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09/04/2015 09:25

A República Brasileira perdeu a credibilidade. Será possível uma "refundação"?

Mário Sérgio Lorenzetto
A República Brasileira perdeu a credibilidade. Será possível uma refundação?

É possível uma "Refundação da República"?

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Os argumentos para uma "Refundação da República" estão dados nas ruas, manifestações, locais de trabalho e lares brasileiros. Não há necessidade de repeti-los. Basta uma palavra para condensá-los: credibilidade. A República Brasileira perde a credibilidade. Perderam o "time". Foi-se o tempo em que atender nossos pedidos resolveria a situação. Queremos mais do que promessas, queremos uma substituição, sem jacobinismo, sem quarteladas e volta de militares ao poder. Consideramos esgotado o atual modelo político e econômico. Mas, uma quebra dos preceitos constitucionais é ainda mais preocupante e intolerável.

Um filósofo grego dizia irônico ao rei poderoso que era difícil distinguir os ossos dos ricos corruptos daqueles dos escravos. Hoje os brasileiros têm a mesma dificuldade em reconhecer os políticos corruptos e os honestos, os que vivem para enriquecer ou para pensar no bem comum. Estão procurando um homem ou uma instituição não contaminada pela ilegalidade, capazes de lhes devolver confiança. Mas surge uma proposta que talvez tenha algo de utópica, mas é melhor do que deixar soltas as águas do rio desenfreado dos protestos que não apresentam soluções e que nos oferecem o risco de nos depararmos com um perigoso salvador da pátria. Essa ideia, ainda muito incipiente, diz que seria necessário, no espaço de poucos meses, serem dissolvidos os atuais partidos, destituir a Presidenta e o Vice-Presidente, convocar novas eleições nas quais seriam votados os novos partidos, que teriam de apresentar programas claros, com definições ideológicas. Provavelmente meia dúzia de partidos com identidade e não os 32 de hoje que degradam a política. Enquanto isso o Supremo Tribunal Federal deveria governar o país até que sejam eleitos o novo Presidente e o novo parlamento.

Qualquer remendo é inútil na atual situação. Mas temos de frear os impulsos e as tentações antidemocráticas. Nenhuma proposta pode ferir a Constituição. A crise brasileira está deixando de ser apenas nossa. Ultrapassa as fronteiras e está se tornando uma crise de toda a América Latina. Há raríssimos espaços de manobra para o PT e seus aliados e eles encurtam a cada dia que passa. A Presidenta, a cada minuto, se torna uma marionete nas mãos de tantos que não elegemos para comandar os destinos do país.

A República Brasileira perdeu a credibilidade. Será possível uma refundação?
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"Eles não entenderam nada". A pauta do movimento "Vem prá rua".

Os organizadores do movimento disseram: "nosso propósito é através da informação, instigar o povo brasileiro a ir prá rua em busca de um país melhor". É um dentre tantos grupos que trabalharam para levar milhares ou milhões de brasileiros às ruas dias atrás. No domingo, 15 de março, saíram afirmando que retornariam às ruas em novas passeatas no dia 12 de abril.
Existem problemas que começam a se tronar crônico nessas pequenas organizações que incentivaram a população a se manifestar - não há líderes e não existem pautas claras e consensuais de reivindicação. Ir prá rua tão somente para manifestar a revolta pode servir como uma catarse. Xinga, grita e não há nenhum resultado concreto. Apenas libera a raiva.

Agora tentam construir uma pauta que dê rumo e sentido às manifestações. Dizem que o tema para as manifestações do dia 12 de abril será: "eles não entenderam nada". As respostas e medidas governamentais seriam apenas discursos não condizentes com a prática e não serviram para nada. Redução do número de ministérios, transparência dos dados de empréstimos do BNDES e o impedimento do Ministro Toffolli para julgar os responsáveis pelo Petrolão, são as bandeiras que esse movimento tenta hastear.

A República Brasileira perdeu a credibilidade. Será possível uma refundação?
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O homem florido no banco da praça.

Há muitos anos um banco da praça Ari Coelho era frequentemente ocupado por um homem florido. O banco era decorado com flores, folhas e ramos e havia nesse arranjo alguma graça e bom gosto que chamavam a atenção. Não me recordo de seu nome e me acostumei a chamá-lo de homem das flores. Porque ele decorava a si mesmo, com alguma elegância com que adornava o banco onde pressupus que ele dormia. Sempre asseado, penteado e decorado com flores, folhas e ramos em seus cabelos e até nas orelhas. Algumas vezes na camisa e nas calças. Havia muita graça na maneira como se engalanava. Ele dizia que dava uma segunda vida às plantas, era um "ecologista" quando nem mesmo essa palavra existia. O banco da praça era um simples monumento à ecologia.

Era um homem relativamente jovem, entre 40 e 50 anos. Nunca deu a entender que tinha levado outra vida além dessa, ou seja, a de um homem das flores, contente e quase sempre entusiasmado com o que fazia, e principalmente, com o que não fazia. Um vagabundo insolvente e feliz. Muitas vezes fiquei tentado em perguntar se não o sobressaltava o temor de uma doença, de uma velhice sem recursos que se aproximava, se nessa solidão irredutível à qual parecia confinado não sentia falta de uma companheira, de uma família. Fiquei receoso de ofendê-lo.

Um dia estava mais feliz que o normal. Acreditava ter convencido um jovem que trabalhava em uma barbearia próxima a abandonar as drogas. Era um otimista visceral e sempre estava risonho. Outro dia criei coragem, perguntei-lhe se uma vida sem dinheiro não o condenaria à inanição. Não, obtive como resposta. E imediatamente enumerou os locais onde obtinha os "sopões da solidariedade" e eventualmente alguns sanduíches que sobravam em uma lanchonete que existia próxima à praça. A sua exaltação e felicidade sumiu há muitos anos do centro da cidade. Ele sempre esteve convencido de que nesta vida ninguém tem o direito de se aborrecer nem de se deprimir, porque, apesar de tudo, ela é o melhor que nos aconteceu.

A República Brasileira perdeu a credibilidade. Será possível uma refundação?
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Umberto Eco discute a crise do jornal diário.

O autor do best-seller "O Nome da Rosa" e do "Pêndulo de Foucalt", dentre tantos outros livros, está com 83 anos e vive em Milão, na Itália. Está lançando " O Número Zero", uma ficção sobre o jornalismo inspirada na realidade. Um olhar sobre a informação no século XXI e a internet, campo de batalha das ideias, das notícias. E das mentiras. "O Número Zero", que será lançado no Brasil até o final do ano, retrata um editor que monta um jornal que não sairá às ruas, mas cuja existência serve para intimidar e chantagear seus adversários.

Eco diz que esse tipo de jornalismo, para chantagear, sempre existiu e que recebeu o nome de "máquina de lama". Consiste em desligitimar o adversário e que para isso não é necessário ele ter matado a avó ou ser um pedófilo, basta difundir suspeitas de suas atitudes cotidianas. No romance aparece um magistrado (que existiu de verdade) sobre quem se lança suspeitas; se diz simplesmente que é extravagante, usa meias coloridas...É um fato verdadeiro, consequência da máquina de lama.

Umberto Eco diz que a internet pode ter tomado o lugar do mau jornalismo. O raciocínio dele é que se você está em um jornal como "Corriere della Sera" ou "La Repubblica" (os maiores jornais italianos), pode pensar que existe um certo controle da notícia e confia. Por outro lado, se você lê um jornal sensacionalista, começa a não confiar. Com a internet acontece o contrário: confia em tudo porque não sabe diferenciar a fonte diferenciada da disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na internet qualquer página que fale de escândalos frequentemente, de compôs ou que invente histórias absurdas. Há um razoável acompanhamento de internautas em geral e de pessoas importantes que as levam a sério. Ele conta que a crise do jornalismo não começou agora e sim nos anos 1950, quando chegou a televisão. Até então o jornal te contava o que acontecia na tarde anterior, por isso muitos jornais eram chamados jornais da tarde: Corriere della Sera, Le Soir, La Tarde, Evening Standard. Com a chegada da televisão e depois da internet, os jornais passaram a te contar pela manhã o que você já sabe. E estão definhando. Muitos desapareceram ou estão próximos do desaparecimento. Eco propõe que a única saída deles é se converterem em semanários. Discussão muito atual e propicia para países e mesmo Estados periféricos como o Mato Grosso do Sul.

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Operação Cura-Ressaca.

Náuseas, cansaço, ânsia, mau humor? Se você bebeu além da conta pode estar sofrendo os sintomas de uma ressaca, denominada pelos médicos de "veisalgia". O comum é tomar uma aspirina. Mas ela também traz consequências nada interessantes para o estômago. Há alimentos que ajudam muito na cura da ressaca. Segundo um estudo da Universidade da Califórnia (EUA), o consumo desmedido de álcool provoca desidratação, causa alterações hormonais e desajusta as citosinas (proteínas que fazem a comunicação entre as células), além dos efeitos tóxicos do álcool que vai para o sangue. Conhecendo os danos, sabemos o que é preciso recuperar. Está comprovado que determinados alimentos por seu conteúdo em minerais, aminoácidos, açúcares e vitaminas, podem aliviar a agonia de quem estiver com ressaca. A primeira regra é não dar muito trabalho para o fígado (que já está muito sobrecarregado). É melhor deixar as frituras e alimentos muito gordurosos para outro dia. Os melhores alimentos para a ressaca são: leite, banana, ovos não fritos, aspargos, suco de tomate, atum e suco de laranja.

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