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06/06/2014 10:23

O mercado imobiliário mais caro da América não é onde você pensa

Mário Sérgio Lorenzetto
O mercado imobiliário mais caro da América não é onde você pensa

Vancouver está na moda e preço dos imóveis decola

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Não está em Nova Iorque ou em Orange County na Califórnia, mas, em Vancouver, British Columbia – Canadá. Vancouver é uma bela cidade, com um lindo porto e o cenário de vários filmes e seriados, um lugar interessante para se viver, porém, nada em sua economia explica o motivo pelo qual, em uma cidade em que a renda média anual é de US$ 70 mil por ano, uma casa para uma família custe cerca de US$ 1 milhão e apartamentos comuns custem cerca de US$ 500 – 600 mil.

A questão por trás da preocupação com a elevação desmedida dos preços dos imóveis é a formação de uma nova bolha econômica como a de 2008. Contudo, a história em Vancouver é mais interessante. Quase que por “sorte”, a cidade se tornou “moda” nas últimas duas décadas, como o resultado do crescimento global do mercado imobiliário. Já é conhecida a história de oligarquias russas que compram mansões em Londres, mas o caso de Vancouver é um novo fenômeno. Uma grande quantidade de capital de pessoas ricas de países emergentes como China, Rússia e Brasil, foi destinada para mercados imobiliários de grandes cidades em outros países, elevando os preços dos imóveis e causando o aumento da produção e demanda de residências de luxo.

Um relatório recente lançado pela Sotheby’s Canada indicava mais de 12 mil imóveis de luxo em Vancouver e expunha que cerca da metade deles estava nas mãos de estrangeiros. No caso de Miami, um local de grande influxo de dinheiro da América Latina, a recuperação da crise econômica ocorreu com capital estrangeiro e levou a uma nova corrida imobiliária. A Austrália, por sua vez, se tornou um grande mercado para os investidores chineses. Segundo a estimativa do Credit Suisse, os chineses irão investir nos próximos sete anos cerca de US$ 44 bilhões em imóveis na terra do canguru. A teoria econômica que procura explicar este fenômeno é o das cidades “superestrelas” (superstar cities).

O mercado imobiliário mais caro da América não é onde você pensa

As atrações inegáveis que impulsionam Vancouver

A conta é relativamente simples, pessoas ricas tendem a se reunir em um mesmo local, logo, cidades que já eram ricas tendem a enriquecer ainda mais. Contudo, Vancouver não é uma “superestrela” auto-evidente. Não é um grande centro econômico como Londres ou Nova Iorque, ou um centro tecnológico como São Francisco, bem como, não tem a abundância cultural de Paris ou Milão e nem é o centro de segurança e bem estar de uma moderníssima Cingapura. As qualidades de Vancouver estão no conforto e na segurança. Trata-se da ideia de uma “cidade cercada”, que oferece estabilidade política, social e econômica.

A explosão de procura de imóveis em Miami é vista como o resultado da turbulência política na Venezuela. O caso de Vancouver está atrelado à sua vasta população chinesa, o fácil acesso ao Pacífico e o clima agradável, se comparado com outros lugares do Canadá. O mercado imobiliário de Vancouver está conectado diretamente com a economia chinesa. Enquanto a versão tradicional do mercado imobiliário ainda pode ser medida como o resultado da média da renda das pessoas no local, o caso da Vancouver é diferente justamente por sua inserção global. Se existem chineses ricos interessados no lugar o aumento de preço dos imóveis não necessariamente representa uma bolha econômica.

A questão é que, estrangeiros ricos estão pagando preços mais elevados para conseguir se proteger das incertezas ou de eventuais perseguições políticas que sofrem em seus locais de origem. A conta também é simples, as pessoas aceitam perder 10 ou 20% em outro país por causa do preço elevado ante a real possibilidade de perder 100% no país de origem. Fica a questão, não seria o caso do Brasil começar a se projetar como um centro seguro e estável para o recebimento de investimentos estrangeiros? Estabilidade social e econômica apenas podem ser construídas em longo prazo e através de sucessões políticas que continuem os projetos políticos anteriores.

Isto foi adotado no plano federal na transição dos governos PSDB e PT, não seria o caso de pensarmos isso em todas as instâncias políticas do país? No Canadá as pessoas falam que só existem dois climas, o primeiro é o inverno, que dura 8 meses e o segundo é a temporada de obras. O Canadá além de ter o mais eficiente sistema de saúde das Américas é o país com a maior quantidade de obras em construção. Com o clima favorável e com a melhora dos “ventos” da economia, poderíamos ter uma permanente temporada de obras no Brasil, independentemente de quem venha a suceder quem nas futuras eleições.

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O Brasil tem a maior quantidade de filósofos do mundo?

No Brasil todo mundo é doutor em filosofia. Esta é a tradução, muitas vezes equivocada, do termo PhD, Doctor of Philosophy (Doutor em Filosofia). Todo mundo é PhD em alguma coisa, o médico é PhD, o dentista também. Até o encanador é PhD no conserto dos canos. Este é apenas um dos muitos exemplos de “traduções” mal feitas. O problema não está só no termo, mas também na tradução dos sistemas. Nosso modelo universitário foi herdado de uma das últimas reformas realizadas na Europa – não adotada por todos os países – em que, para se chegar até o doutorado, primeiro é necessário, após a graduação, fazer o mestrado, que leva em média dois anos e o doutorado, que leva mais quatro anos. Os sistemas variam de país a país.

No caso do Direito dos Estados Unidos, os alunos primeiro fazem uma graduação, que costuma ser bastante variada – Economia, História, Ciência Política, mas também Geologia ou mesmo o tradicional e genérico B.A. (Bacharel em Artes). O curso de Direito demanda esta primeira graduação e depois leva mais 3 anos. O título final é de Juris Doctor (J.D.) e não PhD em Direito, óbvio a pessoa tem imenso conhecimento de direito e não em filosofia. Eventualmente, alguns professores combinam as duas formações, filosofia e direito. Por exemplo, Laurence Tribe, um dos mais importantes constitucionalistas dos Estados Unidos é formado em matemática e direito.

O sistema de titulação também é diferente em cada país – mesmo com a busca pela padronização das titulações realizada na Europa. Para não dizer que não existe um PhD em Direito, a Universidade de Yale abriu este curso nos últimos anos. Contudo, as funções do LLM e do JSD (que passam a falsa impressão de “equivalência” com o sistema europeu), cumprem a função de educar estrangeiros, mesmo para pessoas formadas com tradições similares com a do Common Law. Vale acrescentar que o curso de Direito é “profissionalizante”, o que não deve ser confundido com os projetos de criar cursos reduzidos de “Direito profissionalizante” ou “Direito instrumental” no Brasil.

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Um pouco de história ajuda a entender as confusões

Na Europa medieval, tudo aquilo que não fosse Teologia, Direito ou Medicina era considerado Filosofia. As “artes liberais” nas quais os bacharéis se graduavam eram conhecidas como “Filosofia”. Assim, após a graduação eles poderiam escolher “pós-graduações” em Teologia, Direito ou Medicina. No início não havia distinção mesmo entre a titulação de “Mestre” e “Doutor”. A explicação dos juristas tratarem-se pelo título de “doutor” decorre desse sistema do período medieval, modificado há muito tempo.

Se a origem das Universidades está na Itália, em Bologna, as transformações modernas ocorreram pela Universidade de Humboldt na Alemanha, no século XIX, que influenciou o modelo adotado pelos Estados Unidos, mas que não adotou todas as reformas como nós. Um ponto em comum entre o Brasil e os Estados Unidos é a necessidade do “Exame da Ordem”, que nos EUA é chamado de “BAR”. Contudo, o Brasil, assim como a China, ainda consta na lista dos países emergentes com poucos Doutores, ainda que tenhamos um número elevado de “bacharéis” e a quantidade das universidades de Direito no Brasil superem o resto do mundo, estima-se que o Brasil possua cerca de 1.240 e o resto do mundo tenha 1.100.

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US$ 250 milhões anuais: rendimento de produtos falsificados só é menor que risco

O Unodc (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) alerta que, na verdade, os rendimentos são maiores. Chegariam a centenas de milhares de dólares. Somente medicamentos falsificados representam 30% deste nefasto mercado. Ontem, um alerta foi feito aos consumidores deste tipo de produto por meio da utilização de um termo que até assusta: contrafacção do crime organizado. Por conta do rendimento que os medicamentos falsificados e os riscos à saúde e vida dos usuários.

A estimativa da ONU, no que classifica como economia ilícita, é de que US$ 5 milhões anuais movimentem a fabricação e distribuição de medicamentos falsificados somente na Ásia Oriental e sudeste da África. No Brasil, o ingresso ocorre, principalmente, pela fronteira. Hoje, ao menos 1% de todo medicamento produzido no mundo decorre do crime organizado.

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Bancos têm conceito elevado para a maioria dos correntistas

Os brasileiros. É isso que diz a EY (Auditoria, Impostos, Transações Corporativas e Consultoria), que fez levantamento entre 43 países e ouviu 32.642 correntistas. Entre os brasileiros que integram o estudo, 47% confiam totalmente nos bancos, mas a média mundial é de 44%. E 51% recomendam a agência em que têm conta, percentual bem acima dos 40% dos demais países. E o brasileiro pensa assim mesmo reclamando. A contradição vem do índice de solução de problemas, que preocupa 43% dos correntistas. Ainda assim, 18% estão muito satisfeitos com a solução de seus problemas.

Além de identificar os dados contraditórios, a EY aponta o que deve ocorrer para os bancos melhoraram ainda mais o conceito, não só no Brasil, onde é quase indelével. É necessário, segundo a consultoria, tornar as transações bancárias mais simples e claras, ajudar os clientes a tomar decisões financeiras e, no surgimento de um problema, defender sempre o cliente. Outra recomendação está na transparência de taxas.

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