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08/03/2014 10:35

Desafios, paixões, conquistas, modernidade: mulheres, sempre mulheres

Mário Sérgio Lorenzetto
Desafios, paixões, conquistas, modernidade: mulheres, sempre mulheres

Lei Maria da Penha e a violência contra as mulheres

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A luta contra a violência é o tema mais presente na agenda das dezenas de organizações feministas que existem no Brasil. É o pleito com a mais recente vitória formal das feministas. Em fevereiro de 2012, o STF (Supremo Tribunal Federal) rechaçou as contestações judiciais de que a Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, era inconstitucional.

É fato que a legislação sobre a violência doméstica já trouxe alguns resultados. Comparando dados de pesquisas da Fundação Perseu Abramo feitas em 2001 e em 2010, homens e mulheres estão mais cientes de que um agressor pode ser condenado à prisão – e não apenas a pagar com cestas básicas. Segundo as duas edições da pesquisa de opinião, a frequência de agressões físicas caiu, mas bem pouco. Antes da Lei, uma mulher era espancada a cada 15 segundos. Em 2010, a cada 24 segundos.

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Melhorou, mas a situação ainda suscita vergonha e não aplausos, seja de quem for

Em ranking da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil aparece como o sétimo país com mais homicídios de mulheres. A média é de 11 casos por dia. O problema da violência contra as mulheres, talvez seja o mais persistente, mais arraigado culturalmente e difícil de mudar. Há esforços diversos para solucioná-los, mas ainda muito débeis. A conquista de novos espaços para discussão também sinaliza uma redução do estigma da palavra “feminista”. Ainda há rejeição ao termo. Segundo a pesquisa da Fundação Perseu Abramo, aproximadamente um terço das brasileiras se diziam feministas em 2010. Em 2001, eram um quinto.

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Pão e Rosas

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova York. Reivindicavam a redução do tempo de trabalho – de 16 horas como estava estabelecido, para 10 horas. Também reivindicavam o direito de voto. Caminhavam com o slogan Pão e Rosas. O pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas, uma melhor qualidade de vida. Era a maior manifestação, organizada por mulheres, da história. Dois anos depois, em uma Conferência Internacional de mulheres, realizada na Dinamarca, foi decidido comemorar o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

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Papisa Joana

Corria o ano de 814 depois de Cristo. Nascia em Ingelheim, na Alemanha, a única mulher da História destinada a ser Papa: Joana. Era uma época brutal, de ignorância e de miséria. Os países europeus como os conhecemos não existiam, nem tampouco seus idiomas. Tão somente os dialetos locais. A língua culta era o latim. A economia europeia estava falida. Guerras civis e invasões de vikings e mulçumanos atemorizavam boa parte da Europa.

A vida nesses tempos conturbados era particularmente difícil para as mulheres, que não tinham quaisquer direitos legais ou de propriedade. A lei permitia que seus maridos batessem nelas. O estupro era encarado como uma forma menor de roubo. A educação das mulheres era desencorajada. Uma mulher letrada era considerada não apenas uma aberração, mas também um perigo.

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João Angélico, a mulher mais poderosa do mundo

Decidida a não se conformar com as limitações impostas às mulheres, Joana se disfarçou de homem e ingressou em um mosteiro beneditino, adotando o nome de João Angélico. Graças à sua inteligência e determinação, ela rapidamente se destacou como erudita e médica. Quando o risco tornou-se perigoso se descoberto, ela partiu para Roma, onde se tornaria médica do próprio Papa.

A partir de então, começou a ascensão de Joana rumo ao mais glorioso trono do Ocidente – o trono de São Pedro, tornar-se Papisa. Porém, antes de cumprir seu destino, ela teve de superar tremendos obstáculos, como seu amor pelo francês Conde Gerold e as armadilhas do maquiavélico Cardeal Anastácio, seu arquirrival, enquanto lutava para não se enredar na teia de intrigas e disputas pelo maior poder do mundo daquela época.

A Papisa Joana é um dos personagens mais fascinantes de todos os tempos, e um dos menos conhecidos. Embora hoje negue a existência dela e de seu papado, a Igreja Católica reconheceu a Papisa Joana como verdadeira durante toda a Idade Média e a Renascença. Foi apenas a partir do século XVII, sob crescente ataque do protestantismo, que o Vaticano destruiu os embaraçosos registros sobre a mulher papa. Mas sobraram dezenas de depoimentos e textos. Ela foi a mulher mais poderosa do mundo.

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Liberdade para as mulheres

A liberdade não é apenas um sentimento, uma emoção. Também é mais do que um direito. A liberdade não é só conquistada. A liberdade das mulheres também veio com o avanço da tecnologia, foi fruto da mecanização de aparelhos usados nas residências, iniciada no final do século XVIII. Os eletrodomésticos propiciaram às mulheres um amplo espectro de tempo livre para o lazer e outras ocupações.

1. As máquinas de lavar:

A revista L´Art Ménager – Arte Doméstica – de fevereiro de 1933 fala da máquina de lavar como “uma boa e fiel empregada que, sem ruído, sem reclamar, vai se encarregar, em poucas horas, de lavar, enxaguar e enxugar toda a roupa suja da semana”. Antes da chegada dessa devotada máquina, “o dia da lavagem de roupa era um verdadeiro pesadelo”, escreveu a feminista Paulette Bernège em 1929.

Do surgimento dos locais públicos de lavagem nas cidades, ao das lavanderias na segunda metade do século XIX, a busca por uma roupa de cama “branca” justificou todos os esforços e antecipou a caça aos micróbios. A água sanitária de Berthollet – químico francês que descobriu em 1789 as propriedades do cloro – conheceu um grande sucesso logo que fez sua entrada. Todos os inventores tinham na cabeça essa busca da pureza, mas uma coisa é certa – a máquina de lavar roupa foi fruto de um esforço coletivo e não teve uma origem única.

A mecanização do processo de lavagem de roupa começou na Grã-Bretanha nos 1780, mas os aparelhos pesados, barulhentos e desajeitados usavam um maquinário impressionante para um resultado ínfimo.

Na França, nos anos 1830, máquinas utilizando o vapor da água fervente apareceram nas seções de lavagem da indústria têxtil – mas não eram ainda próprias para a lavagem residencial. René Duvoir inventou em 1837 um sistema engenhoso praticamente idêntico ao da cafeteira: o vapor forma-se na caldeira e sobe por uma mangueira ascendente, que o projeta, já em estado líquido, como chuva uniforme sobre o tecido.

2. As geladeiras

Estamos no verão de 1800. O inglês Isaac Weld, então em visita aos Estados Unidos, conta que a carne estraga no prazo de um único dia, que as aves devem ser abatidas quatro horas antes de serem consumidas e que o leite fica azedo uma ou duas horas depois de ser tirado. Nem todos naquela época tinham como o presidente George Washington, um grande depósito de gelo para conservar os alimentos ou as bebidas. Os Estados Unidos haviam se especializado no transporte e até na exportação de gelo natural para países quentes por via marítima: um veleiro transportava até 30 mil toneladas do produto.

Na primeira metade do século XIX, vários inventores, dos quais os mais conhecidos são Oliver Evans, Jacob Perkins, James Harrison Alexander Twining e Ferdinand Carré, criaram máquina frigoríficas baseadas na evaporação de diversos tipos de éter e de álcool. Todas essas invenções não obtiveram um lugar de destaque.

A pecuária foi responsável pela invenção do tipo de geladeira que usamos até hoje. A partir de 1850, a explosão da pecuária na Austrália, na Nova Zelândia, nos Estados Unidos e na Argentina colocou um problema – como conservar a carne para encaminhá-la ao mercado europeu? O francês Charles Tellier encontrou a solução em 1876 graças ao procedimento do congelamento lenta, que conservava os produtos orgânicos ao bloquear sua evolução celular.

3. Ferro elétrico de passar roupa

Os chineses da dinastia Han serviam-se de caçarolas aquecidas, cheias de brasas ou de areia quente, desde o século II antes de nossa era. São os mais antigos ferros de passar roupa encontrados até hoje. Quanto aos egípcios, eles utilizavam simples alisadores desde o ano 2.000 a.C., assim como os vikings, apreciadores de vestimentas ornadas com dobras, os quais teriam sido os primeiros a utilizar alisadores de vidro, entre 800 e 1.200. Além disso, os escandinavos inventaram o rolo de alisar – enrolava-se o pano em torno de um cilindro de madeira e uma prancha eliminava as pregas do tecido.

A revolução veio com o aparecimento do ferro elétrico, cuja invenção foi atribuída ao nova-iorquino Henry W.Weely, em 1882. No entanto, até 1907, a eletricidade não estava disponível ao cair da noite nos Estados Unidos. Earl Richardson, um inventor californiano, convenceu a companhia de eletricidade a fornecer 24 horas de energia às quintas-feiras, que se tornou o dia da passagem de roupa para todas as donas de casa e empregadas domésticas.

4. O forno de micro-ondas

“Mas é magia negra!”, exclamou a velha cozinheira irlandesa ao ver Charles Adams experimentar um dos primeiros fornos de micro-ondas. O chefe da Raytheon, a empresa norte americana que conceituou e comercializou os primeiros aparelhos para uso doméstico em 1967, recorda-se da cena: "Ela subiu para o seu quarto, fez as malas e nunca mais a vimos”. Era delicado explicar ao público o funcionamento deste “forno frio”, sem chamas nem resistência.

Como fazer o povo entender que a fricção das moléculas de água agitadas 2.450 vezes por segundo era a fonte do calor? Como convencer o público de que o coração do aparelho, um tanto bizarro, era um magnetron que produzia ondas eletromagnéticas ultracurtas, que a firma Raytheon fabricava para a construção de radares? Mas o aparelho, mesmo sem até hoje ser entendido, foi comercializado e obteve sucesso.

5. O aspirador de pó

Em 1901, um inventor inglês de 27 anos, Huert Cecil Booth, estava convencido de que, em vez de projetar ar comprimido sobre os tapetes, seria mais sensato aspirar a poeira. Ele tentou fazê-lo com a própria boca, por meio de um lenço, sobre a parte de trás de um assento forrado com pelúcia em um restaurante. Ele sufocou de imediato, mas obteve no mesmo ano uma patente para uma máquina motorizada que inventou e que foi apelidada de Puffing Billy: um monstro montado sobre uma carruagem e puxado por parelhas de cavalo.

Mangueiras de 30 metros de comprimento permitiam limpar o interior dos apartamentos. O barulho era ensurdecedor, a ponto de sua companhia ser processada judicialmente diversas vezes por ter assustado os cavalos das carruagens que trafegavam nas ruas. Mas, quando a rainha lhe encomendou dois aparelhos para o castelo de Buckingham e o castelo de Windsor, Booth tornou-se então, para seus compatriotas, o inventor do aspirador de pó.

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Adiós, machistas!

Desde os tempos coloniais, os espanhóis sabem que o idioma é uma arma de dominação e poder. A primeira gramática espanhola foi lançada em 1492, coincidindo com a descoberta da América. Quando perguntou a frei Fernando de Talavera, bispo de Ávila, qual a serventia da gramática, a rainha Isabel ouviu que os povos das “terras bárbaras” conquistadas por ela “precisarão receber as leis que o vencedor impõe ao vencido, e com elas a nossa língua”. Em outras palavras, a língua também serve para exercer o poder.

Agora, a Ministra da Igualdade da Espanha, decidiu honrar o cargo, inclusive subvertendo os dicionários. Em um discurso na Câmara dos Deputados, empregou um termo inexistente- miembras – para ela, miembras é o substantivo feminino plural. Em espanhol, a palavra miembro – indivíduo que faz parte de um conjunto – é considerado um substantivo comum aos dois gêneros. Usa-se el miembro para homens e la miembro para mulheres.

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Se houvesse se envolvido em um escândalo de corrupção, não teria sido tão achincalhada

As brigadas machistas, travestidas de defensoras da língua, reagiram. Um dos argumentos era o de que as mulheres acabariam exigindo que não use mais a palavra mujer (mulher), e sim mujera. Montaram uma cruzada contra os grupos feministas que pediam um espanhol menos machista no dicionário.

Por ora, miembra não faz parte do dicionário espanhol moderno, mas as mulheres estão ganhando terreno. As palavras gozar (conhecer carnalmente uma mulher), feminino (fraco, débil), masculino (varonil, energético) e huérfano (pessoa menor de idade que perdeu o pai ou a mãe, ou os dois, mas especialmente o pai), serão apagadas ou remodeladas na próxima edição do Diccionario de la Lengua Española. Antes que perguntem. Sim, presidenta já é aceito.

O que diz o Ibope sobre mulheres e mídia

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