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Campo Grande, Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

22/09/2015 16:27

Secretário diz que Estado deve R$ 7,6 milhões para a saúde municipal

Pendências incluem repasses que deveriam ter sido feitos para o HU e convênio com a fundação que administra o Hospital da Vida

Helio de Freitas, de Dourados
Sebastião Nogueira durante reunião do Conselho de Saúde; secretário diz que hospitais estão sucateados (Foto: Eliel Oliveira)Sebastião Nogueira durante reunião do Conselho de Saúde; secretário diz que hospitais estão sucateados (Foto: Eliel Oliveira)

O secretário municipal de Saúde, Sebastião Nogueira, disse que o governo de Mato Grosso do Sul tem pendências de R$ 7,6 milhões com o município de Dourados em recursos que deveriam ter sido liberados para gastos com saúde pública.

Na reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizada ontem, Nogueira apresentou uma relação dos débitos e disse que a falta de repasses não ocorre apenas neste governo, mas a pendência é um dos motivos para o sucateamento dos hospitais da Vida e Universitário. “Há 15 anos não se investe em saúde em Dourados”, reclamou.

De acordo com o secretário, do montante em atraso, R$ 3 milhões são do convênio firmado entre o Estado e a Funsaud (Fundação de Saúde de Dourados), que administra a UPA (Unidade de Pronto Atendimento Médico) e o Hospital da Vida, e R$ 350 mil são para atendimentos de ambulatório no HU (Hospital Universitário).

As demais pendências são despesas variadas, como incentivo à alta e média complexidade, recursos para saúde da família e outras receitas que deveriam ter sido destinadas pelo Estado ao município.

Faltam equipamentos – Sebastião Nogueira afirmou que a falta de recursos tanto estaduais quanto federais impedem investimentos em mais equipamentos. “No Hospital da Vida tem equipamento com mais de 30 anos, como o tomógrafo que é usado na unidade. A participação do Estado é mínima, se resume a 9% do que a saúde recebe em recursos federais, estaduais e municipais”, reclamou.

“Estamos devendo um milhão e poucos para o Hospital Universitário e isso ocorre porque não recebemos do Estado. De janeiro para cá o Estado tem feito o município de Dourados sofrer por falta de repasses”, afirmou Nogueira.

Culpou Nelson Tavares – Sebastião Nogueira culpou o secretário estadual de Saúde, Nelson Tavares, pelo atraso nos repasses: “Isso é obra e causa do atual secretário de Saúde, que quer vir tomar conta da saúde de Dourados. Para conseguir isso, quer nos apertar financeiramente. De R$ 1,4 milhão que tem que repassar por mês. O Estado repassou R$ 176 mil em julho, R$ 173 mil em agosto e 14 mil reais em setembro”.

Nogueira afirmou que dos R$ 500 mil que deveriam ser repassados mensalmente para o custeio da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), conforme convênio assinado no governo anterior, o pagamento foi feito apenas nos três primeiros meses do ano. “O Estado deve de abril a setembro”.

Subfinanciamento – Sebastião Nogueira disse que por parte da União, o município com responsabilidade de atender outras 30 cidades sofre como subfinanciamento da saúde. “O Fundo Municipal de Saúde recebe R$ 5,4 mês per capita, enquanto Campo Grande recebe acima de R$ 14 e Corumbá R$ 8,8. Com isso falta dinheiro para os hospitais, para a cirurgia cardíaca e para a oncologia, por exemplo”.

HU não atende – O secretário afirmou que além da falta de mais recursos federais e estaduais, a crise da saúde pública em Dourados ocorre também por reponsabilidade do HU. “Por culpa da administração anterior, pois a atual tem feito tudo para melhorar os serviços”, disse Sebastião. A superintendente do HU, Mariana Croda, que assumiu o cargo no final de julho, também estava presente.

“De março de 2013 a agosto de 2014, fizemos descontos de R$ 16 milhões do Hospital Universitário por serviços pagos e não realizados. E isso vai impactar consideravelmente na situação financeira atual do hospital”, declarou Sebastião Nogueira.

Precisa de mais hospital – Ainda segundo o secretário, a fila por atendimento, principalmente por cirurgias eletivas, ocorreu porque a direção do hospital deixou de atender os pacientes. “Mas não adianta colocar a culpa só no HU. Precisamos de mais um hospital. Dourados atende 33 municípios e a toda hora chega pacientes de fora no Hospital da Vida, que, daquele tamanho, tem que atender a todos”.

Em janeiro deste ano, o governo do Estado cancelou a construção do Hospital Regional de Dourados, iniciada em novembro de 2014. Na época, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) afirmou que seu antecessor, André Puccinelli (PMDB), não deixou dinheiro garantido para a obra. O tucano já anunciou que vai retomar a obra, mas sem data prevista.

O Campo Grande News ligou para o secretário Nelson Tavares, mas ele não atendeu. Foi deixado recado em sua rede social, mas ele não retornou. O caso também foi informado à assessoria de imprensa do governo do Estado, que informou ter repassado para o assessor da Secretaria de Saúde e passaria as informações assim que tivesse um retorno, o que não ocorreu até às 16h.




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