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02/07/2016 07:00

Como será a vida quando todos tiverem mais de 100 anos

Mário Sérgio Lorenzetto
Como será a vida quando todos tiverem mais de 100 anos

Estima-se que existam no mundo mais de 450.000 centenários. Quem nasceu nos Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Itália, Alemanha, França e Canadá em 2007, viverá, em média, até completar 107 anos. Os brasileiros nascidos após essa data, se aproximarão dos 100 anos. É isso, teremos um mundo de pessoas centenárias.
É natural a preocupação com o que isso significa para as finanças públicas, devido aos custos de cuidados com a saúde e com a previdência. São desafios reais e as sociedades precisam lidar urgentemente com eles. Mas também é importante analisar em um contexto mais amplo o que acontecerá com tantas pessoas vivendo com 100 ou mais anos. Em primeiro lugar, haverá uma redefinição do trabalho. Quando a vida das pessoas se prolonga, elas não são apenas velhas durante mais tempo, são também jovens durante mais tempo. Quem tiver 40 anos, será jovem, por exemplo. Outra ideia que mostra a transformação é a de que os de aqueles que tiverem 70 anos, serão como os de 50 anos nos dias atuais.

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Uma enorme transformação em todos os setores da vida dos centenários.

Com o mundo formado por pessoas com 100 ou mais anos, enormes mudanças ocorrerão. Consideremos, por exemplo, a idade em que as pessoas assumem novos compromissos, como comprar casa, casar, ter filhos ou iniciar uma carreira. Todos esses acontecimentos ocorrerão bem mais tarde. Aliás, já está ocorrendo, metade dos brasileiros casavam em torno dos 20 anos, hoje, casam perto dos 30 anos. Quem tem 20 anos não quer assumir compromissos.
A longevidade também mudará o conceito de aposentadoria. E as razões não serão apenas de ordem financeira. Um período de 30 ou 40 anos de total inatividade é extremamente danoso para a vitalidade emocional e cognitiva. Muitos, preferirão, simplesmente não aposentar aos 60 ou 70 anos. Contudo isso não significa que continuarão no mesmo trabalho, no mesmo setor de atividade. O prolongamento dessa segunda etapa de trabalho será mais "light", menos estressante.
Essa também será uma verdade para a educação. É impossível que uma simples etapa educativa, administrada na infância e na juventude, seja capaz de sustentar uma carreira de 60 ou 70 anos. As mudanças tecnológicas tornarão seus conhecimentos obsoletos. Todos terão de reinvestir na educação por muitas décadas.
Assim, é bem provável, que as atuais três etapas da vida se transformem em cinco ou seis etapas, contendo duas ou três carreiras ao longo da longa vida.

Como será a vida quando todos tiverem mais de 100 anos

Idosos. Humanos e macacos reduzem seu círculo social.

O Centro Alemão de Primatas acaba de publicar na "Current Biology" um estudo que muda o conceito que tínhamos sobre o motivo dos idosos reduzirem seu círculo social. Durante muito tempo a ciência acreditava que nos tornamos mais seletivos com o avanço da idade porque sentimos que devemos aproveitar melhor o tempo que nos resta.
A descoberta dos alemães é de que os macacos também reduzem seu círculo social na velhice e não tem a menor noção de que lhes resta pouco tempo de vida. Nesse estudo realizaram vários experimentos com macacos para analisar se havia diferenças em sua curiosidade em geral e seu interesse por relações sociais em função da idade. Como nos humanos, a curiosidade caia de forma notável após a adolescência. Não obstante, o interesse pelo grupo e suas relações sociais se mantinha elevado apesar da chegada da velhice. O trato físico com outros macacos da comunidade mostra que são muito mais seletivos com o avançar da idade. Diminuem seu contato com um grupo bem reduzido. A atitude é de diminuir a "cata de piolhos" e os toques nos corpos dos outros macacos. Esses são atos sociais essenciais para os macacos. Equivalem às nossas conversas com amigos e parentes. A conclusão é que a perspectiva da morte conta apenas uma parte dessa história, que deve ser melhor esclarecida.




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