mostra essa inquietação e a abertura a mudanças, inclusive, de religião”, analisou.

O sociólogo também relacionou a ascensão dos evangélicos a estudos sobre o fenômeno da expansão religiosa, que apontam que, enquanto a igreja católica era omissa com a população pobre, as evangélicas procuravam dar suporte, principalmente, aos migrantes rurais.

“As igrejas evangélicas recebiam e acolhiam como irmãos, ou seja, a igreja se torna um canal por meio do qual o migrante faz passagem do meio rural ao urbano, graças a prestação utilitária”, frisou.

Além disso, ele não deixa de lembrar da estratégia de usar os meios de comunicação para expandir os ensinamentos. “No final dos anos 70, o pastor Davi Miranda passou a alugar horários ociosos da televisão e, a partir daí outros perceberam que isso é o canal. É claro que a estratégia só vingou graças a um discurso competente e a postura despida de preconceito”, disse.

Na religião, campo-grandense se sentem acolhidos e dizem conquistar novos amigos (Foto: Marcelo Calazans)Na religião, campo-grandense se sentem acolhidos e dizem conquistar novos amigos (Foto: Marcelo Calazans)

Novas amizades - Pastor da Primeira Igreja Batista, uma das mais populares da cidade, Ronaldo Leite Batista vê no acolhimento dos evangélicos uma forma de o campo-grandense deixar de lado o jeitão fechado para construir novas amizades.

“Quem vem de fora, acha que o campo-grandense é meio fechado, mas depois que fica amigo, fica bem amigo, por isso, ele se identifica com o cuidado especial, atendimento personalizado, com células e grupos de amizades que encontra nas igrejas”, comentou.

Para o pastor Ronaldo, as “pessoas precisam de amor e cuidado”. “A sociedade tem tendência a massificação, porém, quando vem à igreja tem um atendimento específico sobre problemas de saúde, financeiro, profissional ou de drogas e recebe uma oração. Com isso, a família fica grata e se une em torno da igreja”, destacou.

E foi justamente a procura por um amor maior e um papel na sociedade que cativou a estudante Carol Flores, de 22 anos. Ela era católica, mas, há dois anos, trocou de religião. “Todo mundo procura Deus, procura amor e acho que as pessoas se sentem amadas e acolhidas nas igrejas evangélicas”, avaliou.

Também a cativou a possibilidade de escolher que a estudante experimentou na religião. “Os jovens cristãos protestantes não têm ideias colocadas em uma caixa, temos mais liberdade de se expressar, dizer o que sentimos”, comentou.

Essa possibilidade, na vida de Carol, resultou em “um novo olhar para as pessoas, principalmente, para as abandonas, as que estão nas ruas”. “Meu encontro com Deus me fez tomar uma posição para todo mundo sentir esse amor e, hoje, participo do projeto “Nova”, que trabalha com mulheres vítimas de abuso sexual e violência sexual”, relatou.

Profecia – Há 17 anos como pastor, Walter Sérgio Ribeiro de Lima, mais conhecido como pastor Serginho, concorda com o força do amor pregado entre os evangélicos, contudo, vai ainda mais longe e crê em profecia para “o Brasil, para Mato Grosso do Sul”.

“Acreditamos que tem uma palavra, uma promessa para o Brasil e Mato Grosso do Sul como um celeiro”, afirmou. “Baseado nessa palavra, temos nos dedicado a evangelizar e isso está cativando o campo-grandense , que encontra paz interior e um recomeço na palavra”, completou.




Jessica me desculpe mas voce veio morar na cidade errada, vai pra São Paulo ou pro Rio de Janeiro que lá tem tudo o que voce quer, inclusive violencia, estupro, roubos, acidentes, psicopatas, etc. Eu sinceramente acho que a onda dos evangelicos se dá a tudo isso que citei acima, violencia, insegurança, etc. O ser humano se sente mais seguro em grupos e os grupos evangélicos oferecem tudo que eles querem, amizade, bate papo, romance, viagens, acampamentos e principalmente a promessa de que naquele grupo dificilmente voce vai encontrar um ladrão, assassino ou pessoas de má indole, as pessoas se sentem mais seguras dentro de um grupo que prega a palavra e portanto não faz o mau, acho que tudo isto está levando cada vez mais as pessoas ao evangelismo.
 
maximiliano rodrigo antonio nahas em 29/08/2014 17:18:08
Jessica, só fazendo uma comparação, alguns países da Europa estão transformando igrejas em bibliotecas, pois o número de devotos caiu a tal ponto que tais templos estavam abandonados, isso é devido ao secularismo que vem tomando conta desses países, incrivelmente são os países que tem o menor Índice de violência, melhor índice de desenvolvimento humano e qualidade de vida.

Não tenho nada contra a pessoa acreditar que uma divindade vai leva-la para uma espécie de paraíso, o problema são os efeitos colaterais, ódio, alienação, ignorância e intolerância, coisa que lamentavelmente temos visto, como é o caso do show da cantora Rita Benneditto que não ocorreu, justamente devido a intolerância das seitas evangélicas, e isso deve ser combatido sob pena de termos instaurado um "talibã evangélico".
 
Luciano Bandeira em 29/08/2014 16:39:33
Ah! Christian, me olvidei de observar que apesar de estar na luta para mudanças em diversos âmbitos, eu me estabeleço como uma pessoa que objetiva discutir formas de mudar o que não é legal, não fujo do embate e nem fico em cima do muro: práticas desses tempos atuais também, a alienação e a indiferença.
Quem aceita as coisas tais como lhe são apresentadas se torna um objeto num mundo estático e imbecil. A minha crítica é para implementar a cidade e não miná-la, quero concordar com a máxima "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia."
Anseio que Campo Grande seja maior que um amontoado de igrejas e farmácias, só isso!
 
JESSICA MACHADO GONÇALVES em 29/08/2014 15:59:31
Cyro : Essa sua ligação tem total sentido! Existem estudos sobre o tema!
A sociedade campo grandense está doente, aliás... O mundo está, e por preceitos desses tempos rasos: "A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos."
E nessa dinâmica vamos levando... E muitos quando são tomados de arroubo e privados de consumir ou por si mesmos chegam à certeza dessa inutilidade, ficam sem saber para onde ir, e vão para a igreja ou para os médicos, se encher de remédio.. e dá-lhe rivotril, e dá-lhe lexotam, prozac... E dá-lhe igrejas e farmácias!
É necessário arte... Sem ela a vida não basta.
 
JESSICA MACHADO GONÇALVES em 29/08/2014 15:40:01
Jéssica... na moral. Muda de cidade minha filha.
 
Christian da Costa Pais em 29/08/2014 14:06:26
Concordo com a Jéssica. Nós 69,5% temos de aturar os 30,5%, e pior, está aumentando o número desse grupo muito bem letrado e informado, logo teremos de abandonar Campo Grande porque aqui vai ser tornar a cidade das farmácias em cada esquina e repleta de evangélicos. Ou será que uma coisa está diretamente ligada a outra?
 
Cyro Escobar Ribeiro Neto em 29/08/2014 13:43:23
Excelente matéria! Parabéns!!
 
abimael acosta brito em 29/08/2014 13:13:08
Que horror, logo se vê o quanto essa dinâmica restringe o pensamento de forma fundamentalista, que se torna mais moralista e demagogo, vide o exemplo do ato de tolher eventos culturais como o "quase" show da cantora Rita Benneditto.
É muito dilacerante ver uma cidade tão bonita e azul se tornando cinza e cheia de preceitos moralistas.
Olha a dinâmica das pessoas aqui?! Nas ditas "baladas" são todos iguais, ou querendo ser iguais, camisa cor sim e cor não, caminhonetes aos montes, mostrando o que realmente importa aqui... A grandeza demonstrada pelos carros. E as artes?! Cadê os cinemas dignos, não esses blockbusters que temos, cadê os teatros de verdade? Sem ser essas peças chinfrins com atores da Malhação, cadê as praças abertas? Cadê exposições valorosas? Cadê a humanidade de verdade???
 
JESSICA MACHADO GONÇALVES em 29/08/2014 10:44:42
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