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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

01/02/2011 15:13

Prédio abandonado no centro de Campo Grande é ponto de drogas até para crianças

Menino de 12 anos foi encontrado caído no local

Ana Maria Assis
Um menino de 12 anos, supostamente usuário de drogas, dormia em meio ao lixo e abandono da construção. (Foto: João Garrigó)Um menino de 12 anos, supostamente usuário de drogas, dormia em meio ao lixo e abandono da construção. (Foto: João Garrigó)

Em abandono por quase uma década, em pleno centro de Campo Grande, um prédio serve de moradia para andarilhos e ponto de uso de drogas. A construção abandonada fica na rua 26 de Agosto, próxima ao Mercado Municipal e ao Horto Florestal.

Ao entrar no prédio, a primeira cena, no primeiro cômodo protegido por um banner rasgado, é a imagem de uma criança de 12 anos, dormindo sem camisa no meio de restos de papelotes e sujeira.

Antes, enquanto a equipe do Campo Grande News se aproximava, nesta manhã, um senhor que trabalha como caminhoneiro gritou de onde estava sentado: “cuidado, não entre aí. Aí é droga”.

Assim começaram os relatos diversos sobre a utilização do prédio. O homem, que não quis ser identificado, contou que diariamente vê crianças entrando no local para usar entorpecentes ou dormir. “Eles cozinham lá dentro, sobem nos andares do prédio. A Polícia entra, eles saem, mas voltam em seguida”, disse ele.

De fora, é possível ver as roupas estendidas em um varal improvisado, e outros sinais de moradia nos cômodos construídos pela metade.

Hoje cedo, o menino de 12 anos encontrado no local mal se mexia, só balançava a perna ou os braços ao sentir o pouso de alguma mosca. Magérrimo, negro e com a pele lisa sem marcas do tempo, ele dormia um sono profundo, resultado, conforme um colega de moradia, de quem havia usado drogas durante a noite toda.

“Ele rouba e usa droga”, dizia o frequentador do prédio abandonado que foi o “guia” da equipe de reportagem.

O “guia”, que não quis se identificar por medo dos colegas ficarem “bravos”, levou a equipe do Campo Grande News em todos os cômodos do prédio, mas com uma restrição.

Durante a caminhada, advertiu sobre o perigo no andar superior. “Lá em cima não dá, lá é barra pesada”.

Não havia um espaço que já não tivesse sido ocupado na construção. Lixo, sapatos, papelotes, camisinhas estavam por toda parte no interior do imóvel. No lado de fora, os tapumes estavam todos arrombados e o mato cobria o chão.

Roupas penduradas e diversos objetos por toda parte do prédio mostram a frequencia de pessoas no lugar. (Foto: João Garrigó)Roupas penduradas e diversos objetos por toda parte do prédio mostram a frequencia de pessoas no lugar. (Foto: João Garrigó)

Mais freqüentadores e objetos roubados - Um casaco modelo blazer preto e com aparência de ser novo chamou a atenção. Foi quando o “guia” explicou: “quando eles roubam, trazem para cá”.

Ele também disse que os policiais vão com frequencia ao local, costumam retirar os usuários algumas vezes, no entanto, depois eles voltam a usar drogas e viver no lugar.

Um rapaz, de bicicleta, saiu do prédio abandonado. Ao ser abordado, assustado, disse que só foi ao local para “usar o banheiro”, e que não costuma frequentar o prédio. O “guia” contou que são muitos os que moram ali, e que boa parte crianças usuárias de drogas.

Aos 79 anos, Dagmar Garcia Coelho, vende água de coco em frente à construção. “Há uns dez anos esta construção começou, mas subiu um pouco o prédio e já parou. Desde então todo mundo sabe para que usam este prédio. Para beber e usar droga. Porque a construtora, ou os donos, nunca mais fizeram nada”.

Diversas pessoas que passaram pelo local fizeram o mesmo relato. “Todo mundo sabe. Crianças usam drogas aí dentro”.

A prefeitura de Campo Grande, informou que o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) faz a vistoria do local quinzenalmente para evitar focos de dengue e que está cumprindo seu papel, mas que em relação obra paralisada do edifício, o processo “deve estar na Justiça”.

Um dos frequentadores da construção mostra ao Campo Grande News os cômodos do prédio. (Foto: João Garrigó)Um dos frequentadores da construção mostra ao Campo Grande News os cômodos do prédio. (Foto: João Garrigó)
Prédio abandonado, sujo e com crianças usando drogas, fica no centro da Capital.Prédio abandonado, sujo e com crianças usando drogas, fica no centro da Capital.

Lei brasileira - O Código Civil Brasileiro de 2002 e a Constituição Federal de 1988 trazem disposições sobre as funções sociais e propriedades rurais e urbanas, que não permitem o abandono de imóveis, sendo um agravante quando este abandono causa algum malefício à sociedade.

No 5º artigo da Constituição Federal, os incisos XXII e XXIII trazem o direito à propriedade e em seguida a obrigatoriedade de função do imóvel na sociedade. “é garantido o direito de propriedade” e “ a propriedade atenderá a sua função social”.

O artigo 1.228 do Código Civil impõe o direito à propriedade, quando afirma que “O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha”, no entanto, estabelece obrigações no parágrafo primeiro, quando prevê que o direito “...deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas”.



O tema da reportagem é ótimo, fala da realidade em Campo Grande, mas estamos cansados de ouvir e ver esse dilema em todas as reportagens, porque o governo ou a prefeitura não dá um basta, temos que ficar policiando e cobrando sendo que temos superiores capazes para tal atribuição. Bem como demonstra a realidade da Cidade de Deus, eu vejo a todo momento as divulgações que em CG não existe favela, sugiro ao Campo Grande News que faça uma matéria da realidade daquele lugar falando a verdade.
 
Suyane Liuti em 02/02/2011 12:13:18
Muito boa a reportagem , espero que esta sirva de alerta para a sociedade que vive no meio do caos que é ter prédios abandonados servindo como refúgio para marginais e crianças drogadas .Até quando seremos obrigados a conviver com isso sem uma medida mais dura por parte dos nossos governantes para punir empresas que cometem o ato de abandonar construções .
 
ELIANE DE SOUZA ANDRADE em 02/02/2011 09:52:31
QUANTO AOS SHOWS DA EXPOGRANDE!
Eu não sou contra os shows, e acredito que os campograndenses também não são, o problema é o volume, a altura do som. Precisa ser tão alto? Não é pela altura do som que se mede o divertimento. Acho que as pessoas envolvidas deveriam ter um pouco mais de discernimento e respeito pelas pessoas que residem no local e também com as pessoas que estão participando do evento. QUE CONTINUEM OS SHOWS, PORÉM, QUE O VOLUME SEJA MAIS BAIXO! BOM DIVERTIMENTO PARA TODOS!
 
Ana Maria Rodrigues Lopes em 02/02/2011 02:00:43
Excelente reportagem que serve de alerta às autoridades públicas acerca das 'cracolândias' existentes em Campo Grande, que muitas vezes passam despercebidas ou são esquecidas pelo poder público. Que o alerta posso mobilizar as ações de combate e prevenção ao tráfico e ao consumo de entorpecentes, principalmente por menores de idade, e que a estes seja dado um destino digno e à altura da necessidade que preceitua o ECA.
 
Vinícius Santa Bárbara em 02/02/2011 01:23:16
Cria-se leis proibindo os fumantes tabagistas legais e cria-se leis abranando ou eximindo penas contra os usuários de drogas.
Em São Paulo estão correndo atrás dos tabagistas com tanta ira que até atropelam, pisotenado, os usuários de drogas esparramados pelas calçadas de qualquer lugar.
Uma inversão de valores imensurável que nossa sociedade atual, hipócrita e ordinária, vme assumindo à cada dia, a cada reportagem.
 
Ezio José em 01/02/2011 11:13:36
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