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28/09/2015 08:33

Constrói-se uma relação entre a paranoia e as estratégias políticas

Mário Sérgio Lorenzetto
Constrói-se uma relação entre a paranoia e as estratégias políticas

O Prefeito paranoico. Uma história secreta da modernidade.

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Com o fim da guerra fria travada entre o PMDB e o PT e o desaparecimento dos "adversários do sonho de nossa grandeza", uma onda velada de paranoia toma conta de alguns setores da população. Desaparecidos os adversários-inimigos que eram reais e conhecidos, inimigos ocultos são procurados em toda parte. Constrói-se uma relação entre a paranoia e as estratégias políticas.

Os distúrbios mentais que atormentam o indivíduo e constituem objeto de estudo dos psicanalistas, às vezes, adquirem um alcance surpreendente e migram do plano individual para o social. A paranoia pode manifestar-se como traço de união em uma cidade. Quando o desvario de um líder autoritário estabelece identidade com os anseios de grandes camadas da população, fatos de ordem psíquica por mais estranhos que sejam aos comportamentos tidos como normais, são legitimados por um novo contrato social. As pessoas incorporam e implicitamente legitimam atitudes anteriormente condenadas.

A auto investidura de qualidades excepcionais intimida e seduz o povo, assim como o uso desenfreado do poder provoca a reação de tantos outros. O homem moderno teria entre suas características uma, esquecida ou ocultada, paranoia. O tipo paranoico é alguém que manobra a população com a arte dos grandes agregadores de multidões que estão dispersas pela perda dos antigos contendores da guerra fria local. O tipo paranoico tem um obstinado poder de argumentação e convencimento. Seus argumentos, pois mais delirantes, tem força.

A energia canalizada pelo paranoico - baseada na crença de seus superpoderes e armazenada para combater as tramas secretas dos inimigos - transforma as palavras em uma verdadeira artilharia de argumentos. E por isso fascinam tanto as multidões.

Na paranoia, o sujeito que tudo pode é também fragilizado diante de "perseguidores com motivos secretos e suspeitos". Esse é o outro elo da paranoia de um indivíduo e do regime de governo que tenta instalar, com o apoio de tantos poderosos que usam as mais diferentes roupagens. Só falta falar com Deus. Deveria falar com seus nervos.

Constrói-se uma relação entre a paranoia e as estratégias políticas
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Os indígenas perderam sua cultura no Mato Grosso do Sul? As CPIs só almejam votos.

Até bem pouco tempo os indígenas do Mato Grosso do Sul estavam escassamente vestidos com saias de folhas e os cabelos enfeitados com penas de pássaros. Hoje eles usam a vestimenta padrão do mundo ocidental: camisa, calça, saia e boné. Pena de pássaros na cabeça e pinturas só quando ocorrem manifestações. No transcorrer de uma geração, aprenderam a escrever, usar computadores e até viajar em aviões. Há bem pouco tempo careciam não apenas de roupas manufaturadas, mas também de todas as tecnologias modernas, desde relógios, celulares e cartões de crédito até computadores. Mas fundamentalmente, careciam de escrita, metal, moeda, escolas e governo centralizado.

Outra diferença sutil entre o indígena do passado recente e do atual é que qualquer imagem histórica mostra a inexistência de gordos. Todos, sem exceção, eram magros e musculosos. Atualmente, existe um número crescente de casos de diabetes associados ao excesso de peso, além de casos de hipertensão pelo elevado consumo de sal, doenças cardíacas típicas da sociedade industrial e cânceres que eram desconhecidos há apenas uma geração. Se formos a uma reunião indígena em uma aldeia ou a qualquer lugar nas cidades onde eles estejam em bom número, aparecerá outro traço distintivo entre o indígena do passado e o atual: os conflitos e brigas são raríssimos. Isso teria sido inimaginável há poucos anos, os encontros entre indígenas eram perigosos e tendiam a se tornar violentos. No mundo ocidental a liberdade de viajar nos parece um direito inquestionável, mas, antigamente, essa liberdade era excepcional. A ideia de viajar de um índio solitário, sem ser morto logo nos primeiros quilômetros de estrada, teria sido considerada uma loucura.

Nos últimos 60 anos eles passaram por processos de mudanças que, na maior parte do resto do mundo, levaram milhares de anos. Há pouco fabricavam seus últimos machados de pedra e participado das últimas batalhas tribais tradicionais. Basicamente, as mudanças profundas ocorridas no Mato Grosso do Sul, são todas muito recentes e aconteceram com grande rapidez. A maior e mais importante de todas foi a intensa migração do homem do campo para as cidades e, mais recentemente, o processo de industrialização das lavouras de soja, milho e algodão como também o da instalação de plantas industriais nas cidades. E elas atingiram de maneira brutal, definitivamente, as populações indígenas. Não romantizar a vida das populações indígenas - lembremo-nos de que algumas de suas práticas antigas são estarrecedoras para o olhar atual - é permitir o entendimento de que eles nos legaram muitos exemplos para admirar e com os quais podemos aprender como o tratamento de idosos, a solução de disputas e a manutenção da saúde e do bem-estar. Ainda que falem muito, a conquista da terra é condição para a sobrevivência dos indígenas do estado e pouco adiantará para a preservação de suas culturas. Eles perderam enormes traços culturais que não são recuperáveis.

Não romantizar também é necessário para aquele que não deseja ser enganado pelas CPIs. Elas atiçam o desejo de confronto. Não há uma só possibilidade dos fazendeiros saírem vitoriosos com a CPI instalada na Assembleia Legislativa. Como também não existe uma só chance dos indígenas obterem algum resultado com a outra que pretendem criar em nome deles. Apenas um teatro para enganar incautos. Elas só almejam votos. São perniciosas para o entendimento que havia sido construído - com sangue - de que fazendeiros e indígenas se irmanariam para conquistar a aquisição de terras pelo governo federal. Estamos dando um passo atrás, retornando ao velho e batido litígio entre as duas partes.

Constrói-se uma relação entre a paranoia e as estratégias políticas
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Tubarão mata muita gente? Os animais mais letais para os humanos.

As praias do Recife estão forradas com cartazes que previnem para o perigo letal dos tubarões. Outras praias do mundo todo trazem o mesmo aviso. Acredite: eles são quase inofensivos quando comparados a outros animais. O maior causador de morte humana é um bichinho insignificante: "anopheles gambiae" é o nome da fera. Esse anófeles é o hospedeiro e transmissor da malária. Matou 584 mil pessoas só em 2013. Mais da metade da população de Campo Grande foi vitimada por esse mosquitinho. O segundo lugar fica com as cobras venenosas: ceifaram a vida de 125 mil pessoas e levaram à amputação de membros outras 400 mil pessoas. Entre mortos e feridos, as cobras quase empatam com o mosquito. O terceiro posto não mata brasileiros, pertence aos hipótamos. São 3 mil pessoas por ano. E o tubarão? Apenas 3 casos de ataques de tubarão resultaram em morte - dois na Austrália e um na África do Sul. Na lista esqueceram-se dos caçadores que participam de safaris...uma "espécie" perigosa.

Constrói-se uma relação entre a paranoia e as estratégias políticas
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Será necessária a criação de uma CPMF por ano para estancar o rombo da Previdência.

O uso do salário-mínimo como indexador da Previdência e dos demais gastos sociais continua em vigor. O governo hesita em enviar um projeto de reforma estrutural que resolva o impasse. Em verdade, não mergulhará na briga política por uma reestruturação previdenciária. Como apontam inúmeros economistas, seria necessária a criação de uma CPMF por ano só para segurar o prejuízo crescente gerado pelo falido sistema previdenciário brasileiro. Politicamente soa bem debater o fechamento de 10 ministérios. Financeiramente, eles são insignificantes. A mudança necessária, que ocorrerá em algum momento, está no sistema social-previdenciário.

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O homem solitário é como água escorrendo na areia.

A solidão é uma ameaça não violenta e penosa para muitos que não possuem a concepção dos valores positivos do isolamento e até se assustam com a possibilidade de ficar sós. Todo ser humano adquire parte do senso de sua própria realidade pelo que os outros dizem e pensam a seu respeito. Mas quem foi longe demais nessa dependência aleia acabou temendo que se ela faltasse perderia o senso de sua própria existência, ficaria "disperso", como água escorrendo na areia. Muita gente vive assim, tateando como cego, tocando uma sucessão de pessoas.

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