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18/08/2014 07:52

O debate sobre as grandes questões da economia é raso, parece um pires

Mário Sérgio Lorenzetto
O debate sobre as grandes questões da economia é raso, parece um pires

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O único brasileiro a acreditar que a economia brasileira está bem é o Ministro da Fazenda. A economia não está bem. Mas também nada indica que irá explodir em uma recessão. Não temos o crescimento que desejamos. A previsão do mercado é de um crescimento por volta de 1% do PIB (Produto Interno Bruto). Não é nada que possamos nos alegrar. A inflação tem maiores chances de alcançar o teto e não o centro da meta - e isso com controle de preços, algo que pensávamos estar livres. O déficit externo, que estava na casa de 2%, caminha para estar acima de 3%. Mas, por outro lado, temos o pleno emprego. Os técnicos denominam desemprego de 5% como "pleno emprego". É um índice excelente para os tempos de crise econômica mundial e para qualquer tempo. Antes dos petistas assumirem o poder estava acima de 10%

O Ministério da Fazenda tem feito intervenções persistentes na economia. Muitos setores foram beneficiados por subsídios, desonerações de impostos e liberação de créditos em condições favoráveis. Mas as vantagens não são iguais para todos. O resultado é que uma ampla parcela de empresários parou de investir. Passaram a perceber que era melhor gastar energia para influenciar a mudança de regras em seu favor. Em vez de gerar lucros com novos produtos, com melhoria de processos, com inovação, passaram a ganhar dinheiro tentando tirá-lo dos outros.

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O debate sobre as grandes questões da economia é raso, parece um pires

A produtividade despenca, mas o Ministério da Fazenda insiste...

E insiste nos mesmos instrumentos usados no passado para tentar corrigir os problemas. A esperança reside na mudança da equipe econômica. E as campanhas eleitorais insistem em tratar de escândalos, existentes e imaginários. Não debatem os problemas cruciais do país. Petrobrás, aeroportos em Minas Gerais e os demais - aumentam a adrenalina dos políticos que cada vez mais se distanciam da população.

O relatório de uma das mais importantes empresas do mercado financeiro, a Nomura, corrobora a preocupação: "prevemos mais danos a sua posição (da candidatura de Dilma), dados a deterioração na economia e o aumento de inflação nos meses à frente - a não ser que ela faça algum forte movimento de restauro de confiança antes da eleição, como nomear uma nova equipe econômica". E o relatório da outra empresa do mercado financeiro, o Morgan Stanley, deixa ainda mais claro: "consideramos mais provável é a vitória da atual ocupante do cargo (o que é o motivo pelo qual recomendamos apenas manter ou vender ativos brasileiros)".

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A história de Maria e a futura crise bancária brasileira

Um dia Maria comprou um apartamento por R$ 300 mil para vendê-lo no ano seguinte. Ela deu R$ 15 mil de entrada e pegou R$ 285 mil com seu pai para pagar dentro de um ano. Maria alavancou seu patrimônio líquido 20 vezes. Ela acreditava que o valor da casa aumentaria em 10% e poderia vendê-la por R$ 330 mil e, depois de pagar os R$ 285 mil devidos ao pai, teria R$ 45 mil, um lucro e tanto.

Mas suponha que, em vez de subir, o preço do apartamento caiu 10%. Ela só consegue vendê-lo por R$ 275 mil, perderia todo seu patrimônio e teria de se virar para encontrar o dinheiro que falta para saldar o empréstimo tomado com o pai. A lição é clara. Quanto maior a entrada que o pai exigir de Maria, tanto menor será o risco de que uma variação no preço da casa implique uma perda para os dois - pai e filha.

Usando o mesmo método, na versão simplificada do balanço patrimonial de um banco, no lado esquerdo, entre outros ativos, aparecem os empréstimos concedidos.

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Do lado direito, entre outras obrigações, os depósitos dos clientes

A diferença entre as duas colunas, ativos e passivos, é o patrimônio líquido dos bancos. Se o patrimônio líquido de um banco representa 20% de seus ativos, o banco pode absorver perdas de 20% de seus ativos antes de se tornar insolvente. Mas se a relação é de 5% ou menos, o banco não tem uma grande folga, fica mais vulnerável diante de pequenas perdas, como foi o caso dos bancos norte-americanos em 2008.

Esses requisitos mínimos para o patrimônio líquido dos bancos dependem de acordos internacionais firmados em Basiléia, na Suíça, sob a liderança do BIS - Banco de Compensações Internacionais.

No seu relatório anual divulgado no dia 29 de julho, o BIS dá a entender, para alguns economistas, que vislumbrou um risco de crise bancária no Brasil dentro de três anos. Relatório no mínimo estranho em período eleitoral para uma Basiléia que não enxergou a crise dos bancos norte americanos nem mesmo quando ela estava ocorrendo, imaginem com três anos de distanciamento.

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Ser solidário é rentável e lucrativo

A solidariedade bem entendida e administrada vende bem. Uma das empresas mais elogiadas no mundo, que iniciou essa prática há 26 anos é o Grupo Sifu, na Espanha. São 3 mil pessoas trabalhando com algum tipo de dificuldade especial. Podem ser físicas, especialmente cadeirantes, podem psíquicas ou enfermidades mentais graves. O compromisso é ter 90% dos funcionários com alguma dificuldade especial. O melhor é que esse grupo, de nome que nunca seria adotado no Brasil, não para de contratar. Só no ano passado foram abertas 500 novas vagas para pessoas com dificuldades.

A ideia começou com um dos sócios que tinha um irmão com algum tipo de dificuldade física. Contrataram 100 pessoas com vários tipos de dificuldades para seus postos de combustíveis e o sucesso foi tão grande que, não pararam mais. Ampliaram o portfólio da empresa para serviços em prédios e residências - jardineiros, porteiros, faxineiros e toda ordem de funcionários possível. Incrementaram as contratações com as indústrias oferecendo os mesmos serviços que a essa altura já eram creditados como da melhor qualidade e confiabilidade. Atualmente contam com mais de 1 mil clientes.

O crescimento financeiro tem sido incrível. Contavam com um faturamento de R$ 93 milhões em 2010 e no ano passado atingiram R$ 114 milhões.

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O que ocorrerá com o capitalismo em 2015?

Esta é a primeira crise sistêmica verdadeiramente mundial: trata-se de uma crise muito mais profunda que a de 1929, que afeta todos os países e muda o núcleo de poder. Talvez tenhamos de enfrentar um mundo ainda mais perigoso em fins de 2014. Estas são as conclusões do GEAB 81. O Global Europe Anticipation Bulletin - GEAB é o informativo mais lido pelos grandes capitalistas do mundo todo. Só os brasileiros não o conhecem.

Existe uma batalha para destronar o dólar como moeda internacional de referencia. Esta seria uma "pá de cal" no comatoso império norte americano. A atual conjuntura, portanto é muito delicada. Atualmente reina uma forte sensação de insegurança que está sendo testada a capacidade geopolítica dos novos atores que se acham na primeira linha. Os novos atores - China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul - não buscam provocar abertamente a derrubada do dólar, mas estão se separando dele. Um colapso global baseado no dólar significaria que a maioria dos países seriam arrastados sem maior possibilidade de resgate. A receita usada pelos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) é procurar uma separação sem muito ruído. Uma transição sem sobressaltos.

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O dólar mantém suas aparências de força, mas a base que o sustenta está se desmoronando

A aceitação do yuan como moeda de intercambio internacional constitui a principal ameaça para o dólar. Devido à guerra do Vietnan ocorreu um importante aumento no déficit das reservas de ouro dos EUA. Elas baixaram nos anos da 60, anos da guerra, de 20 mil para 8 mil toneladas. Para evitar a quebra do país, Nixon decidiu em 1971 acabar com a conversão do dólar em ouro e transformou a sua moeda em uma moeda fiduciária internacional, emitida e aceita por decreto. Decreto e economia não andam de mãos dadas.

Esta base era muito frágil e teria curta duração. Todavia, depois da guerra árabe-israelense de 1973, ano que se produziu também a crise do petróleo, nasceu o petrodólar, ou seja, o dólar ancorado pelo ouro negro. Os Estados Unidos negociaram com o principal exportador do petróleo - a Arábia Saudita - que cada barril de petróleo só poderia ser comprado por uma moeda: o dólar. Assim, os EUA conseguiram um sistema mais favorável para manter sua hegemonia econômica.

A introdução do petrodólar permitiu aos EUA imprimir grandes quantidades de dólares e endividar-se com todo o mundo, especialmente com a China e a Europa. Mas quanto maior a instabilidade no Oriente Médio, maior era o preço do petróleo, e maior a demanda de dólares. O Pentágono praticamente substituiu a Receita Federal norte-americana, pois cada guerra no Oriente Médio, nos países produtores de petróleo, mais favorecia a economia norte americana.

Atualmente a China é o país que mais importa petróleo e paga em yuan e não em dólar, força adquirida pela fortuna impagável que os Estados Unidos devem aos asiáticos.

Adicione-se as ligações do pré-sal brasileiro com os chineses e a compra, em 2013, da Lone Star State, a principal companhia de energia do mundo com sede no Canadá. O petrodólar poderá ser substituído por um "petroyuan" ou um "petro-Brics".

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