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22/06/2016 08:33

Guerra na fronteira: a imensa tolerância

Mário Sérgio Lorenzetto
Guerra na fronteira: a imensa tolerância

O que os narcotraficantes têm que as forças de segurança não têm? Em primeiro lugar, eles contam com uma enorme tolerância da população. Alguns são vistos como magnatas poderosos e competentes. Há um claro halo de endeusamento dos comerciantes de drogas. Essa é uma típica postura das populações que vivem em fronteiras. A grande fratura que necessita ser solucionada está na tolerância. O contrabando é visto como um negócio corriqueiro, "legal apesar de contrário às leis".

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Uma quantidade impressionante de mercadorias é contrabandeada no cotidiano, à luz do dia. As drogas apenas compõem esse imenso leque de opções de compra-venda. Entendam, para os que vivem nas fronteiras, a diferença é opaca, cinzenta, entre um litro de gasolina contrabandeada e um quilo de maconha. A gasolina irá para o comerciante, para o assentado; a droga para os cariocas. Ela não é um problema, até que iniciem as guerras entre os vários grupos que a comercializam.

Enquanto a droga não for enxergada, também, pela ótica do comércio, do negócio estruturado e altamente rentável, não haverá uma solução para essas guerras. Os embates podem ser amortecidos, pode surgir uma trégua, mas a violência retornará. Essa é uma "lei", uma cláusula pétrea do narcotráfico e tem de ser melhor entendida. Os narcotraficantes, devido ao lucro elevado do negócio, sempre disporão de bons sistemas de organização, transporte e inteligência. Eles tem uma multidão de informantes, as forças de segurança raramente contam com esse fator. Os traficantes tem "espiões", funcionários das próprias forças de segurança; os responsáveis pela segurança só contam com "espias" quando o prendem e nesse momento, ele tem sua importância reduzida, darão informações apenas do passado.

Os narcotraficantes tem centenas de caminhões e automóveis para driblar os cercos eventuais montados pela segurança; estas dispõem de um número reduzidíssimo de veículo a sua disposição. Armas? É o grande fator de demonstração de força no assassinato do "homem de negócio" Jorge Rafaat. Vale repetir. Não foi um mero assassinato, foi uma demonstração de força que visava atemorizar a concorrência. E ela também precisa ser bem dimensionada, sem os holofotes fáceis da imprensa. Quando uma rede de farmácias, por exemplo, resolve mostrar força para conquistar clientes, constrói um prédio moderno, contrata e treina bons funcionários e reduz o preço de suas mercadorias por um espaço de tempo.

O comércio das drogas age de maneira similar, adiciona a essas ações extremada violência. A eficácia da violência está diretamente ligada ao poder e morte das armas. Um revólver 22 só serve para matar passarinho, um fuzil .50 mata uma tropa com muitos "soldados" do crime ou das forças de segurança. Foi a .50, a arma que determinou o sucesso do grupo que está ocupando o espaço do "comerciante" Rafaat. Brevemente, outro grupo trará uma arma ainda mais eficaz. E todos continuarão depositando a "culpa" da guerra à incompetência da segurança, bem como continuarão tolerantes com o pequeno, médio e grande contrabando de tudo nas nossas fronteiras, sem assumir que também são responsáveis.

Guerra na fronteira: a imensa tolerância

Crasso, o romano de 1 bilhão de dólares por ano.

Para os marxistas, o mundo contemporâneo poderia ser dividido em "depois de Piketty" e "antes de Branko". São as duas novas "bíblias" da utopia fundada por Karl Marx. Thomas Piketty é sobejamente conhecido de todos. Seu "O Capital no Século XXI" teve vendagem recorde no Brasil da era petista. Branko só apareceu por aqui quando o petismo era cambaleante. Branko Milanovic é um economista sérvio especializado em desigualdade. Desde os anos 1990 vive nos Estados Unidos e leciona na Cuny, a Universidade da Cidade de N.York.

Branko faz uma comparação que é, no mínimo, curiosa: afirma que o general Marcus Licínio Crasso, que derrotou o escravo e gladiador Espartaco, durante a "Terceira Guerra Servil", tinha uma riqueza que lhe rendia 12 milhões de sestércios (a moeda romana) por ano, algo como US$ 1 bilhão por ano. Branko diz que um romano comum teria de trabalhar 32 mil anos para juntar essa fortuna. A quantia é comparável , no entanto, à fortuna dos bilionários de hoje. Nos Estados Unidos existem 4 pessoas mais ricas que Crasso - o mais famoso é Bill Gates, cuja fortuna de US$ 50 bilhões, rende algo como US$ 2,5 bilhões por ano. Leitura de marxista ou capitalistas, o que importa é que Branko coloca em perspectiva a nossa época. Uma era de enormes disparidades econômicas. Talvez, a época de maior desigualdade em toda a história humana. O resto é discussão para uma rica mesa de vinhos caríssimos - típica da esquerda "caviar".

Guerra na fronteira: a imensa tolerância

Meu reino por um souvenir.

A Europa dá lições de como enfrentar as crises com o turismo de massa. Essa é uma das mais importantes indústrias mundiais, mas ridicularizada em nossa cultura. O ultimo destino turístico "descoberto" pelos europeus fica em Leicester. E não é apenas por causa do time de futebol que representa a cidade e se sagrou campeão. Eles sabem construir uma indústria eficaz. Acabam de encontrar os restos mortais de Ricardo III, um dos reis mais representado da história. A obra de Shakespeare está baseada nesse rei que desejava trocar seu reino por um cavalo.

A história assinala que Ricardo II morreu na batalha (uma raridade, reis nunca morrem em batalhas) de Bosworth, perto de Leicester antigo, em 22 de agosto de 1485. Esse foi o último rei inglês morto em um campo de batalha, daí sua fama. Com sua morte, aos 30 anos, findou a dinastia dos York e começou a dinastia de seus rivais. Os Tudor assumiram o poder com Henrique VII. É aí que surgiram as divergências entre o real e a ficção. A maior parte das informações que tínhamos de Ricardo III era advinda de seus inimigos, incluindo a obra de Shakespeare, que trabalhava para os Tudor.

O bardo mais famoso do mundo o tratava como um corcunda amargurado. Pouco se sabia sobre ele, inclusive onde estariam seus restos mortais. A história só contava que ele havia sido enterrado às pressas no monastério de Greyfriars. Todavia, ele foi demolido em 1530. Após anos de trabalho incansável de arqueólogos e biólogos, através do estudo de mapas, do número de perfurações no corpo e, principalmente, do exame de DNA, ficou determinado que um dado cadáver encontrado nos escombros do monastério é de Ricardo III. Leicester revive apesar da crise econômica europeia. O fluxo de turista para conhecer essa cidade, triplicou em menos de um ano. Meu reino por um souvenir.

Guerra na fronteira: a imensa tolerância

Venda de empresa de saneamento. Maria Silvia Bastos, do BNDES, diz que é uma alternativa para os Estados.

A "Dama de Aço", Maria Silvia Bastos, a nova presidente do BNDES, já está apoiando o governo do Rio de Janeiro na possível venda de seus ativos na área de saneamento. O cognome "dama de aço" não foi conquistado por acaso e nem é pejorativo, decorre de seis anos administrando a CSN - Companhia Siderúrgica Nacional.

Temer colocou Maria Silvia em um dos postos mais importantes para a iniciativa privada, que a recebeu com esperanças de que ela reveja as políticas anteriormente adotadas de favorecimento de alguns setores produtivos, em detrimento da imensa maioria. Maria Silvia diz que depois que outros governadores tomaram conhecimento de seu apoio para a privatização da empresa de saneamento do Rio de Janeiro, também passaram a procurá-la. É uma alternativa para retirar os governos estaduais da crise.




Alguns comentários:
1)Com referência a fronteira.
É um total descaso e equívoco dos responsáveis pela segurança.
Todas as vezes que ocorrem execuções, ouvimos a mesma lenga-lenga das autoridades, do tipo "é acerto de contas", "é bandido" e por aí vai.Enquanto isso a bandidagem dita as leis.Os responsáveis tem que mudar a postura e combater a criminalidade.Sem essa conversa de que os bandidos são poderosos. O Estado tem força sim para diminuir essa violência.Lembremos que nem Pablo Escobar derrotou o Estado. Agora, uma coisa é necessária. Tem que haver disposição por parte dos responsáveis.Tem que ter "tutano".
2)Falando de cenário econômico. A Oi quebrou. É a maior prova de que a terceirização não resolve nada. A Oi se utilizou largamente desse recurso em sua atividade fim.
Deu no que deu.
 
Critico em 22/06/2016 10:28:23
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