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Campo Grande, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

20/11/2011 09:30

“A gente não precisa ter medo. Essa terra é nossa”, diz indío após atentado

Paula Maciulevicius

Clima na região ainda é de insegurança; aos poucos indígenas voltam ao acampamento onde líder foi executado por pistoleiros

Adolescente tem marcas de ferimento, após ataque a acampamento indígena no Sul do Estado. (Foto: Divulgação MPF)Adolescente tem marcas de ferimento, após ataque a acampamento indígena no Sul do Estado. (Foto: Divulgação MPF)

O clima de insegurança continua entre os acampados na região das fazendas Nova Querência e Ouro Verde, na divisa dos municípios de Aral Moreira e Amambai, região Sul do Estado. Mas a perseverança do povo sobrevive mesmo depois do atentado em que, segundo eles, foi executado do líder indígena Nisio Gomes, na última sexta-feira. Nisio está desaparecido.

“A gente não precisa ter medo. Essa terra é nossa”, dizem eles que agora se definem como todos na liderança.

O Campo Grande News esteve no local no final da tarde deste sábado. Os guarani-kaiowás não permitiram fotos e conversaram pouco. Eles estão arredios após o ataque que, segundo afirmam, foi feito por vários pistoleiros em camionetes, armados. No local, foram apreendidos vestígios de armamento e de sangue.

Segundo relatos dos próprios indígenas, os moradores aos poucos está voltando ao acampamento. Isso porque no momento do atentado muitos se refugiaram na mata. “Foi ouvir os tiros e a gente saiu correndo”, conta um deles.

O receio em receber a imprensa pode ser visto nos olhos de cada um. Ao chegar na área do acampamento, depois de entrar na fazenda e percorrer cerca de 5 quilômetros, os indígenas vêm ao encontro da equipe.

Um limite parece ter sido estabelecido, com três pedaços de madeira pequenos fincados ao chão. Do lado de lá indígenas permanecem na retaguarda enquanto a equipe do Campo Grande News tenta se aproximar.

Os primeiros a chegar não portavam arco, nem flecha. Aos poucos, eles deixam que a equipe se aproxime.

“Agora nós todos somos a liderança” responde um guarani-kaiowá. O tempo todo eles se entreolhavam e discutiam em guarani. A impressão que dava era que eles se conversavam o que poderia ou não ser dito.

“Eram oito pistoleiros, atiraram e levaram Nisio”, dizem. Até agora os indígenas não encontraram o corpo do líder.

Devagar mais deles vem chegando. Muitas crianças e jovens. “Tem ônibus vindo de aldeia com mais gente”. A sensação é de que o atentado fortaleceu a etnia que vive na região.

Sem permitir a entrada da equipe, eles contaram que o atentado não durou muito e que “foram embora sem deixar rastros”. A visita da Polícia Federal que esteve no local desde sexta-feira tranqüilizou. “Os federais disseram e a gente não precisa ter medo. É tekohá, essa terra é nossa”, reafirma um indígena mais velho.

Entre as poucas palavras ditas pelos indígenas, eles não confirmaram de quanto é a área acampada. O local aparenta ser extenso e estar com dezenas de guarani-kaiowá. Ao fundo se escutava gritos que se assemelhavam a algum ritual.

Os números de desaparecidos depois do atentado devem se confirmar neste começo de semana. De acordo com Tonico Benites, membro da Assembleia Geral do Povo Guarani-Kaiowá, mulheres e crianças voltaram neste sábado, pela fome e sede.

O fim da entrevista na região foi definido pelos indígenas. Um deles, mais jovem, questionou “isso que vocês estão fazendo vai ajudar de alguma forma?”. A pergunta reflete a tensão vivida pelo grupo.

Caso - Conforme apurado pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário), durante a correria de tiros, três jovens um de 14 anos, outro de 15 e um de 16 anos teriam sido baleados.

De acordo com lideranças indígenas de aldeias vizinhas, o garoto de 14 anos seria neto de Nisio Gomes. Ele chegou a ser socorrido, medicado e já teria retornado ao acampamento. Os outros dois estavam desaparecidos.

O MPF (Ministério Público Federal) abriu investigação e a perícia da Polícia Civil constatou marcas de sangue em meio à folhas, que remontam a cena de um corpo sendo arrastado, possivelmente de Nisio.

Segundo relatos dos indígenas ao CIMI, Nisio teria sido executado com tiros na cabeça, peito, braços e pernas. O filho ainda tentou impedir a execução, se atirando sobre um dos pistoleiros.

A ação dos pistoleiros foi por volta das 6h30 da manhã de sexta-feira. Eles estavam respaldados por cerca de uma dezena de caminhonetes Hilux e S-10. Na caçamba de uma delas o corpo de Nisio foi transportado.

Os guarani-kaiowá estavam acampados a região desde o dia primeiro deste mês. Nisio teria sofrido ameaças de morte dois dias antes do atentado.




Essas terras eram ocupadas pelos indios anteriormente, e foram expulsos pelos fazendeiros, e depois foi requerida a escritura,eo governo consedeu e hoje em torno de 120 anos depois, os indios estao requerendo oque sao deles por direito.
 
Emerson em 20/11/2011 12:55:40
É jair, como podemos ver a falta de estrutura de nossos índios a unica coisa que eles querem a terra que de fato são deles e nada mas. O Brasil e grande só falta uma boa distribuição de terra. todos tem seu direitos que crueldade pegaram desarmado no máximo com arco e flecha que covardia!!!!
O inferno e aqui mesmo, no fim todos vão apodrecer em uma cova, em um pedaço bem pequeno de terra.
 
Eliane campos em 20/11/2011 12:51:27
Incrível como nossos indígenas - tão plugados nessa era, não tinham nenhum celular com câmera. Incrível.
Seriam jogadas ensaiadas? Seriam momentos de trucagem politica? Nesse buraco tem osso.
 
Jair do Couto em 20/11/2011 11:12:40
Certo! As terra são dos indios, são terras deles, eles tem direito de viverem nelas.
O govêrno precisa fazer algo junto a PF, e não deixar os pistoleiros matarem e nem pertubarem os indios.
Do contrário os indios terão de se armar com flechas, e outras armas a mais, para lutarem e defenderem o seu povo, nos acampamentos existem idosos e muitas crianças.
 
Maria Helena em 20/11/2011 10:13:15
essas terras nao tem escrituras?? se tem é de direito do dono,é ambarado pela lei e quem deu anuencia foi o estado,entao quem ta errado la sao os "coitados" dos indios
 
roberto perez em 20/11/2011 10:08:54
Se as terras são dos índios, vcs deveriam deixar suas casas pois, só existiam ales aqui. É muito fácil falar da terra dos outros mas quando é a sua aí dói.
 
João Carlos da Silva em 20/11/2011 08:12:02
Depois que FUNAI fizer sua vistoria e emitir um laudo antropológico afirmando que naquela região é território indígena, o particular terá que desocupar a terra possivelmente sem direito a uma indenização justa, porque o local primeiramente é da União federal e não cabe direito a indenização artigo 231 CF.
A União tem q tomar providência e resolver o problema de forma pacífica.
 
Junior Oliveira em 20/11/2011 07:50:03
estas terras é doa índios ..aonde chegamos matar um índio o próprio índio é patrimônio cultural do BRASIL nunca deveria matar ninguém por causa de terras....q lei é essa???? vou acompanhar se vai pegar o assassino q matou este índio....q absurdo....queremos ver a PF trabalhar e pegar este bandido .....
 
leila martins em 20/11/2011 07:14:01
ter escritura da terra não significa que ele pode matar. isso se chama homicidio culposo quando há intensão de matar. e pode ter certeza que aconteça o que acontecer nada vai impedir o afastamento dos indigenas do local.
 
REGINALDO EMERSON em 20/11/2011 03:45:32
Em primeiro lugar os indios não são coitados ta Roberto Perez. Segundo que a Escritura não legitima ao proprietário ser dono das terras. Se esta terra vou grilada, roubada ou coisa deste tipo tem que ser devolvida aos donos. Principalmente se eles estão requerendo. Enquanto isso Mulheres, crianças e idosos indigenas aguardam a descisão da Tal Justiça em devolver as terras.
 
Marilza Drum em 20/11/2011 01:23:37
Incrivel q ainda tem gente q ñ acredita q o" coronel" de antigamente,ainda existe e quer resolver seus problemas a bala, fraudava com pagamentos de propinas os governantes que lhes cediam terras indígenas e junto levava a "escritura legal".Nativo não precisa de escrituras pra ser dono de seu proprio habitat.Índio quer liberdade tendo de volta o q lhes foi tomado.PF já intimou o coroné?
 
samuel gomes-campo grande ms em 20/11/2011 01:21:53
A bandeira fincada pelos índios no acampamento, que guarda sinais do ataque, em imagens divulgadas pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário)A bandeira fincada pelos índios no acampamento, que guarda sinais do ataque, em imagens divulgadas pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário)
Vestígios de sangue no acampamento foram colhidos pela Polícia Federal para investigação. (Fotos: Cimi)Vestígios de sangue no acampamento foram colhidos pela Polícia Federal para investigação. (Fotos: Cimi)
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