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02/12/2013 07:31

Acredite: nem todas as grandes propriedades pressionam a sustentabilidade

Mário Sérgio Lorenzetto
Acredite: nem todas as grandes propriedades pressionam a sustentabilidade

Sustentabilidade e grandes fazendas – verdades de cair o queixo

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Nem todas as grandes fazendas pervertem a sustentabilidade. Nem todas as pequenas fazendas de produtos orgânicos são sustentáveis. Estes são mitos produzidos por pura ideologia. Pequenas fazendas podem fornecer comida de grande qualidade, mas se elas não produzirem certa quantidade de calorias por hectares, estarão fazendo pouco para ajudar no fornecimento de comida para o mundo.

O aumento da produção nas próximas décadas determinará a sustentabilidade da agricultura. A produção sustentável de comida é uma necessidade humana fundamental. Ao termos os dados disponíveis poderemos saber as consequências de onde e como produzir alimentos.

As fazendas do mundo ocupam uma área equivalente a toda América Latina. Em 2050, a população global chegará perto de 10 bilhões de pessoas que irão demandar um acréscimo de 70% de comida em comparação com o que é produzido hoje. Temos duas opções: precisamos tirar mais comida das terras que cultivamos ou precisamos cultivar mais terras.

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As aparências podem enganar, quando se trata de sustentabilidade

A sustentabilidade tem pouco a ver com aparências como os políticos e o terceiro setor gostam de fazer crer. Ela depende se uma fazenda pode continuar a produzir comida por um longo período de tempo sem que produza danos irreparáveis ao meio ambiente ou sem causar a devastação de outras terras na busca do aumento da produção.

Outro fator que está ligado à sustentabilidade é o uso de fertilizantes. Eles ajudam a produzir mais comida em um determinado pedaço de terra, contudo, o uso abusivo pode produzir sérios danos ambientais. Isto depende da forma como as fazendas usam nitrogênio e fósforo. As colheitas não absorvem todo o fertilizante e a quantidade que fica na superfície da terra pode acabar em mananciais de água, alimentando o crescimento de algas e diminuindo o oxigênio dos rios. Cinquenta nos do uso pesado de fertilizantes na Europa e nos Estados Unidos levaram ao surgimento de lagos, rios e costas mortas, “sufocadas por algas”.

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Pesquisador norte-americano se surpreende com realidade do solo nacional

Esta preocupação levou um professor da Brown University (USA), Stephen Porder, até Canarana em nosso vizinho Mato Grosso. O local é conhecido por ser um massivo produtor de grãos. Stephen Porder se surpreendeu pelo fato de que, no local, as fontes de águas não estavam contaminadas e que o nível de nitrogênio e fósforo das fazendas não era tão superior ao de florestas adjacentes. Um dos motivos é pelo solo, que funciona como um filtro que remove os nutrientes antes que estes alcancem as águas. Enquanto nos Estados Unidos os cientistas quebram a cabeça para limpar os restos de fertilizante do solo, em Mato Grosso, e com certeza no Mato Grosso do Sul que trabalham com terras semelhantes, o solo se encarrega do serviço. O problema do solo é outro, após milhões de anos de chuvas pesadas, a terra está fraca em fósforo, pois impede que o fósforo chegue aos rios, mas também não deixa muito para as plantações. Em locais com solos mais jovens e férteis a demanda por fósforo é reduzida. O problema: fósforo é um recurso finito.

Outra questão: o aquecimento global é atribuído à queima de combustíveis, porém, 15% das emissões de dióxido de carbono são provenientes das mudanças no ambiente como a realização de queimadas para “limpar” o terreno para novas produções agrícolas, ainda tão comum em nosso Estado e nos demais da União. Por outro lado, as fazendas de soja e milho produzem muito mais calorias do que as fazendas de pecuária que elas substituíram. Para termos alimento para toda a população do mundo em 2050 existem três alternativas - elas envolvem esforços no sentido da redução do desperdício de comida, melhor distribuição de renda e repensar as formas de produção. Uma questão que acompanha o desafio da sustentabilidade no século XXI é se vamos produzir em mais terras ou produziremos com maior intensidade nas já disponíveis. Talvez consigamos unir as duas vertentes.

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A sustentabilidade empresarial irá além da mera contabilidade

A história empresarial está cheia de tombos monumentais dessas organizações que, de uma hora para a outra, passaram da condição de modelo de sucesso à de exemplo de fracasso. No topo da lista dos casos mais emblemáticos está o grupo EBX, do empresário Eike Batista.

Para um grupo crescente de especialistas, esses exemplos expõem o mesmo problema: a fragilidade do atual modelo de prestação de contas das empresas. Desde 2010, sob o nome de Conselho Internacional de Relato Integrado – IIRC, na sigla em inglês – representantes de mais de cem companhias do mundo passaram a discutir uma proposta de criação de um novo modelo de relatório de desempenho. O Brasil é o terceiro país com o maior número de participantes, atrás apenas da Grã Bretanha e Holanda. No grupo estão grandes empresas globais, como a fabricante de automóveis sueca Volvo e a indústria química Basf. Entre as nove brasileiras estão a Votorantim, a Petrobras e a Natura.

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Grupo já tem reunião marcada para lançar documento-base

Além das empresas, participam da discussão a organização internacional das comissões de valores mobiliários e as quatro maiores consultorias do mundo. Em janeiro próximo, o grupo deve lançar oficialmente o primeiro documento-base desse relatório integrado. Uma das principais falhas que o grupo pretende corrigir é o caráter monotemático dos relatórios atuais, concentrados em pura contabilidade. Para isso, faz parte dos planos prestar contas de ativos não financeiros que podem afetar diretamente o negócio, como fatores críticos na gestão de pessoas ou em parceria com outras companhias. Prevê ainda mapear não apenas o que afeta a empresa hoje, mas também no futuro. O novo modelo prevê o relato de oportunidades no curto, médio e longo prazos.

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Uma nova equação está nascendo – o Índice de Progresso Social

A lógica de que o avanço social dos países decorre apenas de seu sucesso econômico começa a ser subvertida. Há outros componentes que integram a medida que avalia a prosperidade de uma nação.

Em setembro passado, Michael Porter, professor de Harvard e diretor do ranking de competitividade das nações do Fórum Econômico Mundial, em conjunto com especialistas de Harvard, do MIT e com apoio das empresas de tecnologia Cisco e Deloitte, anunciou uma nova empreitada: levar a medida do desenvolvimento dos países a um novo patamar, muito mais completo que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Eles propuseram a criação do IPS, que significa Índice de Progresso Social.

Os indicadores desse novo índice estão compartimentados em três grandes blocos: necessidades básicas, princípios de bem-estar e oportunidade. As necessidades básicas, por exemplo, congregam os indicadores de nutrição e serviço de saúde, habitação, ar, água, saneamento e segurança pessoal.

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Índice está surgindo e Brasil já está em décimo oitavo

Entre 50 países, o Brasil está na décima oitava posição. De acordo com a análise do Índice de Progresso Social, o país saiu-se relativamente bem, mas tem alguns problemas graves. No indicador de segurança nós estamos em quadragésimo sexto lugar, no de saúde e bem-estar ficamos apenas em trigésimo primeiro e no de acesso à educação superior, em trigésimo terceiro.

O IPS foi desenhado para destacar essas questões de um modo científico, canalizar e apoiar as mudanças. Os criadores do IPS pretendem organizar uma comunidade ao redor do tema. Estão montando uma rede de empresários, líderes da sociedade e governantes para interpretar os desafios que o índice apontou, identificar as prioridades e trabalhar de modo colaborativo.

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Estudo da demanda da folha da coca constrange Evo Morales

O Estudo Integral da Demanda da Folha da Coca na Bolívia, patrocinado pela União Européia, aponta que um terço da população boliviana masca essa folha, consumo tradicional aceito por todos bolivianos, gerando uma demanda anual de 20,7 mil toneladas com o plantio de 14,7 mil hectares.

O problema para o presidente Evo Morales, que chegou ao poder como líder dos plantadores de coca, está na comparação com outro relatório, divulgado pelo escritório da ONU (Organização das Nações Unidas). O documento aponta que a área de plantio no país atinge 25,3 mil hectares com uma produção de 45 mil toneladas da folha. O cruzamento dos dois relatórios indica que 42% da área plantada e 54% a produção de folha de coca na Bolívia estão destinadas a alimentar o narcotráfico.

União Europeia financiou estudo que só saiu com dois anos de atraso

O estudo financiado pela União Europeia, com 12 mil páginas, com informações detalhadas sobre hábitos de consumo, comércio, plantio e rendimento das safras, foi publicado com dois anos de atraso, após pressão europeia.

O assunto desperta o interesse do Brasil, onde cerca de 60% da cocaína apreendida vêm da Bolívia. Desde 2011, o governo brasileiro vinha cobrando, a portas fechadas, a divulgação do relatório. Oficialmente, o Itamaraty também vê com cautela um dado do estudo financiado pela União Europeia – ele contabiliza 57,7 toneladas de folhas de coca que entram por ano em municípios brasileiros na fronteira com a Bolívia. O Ministério em nota, afirma: “cabe recordar que a Convenção de Viena sobre entorpecentes, de 1961, é inequívoca quanto à proibição de exportar a folha de coca”.

No mesmo dia da divulgação desse relatório, representantes dos cocaleiros dentro do partido de Morales – o MAS –, foram à imprensa para cobrar do presidente o cumprimento de uma promessa de campanha – a expansão da área legalizada no país de 12 mil para 20 mil hectares.

Acredite: nem todas as grandes propriedades pressionam a sustentabilidade
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Mistura de biodiesel no diesel aumentará

O governo federal prometeu à Frente Parlamentar do Agronegócio que até o final deste mês, vai enviar uma medida provisória ou um projeto de lei para o Congresso Nacional para propor o aumento da mistura do biodiesel no diesel mineral dos atuais 5% para 7%. O setor do biodiesel clama por essa medida desde 2011. Caso seja aprovada, começará a valer a partir de janeiro de 2014.

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Ficam discutindo sustentabilidade nas fazendas - destruímos florestas, matamos os rios, o pum da vaca vai acabar com o mundo e tantos outros ataques. As indústrias e os caminhões poluem um pouco? Vocês da cidade que são os maiores poluidores só olham para o campo para acusar.
 
Ernesto Fernandes em 02/12/2013 15:21:10
Hoje já produzimos alimentos suficientes para alimentar a população mundial. O problema está na distribuição desses alimentos que não chegam às pessoas famintas(principalmente na África e parte da Ásia). No futuro, os alimentos não serão produzidos como hoje, ma sim, em "roças" laboratórios com controle de temperatura, umidade e luz. Então será possível produzir muito mais alimentos sem precisar utilizar mais terra do que já usamos.
 
Aparecido Antonio dos Santos em 02/12/2013 12:31:32
A sustentabilidade está bem escrita na coluna não é só para o campo é para todas as empresas e também não pode virar uma bíblia, produzir para o mundo é ainda mais importante que só cuidar do meio ambiente. Tá tudo claro na matéria é só ler.
 
Marco Antonio Barreto em 02/12/2013 11:16:41
O problema está bem dito pela matéria, temos de nos preocupar primeiro com o combate a fome e sempre a questão ambiental deve ser preocupação de todo mundo.
 
Maria Ignes Montori em 02/12/2013 10:16:46
Insustentável é a fome. Temos que colher muito, cada vez mais e como diz a matéria com a sustentabilidade sempre presente.
 
Delmires Assunção em 02/12/2013 09:51:46
A grande fazenda luta contra o meio ambiente com derrubada de matas, fertilizantes e agrotóxicos na água. A única saída é acabar com elas e só termos pequenas fazendas.
 
Araci Menegazzo em 02/12/2013 09:43:30
Sem as grandes plantações todos morrerão de fome e não se discutirá sustentabilidade.
 
Magno Afonso de Souza em 02/12/2013 09:07:08
A sustentabilidade não é inimiga da produção. Devem caminhar juntas.
 
Agnaldo Marcondes em 02/12/2013 08:36:04
A questão da sustentabilidade é muito séria e os empresários estão trabalhando com essa exigência da humanidade. As matérias sobre sustentabilidade e o novo índice, IPS, são muito importantes para serem debatidas e para esclarecer.
 
Valfrido Gonçalves em 02/12/2013 08:09:25
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