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28/03/2015 08:45

Conforme diria um francês: corrupção é a contribuição de campanha dos outros

Mário Sérgio Lorenzetto
Conforme diria um francês: corrupção é a contribuição de campanha dos outros

A pornografia e a corrupção

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Uma das melhores definições do que venha a ser pornografia foi dada por um pensador francês. Georges Bataille, falecido em 1962, dizia que: "pornografia é o erotismo dos outros". Em tempos de domínio dos "50 Tons de Cinza" e a propagação de fetiches, nada melhor que a abertura dada pelo francês. Poderia ter escrito: "não acusem tão facilmente".

A época também é boa para arejar pensamentos. Tirar a poeira do cérebro. Qual corrupção é mais pornográfica? O escândalo do partido adversário é sempre mais imoral, sempre mais condenável...até mais pornográfico. O escândalo de meus aliados? Ora, bolas, são plenamente defensáveis e seria bem melhor se permanecessem escondidos ou pelo menos longe dos tiros da imprensa. Se o francês fosse brasileiro e ainda estivesse vivo, talvez afirmasse que "corrupção é a contribuição de campanha dos outros".

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É comum confundir uma ideia com quem a verbaliza

A capacidade de tolerância é fundamental para um empresário ou para um governante. Ter opinião é um direito de todos. Mas a ideia não deve ser exposta de forma agressiva. Toda sorte de inverdades surgiram nas campanhas eleitorais e elas continuam a prosperar. Muitas recheadas de ofensas pessoais. A intolerância surge de pessoas que não esperávamos ter ou usar desse comportamento.

Agir assim nos negócios pode ser catastrófico. Quem administra uma empresa deve estar preparado para o conflito de ideias. O cliente deseja satisfazer suas necessidades ao menor custo possível. Os funcionários querem ser remunerados pelo valor que acreditam ter o seu desempenho. O banco quer o dinheiro de volta com bons juros. Se tiver sócio, ele deseja chegar ao mesmo lugar que você, mas os caminhos podem ser divergentes.

É comum confundir ideias com os donos das ideias. É preciso algum esforço para conversar sobre uma ideia conflituosa com argumentos lógicos e educação. É comum encontrarmos pessoas que se apegam ferrenhamente a suas ideias. Nada a obstar. Vivemos de acordo com nossos valores. Todavia temos de entender que os outros também vivem com os seus valores e ideias. Perder a cabeça, desrespeitar ou fazer de tudo e mais um pouco para mudar a opinião do outro não torna nossa opinião mais valiosa e pode torná-la um labirinto. Só com respeito é possível influenciar o outro a mudar de ideia ou a, pelo menos, ter um debate proveitoso.

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Pão-duro é o seu gene

Conforme uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Washington (EUA) com 15 mil gêmeos na Suécia, há uma forte influência da genética na capacidade de algumas pessoas economizarem mais ao longo da vida. Existiria um "gene da poupança". Para os pesquisadores, 39% da diferença de quantias poupadas pelas pessoas ao longo da vida pode ser explicada pela genética. Guardar dinheiro estaria relacionado a certos tipos de genes que regulam o autocontrole, como fumar ou comer - um comportamento que se mantém ao longo da vida. Os norte-americanos analisaram declarações de renda de 15 mil gêmeos da Suécia, por ser este país o que dispõe de dados mais precisos. O resultado da pesquisa mostrou que os gêmeos univitelinos, aqueles que têm carga genética idêntica, tinham também comportamentos semelhantes para poupar dinheiro. Já os gêmeos bivitelinos, gerados por dois óvulos, com carga genética diferente, apresentavam capacidades de economizar dinheiro bem mais diversas entre si.

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O estranho caso dos morcegos solidários

Uma descoberta recente suscitou uma polêmica entre materialistas e religiosos na Europa - o caso dos morcegos solidários. É verdade, os morcegos que saem para caçar ou sugar uma fruta durante a noite, voltam à gruta ou árvore com a boca cheia para dar de comer a outros morcegos inválidos - velhos, novos ou doentes. A pergunta que passou a ser feita é se tal conduta desses roedores voadores - que até esta descoberta nos causavam medo e asco - poderia ser chamada de "solidariedade". Teriam eles uma "consciência"? Cientistas descrentes creem que a denominada "consciência humana" não constitui uma dimensão espiritual desconectada do corpo, e sim que não é nada mais do que um produto resultante dos cruzamentos, descruzamentos, conformações e até confusões dos cem bilhões de anos, aproximadamente, de neurônios animais que acabaram formando o cérebro humano. Os religiosos acreditam que o ser humano não se esgota no físico, e sim que consta de uma dimensão não física - alma, espírito, consciência ou como se queira denominá-la.

É possível obtermos uma resposta racional e objetiva para a questão da solidariedade dos morcegos? Mas existe uma questão bem mais simples: se até os morcegos são solidários, os humanos podem ter algum tipo de empecilho para essa prática?

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