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24/09/2013 07:06

Dia em que choveu agrotóxico marca início de novo/antigo debate sobre o cultivo

Mario Sergio Lorenzetto
Dia em que choveu agrotóxico marca início de novo/antigo debate sobre o cultivo

Em um dia como “qualquer outro”...

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Lorrana, 9 anos, brincava no balanço. A prima, Luana, 11, no gira-gira. Outras crianças lanchavam galinhada com milho verde. Um grupo jogava bola na quadra. Às 9:15h do dia 3 de maio, boa parte dos alunos da escola do assentamento Pontal dos Buritis – localizado em Rio Verde (GO) – estava na hora do recreio, quando uma estranha garoa caiu sob o local. Pelo alto, um avião agrícola despejava sobre a escola o agrotóxico Engeo Pleno, usado para matar insetos. Trinta e sete pessoas, entre estudantes e professores, foram parar no hospital com dor de cabeça intensa, falta de ar, vômito, náusea e alergia. Os sintomas indicavam intoxicação pelo agrotóxico. O episódio provocou pesquisadores da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), do Inca (Instituto Nacional do Câncer) e da UnB (Universidade de Brasília) a pesquisar moléstias causadas pelo uso de agrotóxicos.

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Ignorados, ignorantes e tóxicos...

Em documentos recentes, os pesquisadores compilaram indícios de contaminação provocando aumento nas incidências de câncer, depressão e suicídios. Na maioria das vezes, os efeitos não são imediatos, mas causam, além do câncer, lesões hepáticas, distúrbios hormonais e malformação do feto. Resíduos de agrotóxicos foram encontrados no ar, na chuva, na água, no sangue e na urina da população de pólos de agronegócios.

Os aviões que pulverizam os agrotóxicos não têm plano de vôo. Faltam técnicos especializados para avaliar a pestilência dos produtos. Somente 46 profissionais atuam no setor, no governo federal. Número irrisório, quase risível. Só para comparar: os EUA têm 850 técnicos.

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Brasil é o destino dos banidos!

Os agrotóxicos proibidos nos EUA e na Europa entram livremente em nosso país. Desde que a China proibiu cinco compostos em 2007, grande parte dos estoques que seriam para lá destinados vieram para cá. Foi o que aconteceu com o endossulfan, o metamidofós e o paraquate. A lista dos banidos em outros países que intoxicam o Brasil é extensa: abamectina, acefato, carbofurano, forato, glifosato, lactofem, parationa metílica e tiram. Tão extensa quanto esta lista é a de alimentos que apresentam uma percentagem de amostras inadequadas para o consumo humano:

a) De cada 100 pimentões, 92 são inadequados;

b) De cada 100 morangos, 63 deveriam ser jogados no lixo;

c) De cada 100 pepinos, 57 são perigosos para a saúde;

d) De cada 100 alfaces, 54 não deveriam estar nas gôndolas dos mercados;

e) De cada 100 cenouras, 50 deveriam ser comidas pelos fabricantes de agrotóxicos;

f) De cada 100 beterrabas, 33 deveriam ser abduzidas por algum ET;

g) De cada 100 couves, 32 deveriam ser presenteadas à Casa Branca;

h) De cada 100 mamões, 30 não deveriam nem ser cheirados.

A recomendação do Inca é para os consumidores priorizarem os difíceis de serem encontrados e caros alimentos orgânicos. Sendo assim: Habemos intoxicação!

Dia em que choveu agrotóxico marca início de novo/antigo debate sobre o cultivo
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Joseph Safra...

Em uma das listas de milionários da Forbes, o número 52 é Joseph Safra. Tido como o banqueiro mais acumulador do mundo. Para surpresa de muitos trata-se de um judeu libanês que vive no Brasil. Presidente do Safra Group tem uma fortuna de US$ 13.800.000.000 (reparem... são dólares). O integrante membro mais famoso da família Safra, contudo, foi Edmond. Vivia em Nova York. Grande filantropo. Falecido em um incêndio suspeito em Mônaco. Edmond era comprometido com a fé judaica. Construiu sinagogas em vários países. Em Madri, construiu a primeira sinagoga após 500 anos e salvou da destruição a sinagoga mais antiga da França, situada em Clermont-Ferrand. Além de auxiliar na manutenção de várias sinagogas e ruas de Israel, os túmulos de Rabbi Meir Baal Haness e Rabbi Shimos Bar Yohai receberam generosas doações de Edmond Safra. Judeus banqueiros. Esta é uma tradição que remonta séculos, tem início na Idade Média. Como começou?

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Bancos: no princípio, era assim...

Primeiro deve-se entender que as cidades medievais têm necessidade de dinheiro e o campo o utiliza raramente. O camponês usava o escambo e não o dinheiro. Isto é, trocava mercadorias por outras mercadorias e não por dinheiro. Os gastos nas cidades – muitas vezes ostentatórios – estão nos palácios, casas, aluguéis, vestuário e alimentação e exigiam o uso do dinheiro. Em suma, a cidade suscita àqueles que, a partir do século XIV, serão chamados de banqueiros. Eram pessoas que faziam operações muito simples, em lugares modestos, com frequência nas ruas sobre pequenas bancas – o termo “banqueiro” vem daí. Sua atividade essencial era o câmbio, pois havia uma multiplicidade de moedas. É aí que vemos aparecer o papel dos judeus. Eles se tornaram especialistas, não no câmbio, mas no empréstimo. Empréstimos cobrando juros. Tomavam como garantia louças, vestuários, tecidos, coisas da vida cotidiana. Aquele que pegava empréstimo com um judeu se despojava e alimentava um ódio terrível em relação a isso. A “culpa”, porém, não era do judeu, era a organização da economia e da sociedade.

Empurrados!

Por um lado, progressivamente, os judeus foram expulsos de todos os ofícios. No século XII, foram excluídos da posse da terra. Restaram apenas duas soluções para eles: a expulsão dos países ou o gueto (as conhecidas “judiarias”). Eles só podiam circular nas cidades fora do gueto, como emprestadores de dinheiro.

O Antigo Testamento proíbe que se empreste a juros para seu irmão. Assim, católicos não podiam emprestar para católicos. Os judeus também não podiam emprestar para os judeus, mas podiam emprestar para os católicos e estes eram a quase totalidade das populações.

Assim, a organização de uma sociedade preconceituosa transformou o conceito de banqueiro quase em sinônimo de judeu. Ambos como se fossem palavrões. Nascidos para contribuírem com a sociedade e serem odiados.

Dia em que choveu agrotóxico marca início de novo/antigo debate sobre o cultivo
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Sete de setembro comprado ou o divórcio amigável

À beira do riacho Ipiranga, munido de coragem indômita, Dom Pedro declarou a Independência do Brasil. Outra versão, bem brasileira, carregada de jocosidade, diz que, ele parou à beira do riacho para resolver necessidades fisiológicas. A questão principal não é esta: a Independência não ocorreu à beira daquele riacho. A importância de declarar ou não tem de ser minimizada

Importante mesmo é saber o quanto custou para o Brasil deixar de ser uma colônia do império português. A verdade é que Dom Pedro editou um decreto em 10 de abril de 1826 no Rio de Janeiro, escrito pelo visconde Inhambupe de Cima. O tal decreto contém 11 artigos.

Em seu anexo 7 diz com todas as palavras: “...o governo inglês assumiu a intermediação das negociações com os governos do Rio de Janeiro e de Lisboa, conseguindo que o primeiro se comprometesse a pagar uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas a Portugal para o definitivo reconhecimento da Independência. A quantia, paga a Portugal, foi emprestada pela Inglaterra”.

Muito se especula se esses 2 milhões de libras esterlinas teriam ido diretamente para a Inglaterra para saldar dívidas portuguesas. Outra especulação diz que o Brasil nunca pagou essa dívida e a terceira afirma que os 2 milhões pagos a Portugal com dinheiro inglês deram início ao histórico processo de endividamento brasileiro. Estudiosos aos arquivos....

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Senhor Botox e a fonte da riqueza...

David Pyott tem 60 anos de idade e nenhuma ruga. Usa o que vende – o Botox. Está há 15 anos no comando da empresa americana Allergan, fabricante da marca mais famosa da toxina botulínica. Nesse período, Pyott mudou a cara da empresa, tradicional fabricante de lentes de contato e produtos oftalmológicos. Hoje, fatura US$ 6 bilhões. O Botox era um produto esquecido nas prateleiras dos laboratórios da Allergan, que também investia pouco em P&D – Pesquisa e Desenvolvimento. O salto, porém, foi de US$ 200 milhões para US$ 1 bilhão nesse setor da empresa. O produto em desenvolvimento é destinado à reversão da queda de cabelos.

Pelo consumo...

Pyott diz que o segredo da alavancagem da Allergan foi olhar as necessidades do consumidor e não aquelas que a empresa gostaria que ele, consumidor, tivesse – o Botox tinha algo novo. Na concepção do Senhor Botox, o produto está longe de atingir seu potencial. Os homens representam menos de 10% dos clientes nas versões estéticas (há Botox para controle da bexiga e para o combate de enxaquecas crônicas). David Pyott tem orgulho de ser o criador do conceito de medicina estética.

Negócio arriscado, lucro certo!

A ideia de parecer mais novo é hoje uma grande tendência social. Quase todos querem se sentir mais jovens. As pesquisas da Allergan apontam que o uso do Bottox faz com que as pessoas se sintam sete anos mais jovens. Senhor Botox afirma ainda que no mundo dos negócios, o verdadeiro risco é evitar os riscos. Ser cauteloso e conservador é um veneno para a empresa. Ele aprendeu a essência do capitalismo – o risco!

A notícia surpreendente é a de que o Brasil é o segundo mercado do Botox. Os EUA são os primeiros. Vivendo em um país emergente, povo brasileiro valoriza muito a aparência, a qualidade de vida e o bem-estar, garante o homem que mais se aproximou da descoberta da fonte da juventude.

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Taxa bumerangue!

Já ouviram falar de taxa bumerangue ou de taxa de captura? Provavelmente não! Estas e outras estratégias de layout são empregadas nos supermercados para que façamos mais compras. Primeiro temos de saber que o setor supermercadista adota dois padrões: o modelo americano que se caracteriza pelo grande espaço na área de vendas e o auto-serviço quase incondicional – embalagens prontas, pacotes fechados e com o peso aferido sem interferência do cliente. Já o modelo europeu valoriza o atendimento personalizado – especialmente na padaria e no açougue.

Facilidades, lucro e concorrência...

O setor de supermercados, no Brasil, é considerado como um dos segmentos que mais utiliza tecnologia para os serviços prestados. Lidera o ranking de segmentos que utilizam a leitura óptica, com 38% do total de lojas automatizadas. Os supermercados representam apenas 0,9%do total das empresas varejistas brasileiras. Obtêm, no entanto, 24% das vendas desse setor – R $93,6 bilhões de receita líquida de revenda. É uma imensa fortuna, muito maior que a de inúmeros setores industriais.

E riqueza atrai concorrência, tornando cada vez mais difícil criar vantagens competitivas baseadas apenas em preços ou promoções. A saída está no layout, no arranjo interior das mercadorias nas lojas, móveis e equipamentos visando maximizar a conveniência do cliente.

A Bíblia do supermercadista de ponta está nos seguintes estudos que devemos aprender para não consumir aquilo que não foi programado:

1º Fazer com que os clientes se movimentem mais dentro da loja e lá permaneçam mais tempo.

2º As pessoas andam com pressa e, até diminuírem o ritmo, sua visão periférica é limitada, e qualquer produto colocado na entrada da loja será ignorado. Para diminuir o ritmo das pessoas colocam iluminação especial demarcando “fora” e “dentro” da área de compra, pessoa saudando ou oferecendo uma cesta ou folheto ou ainda uma banca de promoções que servirá de “quebra-molas”.

3º Os supermercadistas preocupam-se com o quanto que o consumidor vê do que é exposto. A zona confiável vai de um pouco acima dos olhos até a altura dos joelhos. É a chamada taxa de captura.

4º Quantas vezes o freguês deixa de percorrer totalmente um corredor. Uma maneira de minimizar este efeito é posicionar produtos mais populares no meio do corredor ou colocar chamarizes em ambas as pontas. Esta é a taxa bumerangue.

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Sabedoria para ir ao “mercadinho”!

Enfim, os supermercadistas estão cada vez mais procurando a eficiência na venda. Aprenderam a importância de estudar e investir com sabedoria.

Cabe a nós consumidores entendermos as variada estratégias de venda. E não irmos aos supermercados de barriga vazia o que sempre determina bolsos vazios de dinheiro desnecessariamente.

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Big caro!

A revista The Economist divulgou o Big Mac Index referente ao mês de julho. Basicamente, esse índice usa a teoria do poder paritário de compra para, baseado em um produto (outros estudos usam uma cesta de produtos) de apelo e consumo popular e amplo, disseminado e semelhante em todo o mundo, aferir o status de uma moeda em relação a outras e, por extensão, dar uma ideia do custo de vida em uma nação. O sanduíche Big Mac da rede McDonalds, é o produto escolhido, como é fácil perceber pelo nome.

Na atual avaliação, o sanduíche brasileiro é um dos mais caros do mundo e seu valor indica uma sobrevalorização de 16% do real em relação ao dólar.

Traduzindo em miúdos: o custo de vida no Brasil subiu estrondosamente de acordo com o índice Big Mac. O índice “nossos bolsos” afirma o mesmo!

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Parabéns Mario Sergio, muito interessante a maneira de abordagem do assunto, de uma maneira leve, e ao final dela, não paira nenhuma duvida ... Parabens
 
Rogers Nolasco em 24/09/2013 21:11:45
Bom dia Mário!
Meus cumprimentos pela coluna. Boa ideia. Jornalismo moderno, compacto (necessidade nos dias atuais), útil e interessante.
abs.
Gilson
 
Gilson Rodolfo Martins em 24/09/2013 10:53:44
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